Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Abre a porta! Está a ouvir? Abre a porta!

Não consigo, a porta está trancada.

Afastem-se.

Luísa?

Está bem? O que aconteceu?

O Zé. Eles entraram e levaram o Zé pela janela.

É a namorada?

Não. A namorada sou eu. "O Zé faz 25" é um podcast de ficção para ouvir em oito episódios. Uma coprodução Coyote Vadio e Observador, da autoria de David Neto e Manuel Pureza. Com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Paulo Calatré, Carla Maciel, Beatriz Godinho e a minha, Sara Matos. A música do genérico é de Artur Costa. Episódio dois: Amor às Cegas.

Querem mesmo saber o que aconteceu ao Zé? Nós também queremos. Foi por isso que entrámos nesta aventura. Deixámos a ficção para os guionistas e os atores. A nossa parte é fazer com que seja possível viver uma aventura todos os dias. Foi por isso que criámos o Citroën C3 Air Cross. Um SUV pronto para tudo, confortável para todos. Citroën C3 Air Cross. Ninguém resiste ao conforto.

Fodas-se! Sim?

Alô, estava ali às 14h e-

Sofia, para.

Mas eu só-

Eu estou a trabalhar, Sofia. Tu sabes muito bem que eu estou a trabalhar. Eu não posso estar a atender o telefone de meia em meia hora, tu sabes disso.

A que horas vens?

À mesma hora de sempre. Sais daqui e vou direto para tua casa.

Está bem. João! Desculpa.

Não peças desculpa. Falamos mais logo.

Ainda gostas de mim?

Sim. Falamos mais logo. Fodas-se! Sofia, porra, eu já te disse que estou a traba-

Inspector Durães? Joana Magalhães, jornalista da "Set". Tem cinco minutinhos para falarmos.

Desculpe, quem é que lhe deu o meu número?

Temos amigos em comum. Quero fazer-lhe umas perguntas sobre o caso que tem em mãos, o do desaparecimento do filho do dono da construtora Pinheiro e Valbom, o José Valbom.

Moça, não leva a mal, mas a menina...

Joana Magalhães.

Isso. A Joana sabe melhor do que eu que não posso prestar declarações nesta fase da investigação. Não posso nem quero.

Posso pelo menos pagar-lhe um café? É que está com uma voz cansada, inspetor.

Você é perspicaz e teimosa. Veja lá se não me quer substituir aqui na polícia.

Já consegui uma piadinha sua, não está mal. Sim, a piadinha é fraquinha, mas não está mal.

Não seja dura comigo, Joana, mas eu vou ter de desligar, ok?

Olhe, grave o meu número, inspetor. Vai precisar dele.

Eu tenho as minhas dúvidas. Com licença. Bom dia.

Bom dia.

Deixe-me só meter o telemóvel em silêncio. Ora muito bem. Muito bem, Inês Oliveira.

Sim.

Namorada do José, certo?

Sim.

Inês, sabe porque é que estamos aqui, não sabe? Portanto, o seu namorado desapareceu e ainda ninguém me conseguiu explicar o que é que aconteceu.

Eu só quero que ele esteja bem, inspetor. É só isso.

Nós vamos fazer de tudo para encontrar o José, mas a Inês vai ter que me ajudar. Pode ser? Viu alguma coisa comprometedora? O José disse-lhe alguma coisa estranha nas passadas semanas?

Nada de mais, acho eu.

Há quanto tempo é que namoram?

Há dois anos e meio. Inspetor, eu só quero que ele esteja bem, por favor. Eu só quero que ele esteja bem.

Tenha calma. Todos nós queremos que isto se resolva rapidamente.

Foi ela. Eu tenho a certeza que foi ela.

Ela quem?

A Luísa.

A Luísa que estava com o José no quarto.

Sim. Puta!

Pelo que eu percebi, a Luísa estava trancada no quarto com o José. E a Inês?

Sim, com o José. Eu não estava no quarto, como é fácil perceber também, inspetor. Quer que eu te explique o que estava a acontecer? Poupe-me.

Vamos por partes. De que é que a Inês se lembra?

As festas em casa do Zé são sempre muito intensas. Ele conhece meio mundo e meio mundo conhece o Zé.

E eu imagino que isso para si seja um desafio.

Já me habituei. E o teu amigo?

Ele está com você?

Se estivesse eu não perguntava, não achas?

Meu Deus, estão aí centenas de pessoas, sei lá onde é que vai estar esse rapaz. E você está tão mal disposta, o que é que foi?

Vou acabar com ele.

Hã?

Vai apanhar um susto da vida dele, mas quando acordar vai perceber que eu atingi o meu limite. Sou sempre o segundo plano, a segunda cena. Sinto-me uma figurante a bater palmas no Preço Certo. Aquela miúda do primeiro ano andava há bocado atrás dele, que eu vi. Aposto que está a papar na arrecadação. É isso, não é? Eu estou a ouvir pelo teu cara.

Olha, eu acabei de vir da arrecadação, fui lá buscar umas garrafas que estavam lá e não vi ninguém papando ninguém, não. Quer dizer, o que eu vi foram duas baratas transando assim de maneira bem violenta.

Podes parar de gozar comigo? Estou a falar a sério, porra! Estou a desabafar contigo e tu a dares-me um baile.

Desculpa. Se você quer acabar com o cara, então tem que ser direta. Entendeu? Chega logo e pumba, fala logo, acaba. Já sabe que o cara dá sempre a volta. Inês, você tem que relaxar um pouco, esfriar a cabeça. O Zé gosta de você. Mas você sabe como ele é. O cara tem um imã.

Meu Deus, tu imaginas. Eu vou estar lixada comigo. Vais ver. Nota breve: o inspetor responsável pelo caso é João Durães. Ao telefone parece um gajo cansado, mas com algum sentido de humor. Lembrete: tentar perceber se a PJ já chegou ao engenheiro para fazer perguntas. O telefonema que recebi há duas semanas deve ter alguma coisa a ver com isto. O tipo é Dux veterano e responsável por uma brigada de praxe. É rico, é carismático e tem a fortuna do pai para gerir em pouco tempo. Pois, e ainda assim, pelos vistos, não é o que se espera. No próprio dia de anos desaparece sem deixar rastro e até ver, nada nas notícias e nada em lado nenhum. Epá, a maneira destes gajos ricos se protegerem é a mesma de carasças. Lembrete: procurar perceber qual era a rede de contactos do miúdo e chegar à conversa com alguém. Lembrete: qual é que era o nome daquela música que a personagem do Paperboy cantava no primeiro episódio do Atlanta? Era Get Rich e quê? Ya, pesquisar isso e fazer uma nova playlist. Hey, Siri, call Cândido.

"I can't seem to find Camilo in your phonebook. Please try again."

Call Cândido.

Calling Cláudia Lopes.

Epá, foda-se, é sempre a mesma merda!

Ligou para Cândido Pupo. De momento não posso atender porque estou numa aula de dicção. Deixe a mensagem depois do sinal. Obrigado.

Porra!

E como é que classificaria a vossa relação?

Boa, muito boa. Eu sei lá. Eu não sei nada. Eu só quero que o Zé volte, senhor inspetor. Eu quero que o Zé volte rápido.

Tenha calma. Calma. Vá, tenha calma. Inês, recorda-se de alguma coisa estranha? Vidros a partir, alguém a tentar forçar a entrada da casa?

Nada. Quer dizer, só daquela parvalhona que está ali fora, dentro do quarto quando a polícia chegou.

E isso surpreendeu-a?

Eu não sei. Eu estou cansada.

Portanto, ele estaria no quarto com ela. A Inês sabia disso?

Não sabia. O Zé é sempre assim.

Isso já aconteceu mais vezes?

Sim.

Entendo. De resto, deu-se conta de alguma presença estranha? Alguma coisa fora do comum?

Nada. Acho que eu não.

No entanto, Inês, no seu registo telefónico, nós pudemos verificar que recebeu várias chamadas de um número que não consta da sua agenda telefónica e que aparentemente não está atribuído. Com quem é que falou nessa noite?

Desculpa.

O seu registo telefónico. Chamadas para o seu telefone revelam um número 92 73 427 88. Pelo menos sete vezes durante a noite. Vá lá, Inês, tente lá recordar-se.

Porra, pá!

Por que demoraste tanto tempo pra atender?

Quem fala?

Não te faças de parva.

Que merda é esta?

Olha, diz ao teu namorado pra se pôr esperto. Ele anda armado em campeão, mas qualquer dia lixa-se. Passa-lhe o telefone.

Pedro, quem é que te deu o meu número?

Não interessa, passa-lhe o telefone.

Para de me ligar.

Tu vais fazer uma coisa. Procuras uma divisão que dê pra fachada da moradia e espreitas pela janela, pra rua. Vai. Olha pro outro lado da rua. Isso. Estás a ver? Eu estou aqui junto a este carro vermelho. Agora vais ter com o teu namorado e vais dizer pra ele descer e pra trazer o dinheiro.

Mas qual dinheiro?

A Sara pediu um Uber com o meu telefone e o homem andou perdido no bairro até encontrar a casa. Eu ligo-lhe uma vez, ele ligou de volta várias vezes. E foi isso. Eu nem sempre atendia porque estava distraída e depois ela pediu-me o telefone e ainda lhe ligou mais umas quantas. Talvez seja isso.

Curioso. Sabe, é curioso porque o número está morto desde essa noite.

Eu não faço ideia.

Diga-me uma coisa, Inês. Como é a sua relação com a família do José? Conhecem-se? Dão-se bem?

Sim, conheço-os bem. Não sei muito bem o que dizer em relação a isso. Sempre me trataram muito bem.

A sua mãe, tanto quanto sei, trabalha para o senhor Vicente Álvares, certo? Contabilidade.

Trabalhava, sim. Foi despedida há duas semanas.

Problemas?

Não percebi muito bem.

Inês.

Então?

Demorei mais um bocado. Desculpa. Já estavas aqui há muito tempo?

Por que o teu pai é um cabrão?

Hã?

Despediu a minha mãe. Por quê?

Despediu a tua mãe? Como assim? Eu não sei de nada.

Ya, despediu. Reestruturação da equipa. O caraças é que é. O teu pai deve andar a desviar dinheiro pra uma merda qualquer, de certeza.

Calma lá.

Só pode ser assim. Olha, tu achas que eu sou parva?

Inês, deixa de ser estúpida. O meu pai não desviou coisa nenhuma. Tu queres que eu fale com ele?

O que lhe vais dizer? Esquece. Eu acho estranho que de todas as mudanças possíveis numa equipa, comece-se logo pela contabilidade. Porra, pá! E a minha mãe... o teu pai não faz ideia do que é fazer contas, caraças. Contas ao fim do mês!

Mas o que tu queres que eu faça, então? Tu estás aí toda lixada, mas eu não sei de nada. O que tu queres que eu faça?

Nada. Vou bazar.

Então, mas não íamos ver as coisas pra festa?

Caguei!

Inha, deixa de ser palerma. Eu fico na merda quando não me deixas ajudar. Eu vou tentar perceber mais sobre a cena da tua mãe. Não te preocupes que eu não me vou chorar todo e também não vai parecer que me encomendaste nada. O meu pai é lixado, sim, mas não é ladrão. Disso podes ter a certeza. Não me ignores. Até logo.

Mãe, estou em casa dentro de uma hora e meia. Ando na rua. Se vires que é preciso alguma coisa para o jantar, diz. Quando ouvires esta mensagem, por favor, liga-me. O vosso cliente está malva desligado. Até já.

Está se bem com a sua mãe?

Sim.

E o seu pai?

Não conta. Só me lembro da cara dele de fotografias. Saiu de casa quando eu tinha três anos, não sei se ainda é vivo.

Então vive sozinha com a sua mãe?

Uhum.

Que idade é que ela tem?

Cinquenta e dois.

Inês, diga-me uma coisa. A sua mãe alguma vez falou consigo lá em casa sobre coisas de trabalho? Alguma coisa que a Inês pense que possa ser agora útil para esta investigação?

Sinceramente, não, inspetor. Eu estou exausta. Desculpe. Já não estou a conseguir manter-me acordada.

Pronto, eu compreendo. Então vamos fazer o seguinte: a Inês vai para casa, descanse, mantenha-se contactável. Para já, não vamos fazer nenhum termo de residência, mas mantenha-se atenta, porque a qualquer momento podemos precisar de conversar outra vez.

Sim. E ligue-me, por favor, mal haja novidades. Boas ou más. Por favor.

Sim, não se preocupe.

Após o sinal, por favor, grave a sua mensagem.

Porra, mãe, atendes o telemóvel para variar. Saí agora da polícia, não sabem nada dele. E tinhas razão, perguntaram por ti. O inspetor quis saber se tu me disseste alguma coisa do teu trabalho ou do teu antigo trabalho. Eu espero que isto não dê raia. Vá, liga-me de volta quando puderes, quando ouvires isto. Não vou jantar a casa. Beijinhos. Inspetor, eu não lhe ligo para não importunar. Sei que o caso não deve ser certamente dos mais fáceis. Também percebi pelo entrar e sair constante do seu gabinete que ainda deve andar à procura de perceber o que aconteceu. Sim, confesso, estive aí, mas pareceu-me demasiado entrar pelo gabinete e insistir. Até porque o senhor inspetor já deve saber tão bem como eu que o engenheiro Vicente Valbom tem sobre si esta série de suspeitas que envolvem a fortuna que possui. Independentemente disso, eu quero ajudá-lo a si. Sinceramente. E não entenda esta mensagem como um pedido. É mais uma oferta genuína de ajuda. O que me diz a tal café? Faz-me falta estar com alguém que vibra com enigmas como eu. Vá lá, aceite. Não se vai arrepender.

Esta caixa é doida. Sofia, estou a sair. Mais 15 minutos e estou em casa. Eu passo na churrasqueira e compro um frango. Até já.

É certamente na mudança que reside ao mesmo tempo a tentação e o garante de todas as relações. A relação que estagna é a relação que não permite a mudança, não aceita a mudança como um fator decisivo entre duas pessoas. Dir-me-ão que as pessoas não mudam, certo. Entendo isso bem, mas ao mesmo tempo, é na certeza dessa negação que morre o amor. Se calhar estou a ser demasiado filosófica, mas em traços largos, quando chegamos à ideia fatal de que o outro já não muda e eliminamos essa hipótese adolescente de ver no outro a possibilidade de algo novo, então aí percebemos que já atingimos o ponto de não retorno. O amor acabou.

Estou?

Joana?

O Zé faz 25 é um podcast de ficção para ouvir em oito episódios, produzido pela Coyote Vadio e pelo Observador. Escrito por David Neto e Manuel Pureza, com realização de Manuel Pureza, direção de elenco de Rita Tristão da Silva e direção de som de Jonathan Costa. A sonoplastia e a música do genérico são de Artur Costa. Paulo Calatré é João Durães. Beatriz Godinho é Joana Magalhães. Tiago Teotónio Pereira é Zé Valbom. Madalena Almeida é Guigas e José Raposo é Vicente Valbom. Sara Matos é Inês, Vicente Wallenstein é Delgado e Helena Caldeira é Luísa. Rafael Medrado é Guedes e Cristóvão Campos é Pedro. Carla Maciel é Sofia. Miguel Pires é Cândido. O design gráfico é de Miguel Ferraz Cabral. A coordenação do projeto é de João Santos Duarte e Tânia Pereirinha. Obrigado por ouvirem. Voltamos no próximo episódio de "O Zé faz 25", disponível no site do Observador e em todas as principais plataformas de podcasts. E se virem o Zé, por favor, avisem. Este podcast de ficção tem o apoio da Citroën.