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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Hoje começamos no Brasil, onde o futebol está a atravessar um dilema moral devido ao regresso de um jogador.
É verdade, este jogador é o Bruno, é um guarda-redes de 35 anos que começou a carreira no Atlético Mineiro, passou pelo Corinthians, chegou a jogar no Flamengo, onde está agora Jorge Jesus, e foi precisamente na fase em que estava no Flamengo que ganhou relevância. Chegou a ser associado até a uma transferência pra Europa, pra Barcelona ou até pro Milan de Itália, mas em 2010, quando ainda estava no Flamengo, foi acusado e condenado por rapto e homicídio.
Mas o que é que se passou?
Ele foi o único suspeito do rapto e do homicídio de uma jovem, que na altura acabou por se revelar ser a amante dele. Ela tinha o processado meses antes porque estava grávida, dizia que o filho era do guarda-redes, ele dizia que não. Portanto, ele foi acusado, o Flamengo rescindiu de imediato o contrato com ele, os advogados do clube deixaram de o representar. Foi condenado, na altura, a 22 anos de prisão, mas acabou por sair em 2019, no ano passado, depois de ter cumprido pouco mais de oito anos da sentença e depois de um recurso. Entretanto, já tentou assinar por quatro clubes diferentes, mas a verdade é que o negócio nunca fica finalizado.
E então, isso acontece por causa desse cadastro?
Exatamente. O que se passa é que os clubes se interessam por ele, porque ele é um jogador livre, não precisam de pagar nada a ninguém por ele. Ele quer voltar ao futebol e aceita, mas a reação dos adeptos destes clubes acaba por levar à desistência do negócio, assim como os patrocinadores, que ameaçaram sempre rasgar os acordos, sempre que os clubes se interessaram pelo guarda-redes, pelo Bruno. Isto tem gerado, na verdade, um grande debate na sociedade brasileira, onde se discute se deve abrir a porta a uma reintegração dele no futebol, porque a verdade é que está fora da prisão, ou se deve vedar o acesso ao futebol depois de tudo o que aconteceu. E a verdade é que tem gerado um debate muito grande, até com a família da jovem que acabou por morrer, a dizer que ela não teve uma segunda oportunidade, portanto, ele também não deve ter. É um debate que está a ser criado também no futebol no Brasil.
E continuamos no Brasil, onde um dos melhores jogadores de sempre não sai de casa.
É verdade, estamos a falar do Pelé. Os problemas de saúde do antigo jogador brasileiro são conhecidos. As últimas aparições que ele fez foi mesmo de cadeira de rodas, mas agora o filho de Pelé deu uma entrevista à TV Globo, onde explicou que a situação é, se calhar, um pouquinho mais grave do que isso e um pouquinho mais grave do que achávamos. Pelé não se consegue movimentar sozinho, está envergonhado, fica envergonhado com isso, não quer sair de casa, não quer aparecer dessa forma em público. Está deprimido, diz o filho do antigo jogador, e que explica que tudo isto aconteceu também porque ele não fez a reabilitação necessária e adequada depois de uma operação à anca e está então muito debilitado.
E no meio disso tudo, espera-se que ele apareça em público nos próximos tempos?
Era expectável, até porque este acaba por ser um ano importante para o próprio Pelé, não só porque faz 80 anos em outubro, portanto esperava-se obviamente uma celebração, mas também porque faz este verão 50 anos que conquistou o último mundial da carreira com aquela que é considerada uma das melhores seleções de todos os tempos. Estas duas celebrações acabam por provavelmente não ter seguimento e ficar um pouquinho esvaziadas, devido exatamente ao estado de saúde, não só físico, como psicológico do Pelé.
E terminamos no Egito, onde um recorde absoluto pode estar perto de ser quebrado.
É verdade. Um senhor chamado Ezzeldin Bahader, de 75 anos, quer tornar-se o jogador mais velho de sempre. Ele é egípcio, viveu durante muito tempo no Kwait e depois regressou então ao Egito. Jogou quando era jovem, mas acabou por desistir do sonho pelos estudos e pela família. Agora já reformado, decidiu voltar a treinar, oferecer-se a vários clubes. Um clube da terceira divisão do Egito aceitou. Ele precisa de fazer dois jogos de 90 minutos pro recorde ser válido, garante que está a trabalhar pra isso, e que o objetivo é então aos 75 anos, ser o mais velho de sempre a jogar futebol profissional. Eu acho que o mais engraçado aqui é que ele tem 75 anos, mas o recorde pertence a um senhor israelita que tem 73. Só que esse senhor, e aqui muito respeito pelos guarda-redes, era guarda-redes. Este egípcio não é guarda-redes. Portanto, acho que faz uma certa diferença ser ou não guarda-redes. 75 anos.
É uma história que ainda vamos ouvir falar, seguramente.
Exatamente, provavelmente.
Mariana Fernandes com as outras histórias do desporto nas manhãs 360. Amanhã há mais pra conhecer.