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À quinta-feira, como é habitual, falamos de filmes neste lado bom da vida das manhãs 360 e para isso contamos com a ajuda da editora de multimédia do Observador, Catarina Santos. Olá, Catarina, bom dia.

Bom dia.

Pronto, queres começar hoje? Que proposta nos trazes?

Hoje trago um bocadinho de animação. O Festival Monstra faz 20 anos e deveria ter acontecido em meados de março, mas nessa altura estávamos todos fechados em casa e as salas a encerrar por todo lado. O Festival de Cinema de Animação foi forçado a cancelar temporariamente tudo o que estava planeado e agora, dois meses depois, a Monstra encontrou outra solução para acontecer.

Mas sabemos que não podemos ir ao Cinema São Jorge ver as propostas de animação do famoso Monstra. Qual é a alternativa que eles encontraram?

Apesar de já estar previsto que as salas de cinema possam começar a abrir a partir de 1 de junho, será sempre com lotação reduzida e marcação prévia de lugares. A Monstra decidiu antes fazer um festival em duas partes. A primeira acontece já a partir de segunda-feira, dia 25, é a Monstra em Casa. Os filmes em competição começam a ser exibidos através da plataforma online Kinnow. Lá será possível ver 12 sessões, que incluem 169 filmes, divididos entre várias categorias: as curtas, curtíssimas, para filmes até dois minutos, as de estudantes e a competição portuguesa. E nesta competição portuguesa estão filmes como, por exemplo, o Tio Tomás: A Contabilidade dos Dias, de Regina Pessoa, que quase chegou aos finalistas selecionados para os Oscars e que ganhou já vários prêmios, incluindo um Annie Award, um dos mais importantes prêmios norte-americanos de cinema de animação.

Mas como é que isto funciona? Se fosse em sala, estas competições, havia obviamente o número limite de bilhetes vendidos para cada sessão, até a sala estar lotada. Assim, neste caso, podem até alargar o público, não é? Porque não há limite das pessoas que estão online. Continua a haver bilheteira ainda assim?

Sim, exatamente. Os bilhetes já estão à venda, aliás, há vários dias. A boa notícia é que a bilheteira agora está aberta a qualquer hora. Está aberta em monstra.kinnow.tv.pt. Basta ir ao site da Monstra, é mais fácil. Basicamente, o esquema que a Monstra encontrou foi criar um passe geral para as 12 sessões, que custa €5 e que dá acesso também a seis masterclasses que o festival preparou e que vão começar sempre às 18h. Este ciclo formativo começa já na segunda também, com o realizador e produtor brasileiro Arnaldo Galvão, que vai falar sobre os 100 anos da animação brasileira. No dia seguinte, é a vez de o compositor francês Christophe Héral apresentar Le Voyage du Prince numa sessão sobre a relação entre música e animação. O programa prossegue depois com vários outros convidados e temas que vão da animação como instrumento educativo a uma espécie de livro amarelo de uma das técnicas mais utilizadas, com uma masterclass intitulada Stop Motion Fácil.

Catarina, esta é aquela parte da Monstra que acontece online. E a segunda metade do festival, que referias antes, já será em sala?

Se as circunstâncias o permitirem, é o que está planeado. Correndo tudo pelo melhor, o festival espera estrear a segunda parte em setembro, no São Jorge, e em algumas outras salas de Lisboa e de outros pontos do país, como era hábito. Para essa altura, fica reservada a competição de longas-metragens e as muitas retrospetivas especiais que estavam programadas. Entre elas está, por exemplo, uma secção inteiramente dedicada ao Brasil, a AnimaBR, que deverá acontecer no Cinema Ideal, ou uma homenagem à Agência da Curta-Metragem, que também está a fazer 20 anos. E há também uma seleção do melhor que o festival Monstra foi mostrando nestas duas décadas. Os números também ajudam a perceber um bocadinho a marca que estes eventos vão deixando. Nestes anos todos, a Monstra teve mais de 1 milhão de espectadores e exibiu mais de 15 mil filmes.

E enquanto não chega esse mês de setembro, há mais algum sítio onde podemos ver as animações que foram selecionadas para o festival?

Há sim. No último fim de semana do festival, a 30 e 31 de maio, a Monstra exibe-se na RTP2 de manhã, horário nobre da bonecada para os mais pequenos. Talvez seja uma boa notícia para pais que queiram dormir um pouquinho mais nesse fim de semana e cujos filhos já sejam autónomos com os telecomandos. Não sei se é o caso.

Eles são autónomos muito cedo.

Fica aqui uma promessa de que podem então aproveitar este fim de semana, porque a RTP2 estará a exibir entre as 08h e as 13h, desse sábado e domingo, 10h nos dois dias, de filmes que deveriam ser exibidos nesta edição do festival e outros de edições anteriores.

Aliás, essa dedicação ao público mais novo sempre foi uma aposta deste festival, não é? E outra marca da Monstra, que era precisamente a sua itinerância, isto é, ir se espalhando pelo país de alguma maneira.

Exatamente. E com a mira apontada à formação de novos públicos, sobretudo, o festival criou a secção Monstrinha, que a organização descreve como um festival para miúdos, que os graúdos também frequentam. Só em 2019, a Monstrinha levou filmes a mais de 27 mil crianças na Grande Lisboa e a mais de 40 mil no resto do país e mesmo fora de Portugal. E para isso foi contando com colaboração de escolas, de professores, de auxiliares, de pais, de animadores. Este ano não é certo como é que todas essas atividades se vão processar, porque a colaboração com escolas vai estar certamente muito dependente da forma como arrancar o próximo ano letivo. Até lá, e além do festival que agora arranca online, desde fins de abril que a Monstra está a mostrar filmes no Instagram e no Facebook. Durante a semana há propostas para jovens e adultos e ao fim de semana há sempre filmes para crianças. É só procurar no site do festival, em monstrafestival.com ou nas redes sociais do festival.

As melhores sugestões de filmes, neste caso, em formato festival, no Lado Bom da Vida, sempre com a Catarina Santos, a editora de multimédia do Observador. Até para a semana, Catarina.

Até para a semana. Um bom dia.

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