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E quinta-feira é dia de falarmos de cinema no "O Lado Bom da Vida", com a editora de multimídia do Observador, Catarina Santos. Bom dia, Catarina.

Bom dia.

Hoje trazes dois filmes para ver em casa. Vamos ao primeiro. É a saga de um casal em confinamento, é isso?

É isso mesmo. Aqui não há como ir ao engano, o filme chama-se "Lockdown" e estreia-se amanhã na HBO. Nos principais papéis temos Anne Hathaway e Chiwetel Ejiofor, que interpretam Linda e Paxton, um casal norte-americano a viver em Londres. As coisas não estavam a correr bem e o casal estava prestes a separar-se. Só que isto foi em março do ano passado e o confinamento obrigatório trocou-lhes as voltas.

Ora bem, e temos ouvido notícias de que o número de divórcios até aumentou durante a pandemia, mas no caso deste filme nem foi o tal convívio em excesso que degradou a relação, pois não?

Não, aqui o que havia para correr mal, já tinha corrido mal antes da pandemia, mas no preciso momento em que decidem seguir caminhos diferentes, têm de se suportar debaixo do mesmo teto e não sabem até quando. Ela é uma executiva de sucesso numa companhia de produtos de luxo americana e passa a vida em videochamadas de trabalho, superproduzida da cintura para cima, mas sempre em calças de pijama, quem nunca? Ele trabalhava como estafeta e vivia frustrado, mas agora nem isso tem para fazer. Começa a entreter-se, claro, a fazer pão e em videochamadas com a família e com o patrão.

Portanto, primeiro parecia que a ficção tinha antecipado a realidade e agora já era de esperar começarmos a ver o movimento contrário, a realidade concreta da pandemia a ser retratada no cinema. Mas não estamos a falar de uma pequena produção, pois não? Parece tudo feito em tempo recorde, mas garote.

Sim, foi tudo muito rápido e teve origem numa aposta entre o argumentista britânico Stefan Knight, que escreveu filmes como "Circuito Fechado" e alguns episódios de "Peaky Blinders".

Não fales de "Peaky Blinders", por favor, que a malta continua à espera.

À espera da nova temporada.

E desespera.

Estamos todos no mesmo barco. E o realizador norte-americano Doug Liman, que é responsável por filmes como "Bourne: Identidade Desconhecida" ou "Mr. & Mrs. Smith", que juntou Brad Pitt e Angelina Jolie. Em julho, durante uma conversa no Zoom, pois claro, o argumentista e o realizador desafiaram-se a escrever um guião e a dar andamento ao filme no espaço de um mês. O objetivo era que pudesse ser visto enquanto o mundo ainda estava a passar pelos constrangimentos da pandemia. E cá estamos nós.

Claro, mas isso parece mesmo uma loucura, não é? Mas, de facto, o conceito de loucura ganhou novos horizontes, novos contornos estes tempos, não é, Catarina?

Sem dúvida, e o filme beneficiou disso. Doug Liman conta que foi uma forma de responder à loucura com outra loucura. Foram estabelecidas regras desde o início, tirando o casal, que se mantinha isolado. O restante elenco tinha de ser filmado sempre com distância de segurança. Muitos deles só aparecem mesmo em videochamadas. É o caso de Ben Kingsley e Ben Stiller, que têm pequenos papéis no filme. Mas a loucura funcionou. "Lockdown" foi produzido pela Warner Bros, foi filmado durante 18 dias em Londres e em meio de janeiro já se estava a estrear nos Estados Unidos. O resultado é um filme cheio de detalhes forçosamente familiares para muitos que estiveram ou estão em confinamento, tirando num pequenino aspecto: a maioria de nós, provavelmente, não pensou em roubar um diamante valiosíssimo nos armazéns Harrods.

Pois, essa, de facto, não consta que tenha sido uma tendência do isolamento.

Por mera falta de oportunidade, com certeza.

Outras prioridades, não é?

Sim.

Claro, exatamente.

É isso.

É que é proibido até às moscas. Deve ser mais fácil agora até furtar coisas.

Por outro lado, as câmaras de segurança vão desatar uma única pessoa, porque não há multidões.

És capaz de ter alguma razão. Ainda bem que falámos primeiro.

Obrigada pela dica.

Foi bom. Exato, exatamente.

Mas o filme pode dar algumas pistas se, de facto, quiser seguir em frente com esse plano. Porque este é, de facto, um filme também sobre um grande furto. A dada altura, coloca-se no caminho de Linda e Paxton essa segunda hipótese de reaproximação. Há lá coisa que aproxime mais do que um plano em conjunto para um grande assalto. E este foi mais um desafio para a produção do filme, também: convencer os armazéns londrinos a deixarem a equipa filmar dentro dos seus cofres. Isto nunca tinha acontecido e o realizador acredita mesmo que foi todo o clima de exceção em torno da pandemia que convenceu a Harrods a autorizar.

Muito bem, Catarina. Mais alguma surpresa que queiras partilhar conosco no lado bom da vida?

Mais uma surpresa. Sobre o filme não, porque senão ia arruinar-vos toda a experiência, mas há outra sugestão que queria deixar. Um documentário que chega amanhã também à HBO e que se chama "Fake Famous". É sobre o mundo dos influencers e propõe um exercício: eles começam por fazer um casting, escolhem três jovens e vão tentar transformá-los em influenciadores digitais com milhares de seguidores. Pelo meio, o filme vai expondo um mundo de truques e fingimentos, muitos perfis falsos para aumentar o alcance e toda uma indústria que não está propriamente interessada em desmascarar estes esquemas, porque há muito, mas mesmo muito dinheiro envolvido e muitos setores a lucrar. O documentário é assinado por Nick Bilton, um jornalista de tecnologia que acompanha o fenômeno há vários anos.

Muito interessante. Como é que se chama? "Fake Famous".

"Fake Famous."

Muito bem, "Lockdown" e "Fake Famous" são as sugestões da Catarina Santos de filmes para ver em casa. Catarina Santos, editora de multimídia do Observador. Ficam estes dois filmes disponíveis na HBO, "Lockdown" e "Fake Famous", a partir de amanhã. Obrigado, Catarina, e boa quinta-feira.

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