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Está no ar mais uma edição da "Operação Stop", como sempre com o Alfredo Lavrador. Olá, Alfredo, bom dia.

Olá, viva Diogo.

Vamos falar sobre um caso que fez correr muita tinta, muitas partilhas nas redes sociais, que está relacionado com os activistas que andam por aí a esvaziar pneus dos SUV, aqueles carros maiores que nós vemos na estrada. O que está por trás desta manifestação dos activistas que nos últimos dias andaram a esvaziar estes pneus destes SUV, perseguindo-os por serem modelos mais gastadores e mais poluentes?

Olha, Diogo, sem querer ferir suscetibilidades, basicamente uma dose cavalar de parvoíce, porque, na prática, não faz sentido nenhum. As pessoas podem achar que estão ali medidas de toda a razão do mundo, mas não faz sentido nenhum. É um facto que teoricamente os SUVs poluem mais do que as berlinas equivalentes. Isto como resultado de necessitarem de queimar mais combustível para percorrerem uma distância. Isto porque não só são mais pesados, tradicionalmente, como são menos aerodinâmicos. São dois argumentos que explicam o incremento do consumo. Porém, a realidade é que há versões destes mesmos SUVs que consomem menos e poluem menos do que as berlinas equivalentes. E tudo depende da motorização a que recorrem. Pelo que perseguir os SUVs só por serem SUVs, ou seja, tu vês um SUV parado e decididos estragar os pneus ou esvaziar os pneus, acaba por ser uma medida pouco inteligente, para não dizer completamente estúpida.

Mas já agora, antes de avançarmos, importa só esclarecer aqui uma questão. Os pneus têm sido esvaziados ou furados?

Eu felizmente não tive que lidar pessoalmente com esse problema e nem conheço nenhum dos meus amigos que passou por essa tristezinha. Mas a fazer fé nos relatos que "O Observador" publicou, os pneus foram esvaziados e não furados ou rasgados. Já não é mau, é completamente idiota, mas já não é tão grave como seria danificar os pneus. O que é que na prática eles fazem? Existe uma chave que se utiliza para apertar ou desapertar a válvula do ar, que tu tens de possuir, todas as casas de pneus têm e também se vendem ao público, que tu necessitas de abrir para que o ar saia antes de mudar a câmara de ar, por exemplo, ou antes de mudar o pneu.

Sim.

Agora nota, o que eles fazem é basicamente abrir essa válvula e o ar sai.

Usam uma ferramenta, digamos assim.

Estamos a falar de uma chave. Tu não tens óculos, mas conheces amigos com óculos e os nossos ouvintes que têm óculos percebem mais facilmente do que estou a falar. Quando vamos ao oculista apertar as hastes dos óculos, eles têm uma chavinha que é uma coisa que tem aí 10 centímetros, olha isso, uma chave de fendas, que aperta o parafusinho que prende a haste. Aquilo é uma coisa da mesma dimensão, mas com uma aplicação diferente. Não é uma chave de fendas, é uma chave específica para aquilo, e que o que faz é aperta o interior da válvula, permitindo que o ar saia ou não, vedando por completo. Nota que, por exemplo, se por acaso esses tais activistas estragassem os pneus, o que era ainda mais idiota, porque então aí os donos dos carros teriam que substituir o pneu, e produzir o pneu exige tanta energia que aquilo que eles perseguem, que é punir as pessoas que têm carros mais gastadores, a única coisa que eles conseguiam fazer era gastar ainda mais energia.

Ainda mais.

Produzir mais pneus para substituir aqueles que estão estragados. Como vês, é bastante idiota.

Mas vamos lá perceber então se os SUV são ou não mesmo mais gastadores e, por tabela, mais poluentes do que as berlinas com motores equivalentes.

São. Para termos uma ideia e precisarmos de um exemplo, nós fomos aqui a um BMW Série 3, equipado com motor três litros, seis cilindros a gasóleo, com cerca de 300 cavalos. E comparámos os seus valores de consumo e de emissões de CO₂ com o SUV equivalente, que é o X3, a bitola é quase a mesma. E o que é que concluímos? Que, por exemplo, o SUV X3 possuía um CX de 0,33 contra 0,27 da berlina. Portanto, tal como tínhamos dito antes, em termos de rendimento aerodinâmico, coeficiente de penetração aerodinâmica, o SUV é efetivamente pior do que a berlina. Depois é também 420 quilos mais pesado. Isto é um carro do mesmo comprimento, da mesma largura. E tudo isto explica que o tal SUV consuma, em média, isto dados de homologação, segundo o método europeu, o WLTP, 7,1 litros aos 100, que até é um consumo bastante razoável. Há aí muitos carros pequenos que gastam bastante mais do que isso. A isto corresponde emissões de 186 gramas de CO₂. A berlina Série 3, que é o segundo carro que tomámos como exemplo, nas mesmas condições, consome 5,9 litros aos 100, em vez de 7,1. A diferença também não é propriamente uma coisa Dirá à lua, consomem 154 gramas de CO2. É uma diferença que efetivamente existe, é palpável, mas tenha presente que basta que o condutor da berlina conduza um pouquinho mais depressa para que a berlina acabe por superar o SUV em consumo. Teoricamente, o SUV consome mais, não é evidente que não haja berlinas equivalentes a consumir mais do que os SUVs, tudo depende da condução de cada um.

E tudo isto é muito relativo. Mas os ativistas, por aquilo que temos lido nas notícias, a verdade é que não estão a diferenciar os carros que atacam. Pura e simplesmente esvaziam os pneus. Isso faz sentido ou há diferenças também importantes entre os diferentes modelos de SUVs?

Tocaste num ponto chave, aliás, um dos veículos que se pode ler na reportagem do artigo do Observador é um híbrido. Não está especificado que modelo é, nem que versão é, mas para te dar uma ideia, este SUV X3 que utilizámos para o exemplo anterior, tem um motor de 3 litros, seis cilindros, cerca de 300 cv. Se considerarmos o mesmo veículo com motor híbrido plugin, que fornece mais de 200 cv, 300 cv não é provavelmente uma coisinha nada, é grossomodo quase o dobro da potência. Anuncia um consumo médio em WLTP de apenas 0,8 litros aos 100 km. Atenção, enquanto tem a bateria recarregada. E emite apenas 18 gramas de CO2, ou seja, é mais amigo do ambiente, mas ainda assim corre o risco de estar estacionado e lhe acharem os pneus.

Ficar sem ar nos pneus.

Não faz sentido.

Muito bem. E entretanto, importa também saber o que é que os proprietários deste tipo de veículos podem fazer para evitar danos superiores. E já agora uma questão, que é: no fundo, os pneus são só esvaziados, que problemas é que isto cria? Para além dos constrangimentos normais de a pessoa, um dos exemplos de que tu estavas a falar ou de um dos exemplos que era descrito na peça do Observador, era até de uma pessoa que precisava de ir ao hospital com o filho a uma consulta e portanto, isto causa um constrangimento evidente, imediato e em última análise, até pode ser perigoso, não é?

Tens toda a razão. Imagina tu que a tua mulher está grávida e tens que ir para o hospital e há um pateta que te esvazia os pneus do carro. Não faz sentido nenhum.

Claro. Mas isto pode ter efeitos práticos de danos no veículo?

Tem, porque tu não estás provavelmente à espera de teres os pneus vazios. Uma coisa é teres um pneu ligeiramente mais baixo em termos de pressão, outra coisa é estar completamente vazio. E tu, sobretudo se fores um condutor mais distraído, entras no carro, pões a trabalhar, arrancas e de repente tens que efetuar uma travagem de emergência ou fazer uma manobra de evasão para te desviares do carro da frente ou um carro que venha em sentido contrário, ou qualquer coisa do género. O que acontece é que se tu virares de repente a direção de um pneu que está muito vazio, não só o carro não te obedece, ou seja, o carro não vira como tu estás a pretender, como o pneu pode desjuntar, etc. E acabas por ter um acidente, porque alguém te decidiu esvaziar o pneu. Mais grave do que isso, o pneu ao rolar com pouco ar, acaba por degradar os ombros do pneu, aquela parte vertical entre o piso e a jante, o que significa que vais ter de adquirir um pneu novo, porque um pneu todo mordido nos ombros acaba por não estar em condições de ser utilizado. De maneira que o nosso conselho para quem tem este tipo de veículos é adquirir uma pequena bomba elétrica, felizmente não são muito caras, dar uma voltinha ao carro para ver se tem algum souvenir destes ativistas de medo de cela e pura e simplesmente, caso seja o caso, caso efetivamente o pneu esteja com a pressão muito baixa, ligar a bomba ao isqueiro e ligar ao pneu e encher.

E encher os pneus.

E encher e pôr-lhes a pressão. Atenção, para que isso aconteça, como eu duvido que os ativistas fechem a válvula antes de abandonar o local do crime, o melhor é comprar uma daquelas valvulazinhas que serve para apertar ou para desapertar a válvula, porque por muito ar que metam lá dentro, se a válvula estiver aberta, vai voltar a esvaziar o pneu e rapidamente. De maneira que é comprar a válvula, comprar a ferramenta que fecha a válvula e uma pequena bomba de pressão elétrica que é alimentada pelo isqueiro e que custa muito pouco e evita sustos, acidentes e danos nos pneus.

E já agora, quem tem estes automóveis, dar uma volta ao carro antes de pegar nele.

Isso é sempre bom fazer. Nunca se sabe.

Obrigado, Alfredo Lavrador. Até para a semana.

Abraço.