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Começa agora mais uma edição das Outras Histórias do Desporto, hoje com a jornalista da editoria de desporto do Observador, a Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bom dia.
Olá, bom dia.
Bom dia. Começamos com um salto de regresso aos Jogos Paralímpicos para falar da impressionante participação da Ucrânia.
Sim, uma participação que acaba por ser uma espécie de evolução na continuidade. Isto porque a delegação paralímpica da Ucrânia fechou os Jogos de Tóquio com 98 medalhas, apenas menos seis do que os Estados Unidos, terminando como o quinto país mais medalhado destes jogos. Um dado que se torna ainda mais relevante se tivermos em conta que todos os países do top four, portanto, os quatro países mais medalhados, China, Grã-Bretanha, Rússia e Estados Unidos, tinham mais de 220 atletas em competição, enquanto que a Ucrânia só levou 139. E para termos também a noção de que isto é mesmo esta evolução na continuidade, é preciso percebermos que a Ucrânia foi um dos seis países mais medalhados em nove Jogos Paralímpicos consecutivos de verão e de inverno, e que em 2016, no Rio de Janeiro, foi mesmo o terceiro país com mais medalhas, à frente dos Estados Unidos. E não é preciso ser um especialista para perceber que este sucesso não tem paralelo nos Jogos Olímpicos, onde a Ucrânia, por exemplo, conquistou apenas um ouro, sendo que o nadador Maksym Krypak, sozinho, ganhou cinco nos Paralímpicos, num total de sete medalhas que ainda o tornaram o atleta mais medalhado dos Jogos de Tóquio.
Mas como é que isso se explica, Mariana?
É fácil de explicar, apesar de ser inicialmente difícil de perceber, porque todas as variáveis estão contra o desporto paralímpico na Ucrânia. O país é um dos mais pobres da Europa, é indicado pelas Nações Unidas como um dos países mais difíceis do mundo para se viver enquanto pessoa com deficiência, e a anexação da Crimeia por parte da Rússia em 2014 até deixou os atletas paralímpicos impedidos de treinar no centro de alto rendimento que tinham junto ao Mar Negro. Mas foram precisamente todos esses fatores que levaram Valeriy Sushkevych, o atual presidente do Comitê Paralímpico Ucraniano, a quase fundar o desporto paralímpico do país. Sushkevych tem 67 anos, está numa cadeira de rodas, foi nadador profissional, apesar de ter crescido ainda na União Soviética. E aqui digo apesar, porque é o que ele próprio conta numa entrevista ao New York Times, diz que tornou ainda mais difícil ser independente e funcional enquanto pessoa com deficiência, revelando até que lhe chegaram mesmo a dizer na escola que devia deixar o país porque pessoas como ele não tinham lugar ali. Pegando nestas dificuldades, criou o Inviasport, o projeto fundado nos anos 90, que é atualmente ainda a base do sucesso paralímpico da Ucrânia.
A necessidade aguça o engenho. Mas o que este projeto envolve?
Logo à partida, o Inviasport construiu centros desportivos para pessoas com deficiência em todos os 24 distritos da Ucrânia, além de ter criado programas específicos de desporto escolar para as crianças abrangidas. Ou seja, as escolas ucranianas, além de terem os programas de desporto escolar ditos regulares, ditos normais, têm também programas de desporto escolar para crianças com deficiência. Depois, conseguiu também estabelecer uma presença tão forte e tão intensa dentro da população, que acabou por culminar na existência de uma rede de famílias de acolhimento para atletas paralímpicos que têm de se mudar de zonas mais rurais para as grandes cidades, para poderem treinar e investir nas respetivas carreiras. E por fim, acabou por conseguir uma quase duplicação dos prémios monetários garantidos pelo Comitê Paralímpico em caso de medalhas, algo que também, obviamente, estimulou a preparação dos atletas. Valeriy Sushkevych provocou uma autêntica revolução no desporto paralímpico ucraniano, mas mais do que isso, ofereceu alternativas a pessoas que vivem num país em que se não viverem do desporto, dificilmente vivem de qualquer outra coisa.
Medalha de ouro para ele.
É verdade.
E passamos para o futebol e para Cristiano Ronaldo.
Sim, ele que 18 anos depois voltou a fazer um primeiro treino no Manchester United, portanto, treinou ontem pela primeira vez com a equipa de Solskjaer, ainda sem a companhia de Bruno Fernandes, que ainda está na seleção, mas já com a companhia do também português Diogo Dalot. Os últimos quase 20 anos do futebol mundial, como sabemos, foram pautados por uma única pergunta: quem é o melhor, Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi? A grande maioria dos adeptos de futebol, clubismos e nacionalidades à parte, não gosta de escolher nenhum, diz que são diferentes, que temos é dados por satisfeitos por vermos ambos jogar ao mesmo tempo. E eu confesso que me coloco um bocadinho nessa opinião, mas a verdade é que, pelo menos para um matemático da Universidade de Oxford, existe uma resposta clara para esta pergunta.
Para um matemático? Como assim?
Tom Crawford, matemático, professor em Oxford, no Reino Unido, criou um algoritmo para finalmente concluir quem é o melhor jogador de todos os tempos. Ele explica que adora futebol, que adora matemática e que por isso decidiu aliar as duas paixões, baseando-se em fatores como o número de bolas de ouro, os gols marcados por clubes e seleções, os títulos conquistados e a regularidade ao longo dos anos para fazer um top 10 dos melhores jogadores de sempre. E Cristiano Ronaldo, de acordo com este algoritmo, é mesmo o melhor jogador de todos os tempos, obtendo 100% na conjugação de todas as variáveis. Logo a seguir, claro, está o Lionel Messi com 94%. Estão sempre juntinhos. Seguindo-se depois Pelé, Puskás, Ronaldo Fenômeno e ainda Van Basten. Curiosamente, Diego Armando Maradona só surge na nona posição, portanto ainda superado por Di Stéfano e Platini, e Johan Cruyff, com 30%, encerra esta lista.
Sempre a aprender contigo. A jornalista do desporto do Observador, Mariana Fernandes, com as outras histórias do desporto nas manhãs 360. Amanhã há mais para conhecermos. Obrigada, Mariana. Até amanhã.
Até amanhã.
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