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Cá estamos para mais um "PopUp", o programa de cultura pop da Rádio Observador, que esta semana vai falar de política e de desporto, porque nós podemos. E para isto correr bem, temos aqui os nossos todólogos favoritos, a Maria Ramos Silva.
Olá.
Olá. O Bruno Vieira Amaral.
Olá.
E o Pedro Goucha Mendes.
Viva.
Estamos todos felizes e contentes. Estamos aqui no meio de especialistas nas coisas em geral e antes de passarmos aos assuntos mais sérios, vamos falar de música na Boa Dica. Ora bem, no passado domingo foram entregues os Grammys, os prêmios americanos de música, que são americanos, mas acabam por ser os mais midiáticos em todo o mundo, ainda que lhes prestemos cada vez menos atenção. A grande vencedora foi Billie Eilish, a jovem de 18 anos que ganhou os principais prêmios. Ao mesmo tempo, continua a esgotar concertos e é, por exemplo, cabeça de cartaz de um dos dias do Festival Nos Alive, em julho. Billie Eilish disse ao receber um dos prêmios: "Quem devia ter ganho era a Ariana Grande". Assim é que é. Maria, além desta, pelo menos aparente, humildade, o que tem a Billie? O que a torna especial, sobretudo para aí no último ano e meio, mais ou menos?
Sim. A humildade, não sei se é propriamente humildade, mas eu acho que faz parte de uma certa juventude e sobretudo quando triunfa de uma forma muito forte, como aconteceu com a Billie Eilish, haver uma certa vergonha, quase, deste triunfo. É desconfortável, é difícil de explicar.
Ou então é uma timidez cool.
É uma timidez cool. E ao mesmo tempo, a Billie Eilish, e ela já falou disso várias vezes, diz que se inspirou muito num álbum em particular da Ariana Grande, o "Thank You, Next", para continuar a fazer música. A Billie Eilish é uma miúda, e eu digo miúda porque ela na verdade só tem 18 anos. É difícil lembrarmos disso quando ouvimos as canções dela, mesmo para quem não é propriamente fã de pop, como é o meu caso.
Isso é o que tu dizes aqui.
Sim, mas reconheço. Aliás, há pouco estava a escutar das primeiras canções dela, se não mesmo a primeira, que é escrita pelo irmão e que depois é gravada. Ela tem aí 14, 15 anos quando a faz. Aparece já numa outra encarnação. Mas foram só quatro ou cinco anos antes. E é uma ótima música.
Mas são quatro ou cinco anos que nesta idade fazem muita diferença.
Fazem toda a diferença. E é uma ótima canção. E de facto, se tu não te lembrares, se não souberes sequer que quem está por trás daquela voz é uma miúda, ela parece ter uma maturidade, de facto, muito superior, com uma história de vida enormíssima. Ela, entretanto, também acho que já passou por depressões, todo um processo de adolescência.
O que é sempre bom, dá muito jeito.
O que dá muito jeito.
Sempre faz lembrar aquela angústia que vendia muito nos anos 90, não é?
E vende sempre.
E continua a vender.
Vende sempre, é um ótimo patrimônio, é uma ótima matéria-prima. Ela tem uma coisa que pra já ninguém lhe tira, que é a primeira artista, e a mais jovem, a conseguir fazer o pleno daqueles quatro prêmios principais dos Grammy. Portanto, isso é absolutamente inquestionável. Podemos pensar se de facto merecia ou não, se alguém poderia ter ganho isto antes dela ou eventualmente depois, mas com outros atributos. Não sei, isto é uma questão de gosto também, é muito discutível. Agora, eu acho que ela tem uma imagem cultivada, que provavelmente também contribui para este sucesso. É que ela não é propriamente aquela figura, a princesinha da pop. Ela não é uma Ariana Grande.
Sim.
Ela é uma miúda que assume que preferiu escolher aquela-
Vai mesmo contra a corrente, não é?
Totalmente contra a corrente, o próprio ar meio andrógino, a forma como anda sempre com aquelas, é uma imagem altamente cultivada também, mas com roupa larga, que ela diz que sempre preferiu usar para que nunca fosse alvo de body shaming e nunca dissessem: "És gorda, és magra, ou és baixa, ou és alta". Enfim, as pessoas pudessem focar-se nas canções.
De uma certa forma, apesar de ser contra a corrente, também acaba por ser um produto daquilo que acontece hoje.
Totalmente deste tempo. Acho que ela sintetiza muito bem, talvez, um movimento, ou uma forma de estar, uma reação que nós podemos não nos identificar assim muito com ela ou criticar, mas acho que vem descentralizar esse aparente lar, essa bonomia que tinha a pop, que é sempre uma coisa muito mais delicO doce e com meninas bonitas e vestidas com um ar muito mais colorido e muito mais garrido. E ela, não sendo totalmente uma novidade, porque teve aqueles fenômenos tipo Lorde e Avril Lavigne. Mas sem querer, isto é uma coisa já muito bem pensada. O próprio visual dela é uma coisa altamente cuidada e sofisticada.
Sim, eu não sei até que ponto foi de propósito ou não, se foi estudado esse nível de detalhe ou não, mas parece que teve imensa pontaria encontrar-
O nicho dela
...que não estava ocupado.
Sim, talvez. Aquele mercado dela foi o que começou a trabalhar.
Bruno, eu estou muito curioso para saber como é que um prêmio Saramago vive estes fenômenos pop. Preciso que me expliques.
Em primeiro lugar, eu diria que ela cultiva um estilo requintadamente descuidado, muito pensado.
Too cool to care.
Sim, o "não estou nem aí, sou a rebelde". É a rebelde de serviço.
Sim.
Eu acho que o mundo da pop também precisa destas figuras, não só dessas figuras mais delicO doces, como aprendem depressa as Britney Spears, as Miley Cyrus, que percebem rapidamente que essa imagem aguenta ali dois, três anos e depois tem que ser reciclada e tem que ser apresentada com alguém mais radical. A diferença é que a Billie Eilish começa já assim com esse lado rebelde. Provavelmente, daqui a uns anos, enveredará por uma linha mais delicO doce.
Porque esta rebeldia Ou esta imagem, este estilo que ela cultiva. O pacote completo também há de ter um prazo de validade.
Tudo tem. E na pop costuma ser curto o prazo de validade, seja qual for a tendência. A primeira vez que eu ouvi falar da Billie Eilish foi no programa que o Miguel Esteves Cardoso tem na Antena 1 e fiquei de facto impressionado. Creio que até era essa, ou pelo menos era uma das canções escritas pelo irmão, e fiquei impressionado com a voz dela e com a maturidade.
Eles fazem aquilo tudo em parceria. Aquilo é uma dupla.
Ela é filha de músicos, começa muito cedo também a aparecer em concursos de talento.
Mas ele ajuda a escrever as canções, a produzir.
Se eu bem me lembro, ela começa por lançar uma canção no SoundCloud e aquilo depois é apanhado por uma editora.
Sim. Bruno, desculpa.
Sou um apreciador. Não sou muito velho, mas já não estou numa idade em que seja muito dado a idolatrias pop. E a música pop, sobretudo a música pop, é destinada, ou em grande medida, é destinada a pessoas que ainda têm essa capacidade de idolatrarem, têm esse músculo muito activo. Não é o caso de uma pessoa que chega aos 30 e tais ou 40, começa a perder essa capacidade de idolatrar. E ao mesmo tempo, isto para falar da juventude da Billie Eilish, normalmente a música pop também é feita por pessoas que ainda têm ou precisam de ter esse carisma, ou essa qualidade de serem idolatravel. Talvez o Pedro, que fez parte de um programa, ele diz sempre que é um programa televisivo, claro, um concurso televisivo, tenha essa percepção do que é preciso para ser um ídolo. E no caso da Billie Eilish, independentemente da idade e independentemente de ser mais ou menos pensada a imagem, eu acho que ela tem esse carisma, esse dom que a torna idolatrável e que provavelmente terá mais impacto junto do público a quem a música pop geralmente se destina.
E tem, apesar de não só.
Mas também é capaz de chegar, como eu estava a dizer, o Miguel Esteves Cardoso, isto foi há um ano e tal, o fenómeno ainda não tinha rebentado completamente. O Miguel Esteves Cardoso, que é alguém que também conhece muito de música, destacou-a, portanto também consegue ter esse alcance, consegue chegar a outras gerações. Já essas gerações que não são tão dadas a ídolos e são mais dadas à apreciação, quase que melómana e desinteressada da coisa.
Isto de contalhe é muito engraçado. É que ela é Billie Eilish Pirate. Portanto, sem usar este nome incrível.
Mas é Pirate?
Pirate.
De pirata?
Sim, de pirata.
E é o apelido dela?
É um dos nomes do meio. É uma pessoa que mesmo dispensando o nome incrível para artista pop.
Billie Pirate também não era mau.
Billie Pirate não era nada mau. Consegue ser engraçado.
Pedro, vamos imaginar que por um acaso do destino farias parte do júri de um concurso televisivo à procura de estrelas pop e aparecia a Billie Eilish. Votavas nela?
Sim, claro que sim. Eu fiz parte de uma coisa dessas, onde o Salvador Sobral foi eliminado pelo público. A nós cabia-nos escolher 10 finalistas, 10 ou 12 naquela altura, e o Salvador Sobral foi um dos que foi logo eliminado pelo público. E depois passado uns anos ganha a Eurovisão.
E foi o que foi.
Não, e obviamente nós fomos atacados nas redes sociais, pelo menos eu fui, por termos escolhido mal, por termos deitado fora o Salvador Sobral. Mas foi o público que o deitou fora. Mas percebia-se bem que o Salvador Sobral tinha qualquer coisa de especial, como depois na edição seguinte, se percebia bem que a Carolina Deslandes tinha qualquer coisa de especial, também não ganhou, também foi expulsa pelo público. Há coisas que os artistas, que nós chamamos carisma, magnetismo, telegenia, o que for, que os artistas demonstram, que complementa normalmente o seu talento, uma espécie de pathos, que é o que esta Billie Eilish parece ter. De facto, uma pessoa interessante, se nós formos distraídamente ouvir na telefonia do carro, se calhar achamos que é uma mulher de 26, 27 anos, já com o coração partido três ou quatro vezes, remendado com fita-cola de má qualidade, quando no fundo é uma miúda que nem sequer 20 anos tem, assexuada. Parece-me de sexualidade neutra. Não percebemos bem qual será a sua inclinação, se é que pode ser isso.
Agora já está. Vai ser atacada.
O que também faz com que ela não seja odiada como um Justin Bieber, que também era um miúdo com outro tipo de talentos, ou uma Miley Cyrus, uma miúda com outro tipo de talentos, muito mais sexualizados, tanto num caso como no outro, do que esta Billie Eilish, que é, e isto é interessante, homeschooled. Ela foi educada em casa, nunca foi à escola, acho eu, não sei. Eu fiquei contente, gosto francamente da música dela, talvez não a ponto de ir ao NOS Alive e ficar a olhar para o concerto, mas gosto francamente da música dela e sobretudo da forma como ela se exprime, como ela canta. Ela parece sempre chegar um bocadinho atrasada no início de cada tema. Os instrumentais são sempre um bocadinho prolongados. E ela tem uma espécie de ousadia Começa calmamente e um bocadinho atrasado e eu acho que isso dá uma dimensão ótima às canções. Gosto imenso dela, mas também gosto imenso do Post Malone ou do Mark Miller, que não são provavelmente para a minha idade.
Não digas isso.
Acho que é merecido. Eu não acho que os prémios tinham sido mal entregues. Acho francamente merecido.
O que eu te ia perguntar, na verdade, não era nada disto. Numa altura em que há estrelas pop um pouco por todo o lado e em que esse tal prazo de validade é cada vez mais curto, porque as coisas acontecem muito depressa, há muita informação, a verdade é que continua a ser possível ser uma estrela ou criar uma estrela, ainda que eu tenha dúvidas que algum dia volte a ser possível criar uma estrela da escala de um Michael Jackson, uma Madonna. Não sei se isso vai voltar a ser possível.
Temos que esperar. Temos que dar algumas décadas a isto tudo.
Sobretudo em relação à longevidade, não é?
É preciso ver que a ideia de música pop começou a mudar muito depressa quando a portabilidade da música foi inventada. Isto quer dizer que as pessoas ouviam música ao vivo e depois ouviam música em jukeboxes, em máquinas onde punham a moedinha, mas ouviam música em conjunto.
Ou ouviam um disco do princípio ao fim, eventualmente.
Sim.
Que loucura!
Mas as pessoas não iam ao jukebox ouvir uma música sozinha. A música era partilhada.
Sim.
Foi com a invenção dos giradiscos portáteis pela RCA, que contratou o Elvis Presley por causa disso, que depois começou a vender muitos singles, que as pessoas puderam ouvir música no seu quarto. E então a relação com a música passou a ser de coletiva para individual. E ainda hoje, nós, num concerto ao vivo, com milhares de pessoas à nossa volta, reagimos de uma determinada forma a uma música, mas quando estamos sozinhos a ouvir a música, o tipo de sentimentos pode ser até o contrário.
E tens a vantagem de poder estar no telemóvel.
Certo, deve ser uma vantagem. E para dizer que é difícil, nesta era das redes sociais, em que nós aparentemente sabemos tudo o que há para saber ou que precisamos de saber sobre. Sei lá, alguém que nos está a ouvir, ouve Billie Eilish e pode ir ao telefone e googlar logo.
E saber a vida toda dela.
Mais do que nós sabemos sobre ela. É difícil saber se daqui a 10, 20 anos a Billie Eilish ainda será uma estrela. Eu acredito que sim, se nada de grave lhe acontecer. Parece que ela não fuma, não toma drogas e não bebe.
Então está safe.
Vai viver 200 anos.
Por enquanto está safe.
Muito bem. Depois da Billie e das suas proezas, avançamos para as sugestões da semana com o post it. Bruno, tu tens andado a ver cheerleaders.
Cheerleaders, sim, uma coisa que eu nunca pensei ver na minha vida, é um documentário sobre cheerleading no Texas.
Um desporto bem mais exigente do que nós pensamos à primeira vista.
É, e aquilo que me fez ver o documentário foi uma crítica, uma opinião no Guardian sobre o documentário. Eu já tinha visto na Netflix o trailer. Eu disse: "Bem, isto não me interessa rigorosamente nada". Quer dizer, agora cheerleaders.
Também quero.
Não há aqui nada que um homem como eu.
Eu sou um animal literário.
Quer dizer, after when porn ends.
Exato.
Agora cheerleaders, não me apetecia muito. Mas li esse artigo no Guardian e fui ver o documentário. E é um documentário extraordinário, porque aquilo que podia ser sobre um outro desporto qualquer, está muito bem feito e para quem, como eu, não sabe nada sobre o que é o cheerleading nos Estados Unidos, é uma revelação, porque é um desporto muitíssimo exigente, como tudo, quase nos Estados Unidos, muito competitivo. E o grupo que foi acompanhado pelo documentário é de miúdos oriundos de outras zonas dos Estados Unidos, muitos deles com problemas familiares, também com questões difíceis a nível psicológico, de orientação sexual, e que encontram ali, naquele desporto, um refúgio.
E para alguns quase uma salvação, não é?
Para quase todos. Na verdade, eu diria para quase todos. Naquele caso desta pequena faculdade no Texas, em que há um lado de extrema competição, mas ao mesmo tempo um lado familiar e quase de acolhimento daqueles miúdos. Para mim foi uma revelação. Eu creio que é um pouco longo demais, acho que podia ser um bocadinho mais curto, podia ter menos se calhar um ou outro episódio.
Mas é a América.
Mas pronto, é tudo em grande. E recomendo a quem desconfiar de um documentário sobre este tema, recomendo que lhe deem uma oportunidade.
Pedro, tu tens estado a ouvir um podcast. O podcast foi bem secado, temos que falar mais sobre podcasts. Conte-nos.
Eu oiço bastante este podcast, não sei se já falei aqui dele, chama-se Gastropod. Gastro de gastronomia, pod de podcast, e é sobre curiosidades culinárias e sobre cooking. A palavra culinária em Portugal é mais pesada. Mas no caso, é um episódio sobre o McDonald's, e isto é feito por duas autoras brancas, portanto já vão perceber a importância desta menção, que têm sempre uma perspectiva liberal. Portanto, a chamada esquerda americana sobre as coisas. E neste caso, preparam-se para ir às goelas do McDonald's, como sabemos, é o demo, o demónio. E o podcast torna-se muito interessante, porque elas convidam uns autores uns livros sobre fast-food e sobre a relação entre os afro-americanos e McDonald's
E percebe-se que a empresa McDonald's é responsável, em grande medida, pela integração das comunidades afro-americanas negras. Nas restantes comunidades americanas, é o principal, e sempre foi, empregador de pessoas de raça negra. Promoveu ativamente campanhas de publicidade dirigidas a essa comunidade desde muito cedo, bolsas de basquetebol, promoveu jogos, patrocina atividades. Ou seja, a importância do McDonald's na integração de outras raças naquilo que é os Estados Unidos, é uma coisa assinalável. Eu fiquei espantadíssimo, fiquei a gostar ainda mais do McDonald's do que já gostava.
Só não vais lá comer.
Também vou lá comer de vez em quando. E a saudar o capitalismo, ou seja, como as empresas, apesar de visarem o lucro e serem, como sabemos, o demônio, podem ter uma influência que vai muito além do seu negócio linear, que é vender hambúrgueres ou batatas fritas, ou o que for. E as próprias autoras do podcast acabam por reconhecer isso mesmo no final, a importância do McDonald's e da fast food, em geral, no povoamento da América, na invenção dos subúrbios e na maior ascensão social por parte de indivíduos de outras raças.
Maria, muito rapidamente. "Bombshell".
Para fechar, sim, ou "O Escândalo", em português. Eu fui ver o filme. Acho que tem aqui um problema um pouco semelhante, talvez, ao dos dois papas, e penso que o Bruno falou disso, salvo erro, há uma semana ou há duas semanas. As interpretações são muito boas. Elas também dispensam apresentações, a Charlize Theron, a Nicole Kidman e a Margot Robbie. Só para enquadrar aquele caso de escândalo sexual, que envolve a Fox News e um dos seus manda-chuvas, um caso verídico. Tudo isso muito certo. O problema é a visão muito maniqueísta com que a história é contada.
É o bem contra o mal de forma demasiado simplista.
Sim, de repente, parece que os predadores sexuais são todos republicanos, pessoas possuídas pelo demônio. Há ali uma caricatura, talvez excessivamente vincada, por um lado, da forma de funcionamento da Fox, que eu não ponho em causa que tenha ali muito de verosímil. Mas de repente, parece que nos esquecemos que figuras como Harvey Weinstein, também outros proscritos, quão próximos eram, por exemplo, dos democratas e de Barack Obama. E parece que o bem e o mal, não há aqui uma série de gradações cinzentas pro meio. E de fato, há ali um lado um pouco perigoso quando fazemos aquela análise. Sendo isso, é um objeto interessante de lazer, não é um mau filme, mas é preciso ver talvez com esse sentido um bocadinho mais de crítico.
Muito bem. Fazemos agora um curto intervalo e voltamos já a seguir. Estamos de volta para a segunda parte do "Pop-Up" e vamos já sem grandes explicações para o pop de arroz. No último fim de semana, se calhar algumas pessoas não se aperceberam disso, mas houve congresso do CDS. E daqui a pouco mais de uma semana, haverá congresso do PSD. E a questão que aqui trazemos é, ainda que isto não pareça muito óbvio. Bruno, vamos começar por ti.
Bora lá.
Os congressos dos nossos partidos, ilustres partidos, não podiam ser coisas mais pop, não podiam ser mais interessantes?
Eu acho que são muito interessantes.
Achas?
Acho que sim. Eu, por acaso, neste do CDS, tive muita pena de não acompanhar em direto.
Não fazeres um live blog.
Porque havia promessa de insultos e de pessoas a agredirem-se, que depois não se concretizou, infelizmente, o que seria ótimo do ponto de vista do espetáculo televisivo. Mas eu gosto muito de acompanhar os congressos, sobretudo os do PSD. Os do PSD acho que são assim os congressos mais, deixe-me pensar aqui numa palavra, renascentistas, no sentido de gente a envenenar-se e a apunhalar-se. São muito interessantes desse ponto de vista. E depois há sempre umas figuras que aproveitam aquele momento, os seus não serão 15 minutos, mas cinco minutos de fama para falar aos congressistas e ao país. E que é divertido, porque mostra uma realidade dos partidos à qual nós não estamos habituados, porque o que nós vemos dos partidos? Vemos as figuras nacionais e depois um ou outro autarca mais exótico, mas as bases do partido, muitas vezes, ou na maior parte das vezes, passam completamente ao lado do eleitor comum. E é também um momento dos partidos mostrarem essa fauna ao país. Eu acho que são excelentes espetáculos televisivos, ainda mais se forem mais quentes, se houver mais rivalidade, se houver mais incerteza no desfecho. Aqueles que são basicamente para coroar um candidato não têm grande interesse, mas quando há uma disputa acesa pela liderança, tornam-se mini telenovela.
Mas se calhar para isso acontecer, mais dessa forma, como você está a dizer, se calhar precisávamos de mais figuras, caras e atitudes que puxassem esse lado.
Pois é, mas isso aí depende do campo de recrutamento dos partidos. Eles podem contratar uma empresa de casting para arranjar.
Representações.
Vamos lá ver qual é que é o tipo. Podem fazer uma pré-seleção. Vão falar aqueles tipos que tiverem mais piada. Mas eu acho que, até regra geral, há figuras muito curiosas nos partidos e que não são estas figuras mais conhecidas O que, se calhar, em televisão não resultará tão bem se não houver logo um reconhecimento imediato. Não vai estar ali a ver o tipo da distrital de Bragança ou de Aveiro. Essa falta de convívio, de reconhecimento do espectador pode dificultar essa relação. Mas se nós tivermos um pouquinho de paciência e ficarmos a ver aquilo, eu acho que encontramos umas pérolas muito interessantes.
Passando aqui para a Maria, quando eu falava de um lado mais pop, obviamente que é fácil e é um bocado imediato fazermos a comparação com eventos políticos e partidários que acontecem, por exemplo, nos Estados Unidos.
Parece um Coachella da política.
Festivais de verão, mas da política. Obviamente que a escala não é a mesma, mas até que ponto não seria uma boa forma de aproximar mais as pessoas, que nada têm a ver com algum partido em específico, da vida política e da vida partidária?
Eu não sei como é que o formato pode ser muito diferente, até pela nossa dimensão. Eu acho que começas por ter um problema, provavelmente, de organização de congressos como este, porque há naturalmente um problema de organização de eventos neste país. Portanto, não é de estranhar que, por exemplo, alguns colegas que tenham estado lá a trabalhar se tenham queixado do frio. Isto são questões que parecem básicas, mas que fazem a diferença, incluindo num formato de festival de verão, com bebidas e com chaneis, levando isso ao extremo. Começando nessa unidade mínima, até depois ao conteúdo, aos protagonistas, sendo que eu acho que o Bruno fala e com razão, apesar de tudo, acho que nos últimos tempos houve um ganho em termos de personagens, de protagonistas um bocadinho mais interessantes, se quiseres, pela positiva ou pela negativa, mas que de facto vieram trazer aqui um interesse redobrado.
Interessantes mesmo que duvidosas.
Sim, porque no fundo, repara, os congressos não fazem necessariamente muito pelas instituições democráticas. Nem pelo seu interesse natural, muito menos pelo seu prestígio. Isso não é uma causa-efeito natural. Agora, é natural que haja um interesse redobrado quando tu tens figuras, sejam mais de proa ou mais distanciadas, que conseguem captar a atenção. É evidente e tu depois vais ver, por exemplo, o vídeo que o Observador faz passando publicidade com os melhores momentos, aqueles fait divers ou mais caricatos.
Assume a publicidade a corpo inteiro.
Assumindo totalmente a publicidade, porque é de facto um vídeo muito bem feito e reflete. Aquelas tantas, seja no CDS ou em qualquer outro partido, tens sempre aquele momento um pouco levanta-te e ri, que é uma espécie de momento stand up, umas vezes mais bem conseguido, outras vezes nem tanto. E portanto, tu nunca sabes se o espectador está em casa a seguir eventualmente porque está muito interessado nas propostas políticas, se calhar não tanto.
Está interessado no espetáculo.
Está interessado no espetáculo. Está interessado na forma, está interessado no caricato, no fait divers, no caso do caso.
Desculpa só dizer isto. Estavas a dizer que concordo que não fará muito pelo prestígio.
Pode não fazer ou pode fazer, atenção, não é necessário que faça.
Mas eu acho que tem algum efeito, tem algumas vantagens na cultura democrática.
Aí sim, claro.
Essa abertura, tu veres um partido a discutir o rumo que vai seguir, a discutir de uma forma aberta, que todas as pessoas, todos os potenciais eleitores daquele partido podem testemunhar, eu acho que isso tem um efeito positivo.
Sim, aquilo tem ali um lado de marriage story ao vivo e a cores. Em que tu de repente parece que estás no quarto de um casal, mas com uma relação com muitas pessoas, e assistes àquele lado que habitualmente não assistes.
Se nós pensarmos, eles têm razão quando dizem: "Este não é o meu adversário, vocês não são os meus adversários, o meu adversário é o António Costa". Mas na verdade, tem que haver ali um empolar das diferenças internas para que aquilo também faça algum sentido.
Pedro, falando de espetáculo televisivo, é um bom produto televisivo com congresso político? Em Portugal fazemos o possível? Podíamos fazer melhor? Resulta bem? Diz-me tudo.
Nós estamos já numa dinâmica, já há uns anos, em que os canais de notícias competem uns com os outros e, portanto, esmeram-se para tentar ter a cobertura que seja premiada com mais audiência. Nós conseguimos perceber se as coisas são importantes ou não em Portugal através do "Correia da Manhã" TV, ou seja, se o "Correia da Manhã" TV dedica muito tempo a um determinado evento, então esse evento deve ser mesmo importante, se dedica menos, então talvez seja uma coisa de jornalistas com políticos. Porque um dos problemas em Portugal, e é um problema que prevalece e que permanece, é a excessiva proximidade entre os jornalistas e os gabinetes e os políticos. E eles todos falam muitas vezes em circuíto fechado. Achei graça aqui neste congresso do CDS, ganhou o não favorito dos jornalistas. No fundo, o favorito dos jornalistas era o João Almeida, porque era apoiado pela malta amiga dos jornalistas, como o Adolfo Mesquita Nunes, e os jornalistas ficaram um bocado irritados porque não ganhou o cavalo deles, ganhou outro. E é um bocado estranho os militantes do CDS não terem pedido autorização aos jornalistas e ao comentariado para escolherem quem queriam. Escolheram o Francisco Rodrigues dos Santos. Estranho, terem escolhido alguém que queriam e não o que os jornalistas queriam.
Vai ser odiado.
Mas eu acho que do ponto de vista mediático, o Francisco Rodrigues dos Santos é muito mais interessante do que o João Almeida.
Eu acho que nós temos que ter muito mais humildade democrática, que é uma coisa que falta em Portugal e falta muito ao nosso jornalismo e ao nosso comentariado Ser membro de um partido político, e eu não sou membro de partido político nenhum, é um ato de coragem, porque tu ficas automaticamente rotulado. "Olha, aquele é laranjinha" ou "aquele é comunista", ou do Bloco, ou do Livre, ou do que for. E de facto, um tipo perder o fim de semana para ir para um congresso, para votar em coisas e despender o seu tempo. Os partidos são absolutamente fundamentais e decisivos nas democracias, por mais que às vezes gozemos com eles ou brinquemos com eles, e isso acontece muito em Portugal. E eu acho que é de louvar que aquelas pessoas, como as pessoas do Livre no fim de semana anterior ou pessoas do PSD na semana que vem, dediquem o seu tempo a participar na construção da democracia e a lutar por aquilo que acreditam. Acho que nesse sentido temos que saudar e temos que ter a humildade democrática de saudar os congressos dos partidos. Depois, claro que com este candidato que tem posições mais coloridas, digamos assim, se torna um isco fácil para os tubarões do jornalismo e do comentariado, que, e isto é um comentário meu, as pessoas dos partidos têm que lutar para ser eleitas, portanto, têm que fazer promessas para ter votos, mas nós temos os mesmos comentadores há décadas, sempre a perorar sobre as coisas e não se percebe bem porque uns têm que ser eleitos, obviamente os do partido, mas depois as pessoas que comentam não têm que ser eleitas, portanto, é como se fossem superiores, como se fossem uma espécie de casta que supervisiona a democracia e não tanto fazer aquilo que deviam fazer, que era comentar.
Depois deste pequeno momento de hemiciclo no "PopUp", vamos seguir em frente com um Isso é que Era Bom especial. Vamos a isso. Isto porque no domingo, dia 26, Kobe Bryant, antigo jogador da NBA e uma das suas filhas, a Gianna, de 13 anos, morreram quando o helicóptero onde se seguiam se despenhou. Kobe tinha 41 anos, é considerado um dos melhores jogadores da história da NBA e a sua morte revelou, para quem se calhar ainda não se tinha percebido disso, como uma enorme e indiscutível figura pop. Bruno, julgo que no dia a seguir à morte do Kobe Bryant, houve alguma discussão em volta da cobertura jornalística da morte do jogador, nomeadamente em relação às capas dos jornais desportivos portugueses, que não terão dado o destaque que vimos em muitos títulos da imprensa especializada estrangeira. Derivado disto, o que é que tens a dizer?
Acho piada à indignação.
A tudo no geral, não é?
A tudo no geral, e em particular, porque a maior parte das pessoas que mostrou grande indignação com os jornais desportivos portugueses não os deve comprar. Duvido que alguma nos últimos 10 anos tenha comprado A Bola, o Record ou O Jogo. Eu compro regularmente os jornais desportivos.
E os outros.
E os outros também. Mas compro com muita regularidade os jornais desportivos e conhecendo um pouco do nosso panorama desportivo e também da forma como é tratado pelo nosso jornalismo, eu acho que é perfeitamente compreensível que depois de uma vitória do Benfica, no dia a seguir a uma vitória do Benfica, que deve ser o melhor dia de vendas para os jornais desportivos portugueses, provavelmente também depois de uma vitória do Sporting acontecerá algo parecido, eu acho perfeitamente compreensível não darem destaque a um grande jogador, uma lenda de uma modalidade que não tem praticamente impacto nenhum em Portugal. A verdade é esta. A comparação que se fez é muito bem conseguida, porque tem piada pôr as capas do L'Équipe, da Marca e do As, e depois pôr A Bola com o Rafa e essas coisas. Tem piada e por esse lado não critico. Mas a cultura desportiva desses países e a ligação desses países ao basquete, a Espanha é uma potência da modalidade, e a ligação desses países a uma figura como o Kobe Bryant não tem qualquer comparação com aquilo que se passa em Portugal. Os portugueses, à exceção de um nicho que haverá de fãs da modalidade e de fãs da NBA, não sabem quem é o Kobe Bryant ou têm uma vaga noção ou nunca acompanharam a carreira do Kobe Bryant, não sabem quantos títulos ele ganhou, se calhar agora ficaram a saber. Mas eu acho perfeitamente compreensível, admissível essa opção dos jornais desportivos e vejo mais como um sintoma do que propriamente a causa da nossa falta de cultura desportiva. A verdade é que a nossa cultura desportiva é fraca. É uma cultura mais clubística do que desportiva. E os jornais, que também fazem parte desse ecossistema e também em parte são responsáveis por ele, refletem essa falta de interesse por outras realidades, outras modalidades. Eu lembro-me quando morreu o Ayrton Senna, vai fazer 26 anos, houve um grande destaque, porque para além das qualidades desportivas do Ayrton Senna, havia uma relação de proximidade com Portugal, de afinidade. E compreende-se o destaque. Foi uma tragédia, ainda por cima morreu em competição. É uma questão completamente diferente. Neste caso, de facto, eu percebo que os jornais tenham tido aquela opção, ainda que tenham desperdiçado uma excelente oportunidade para fazer capas extraordinárias.
Pedro, ainda assim, fiquei a pensar se isto não é mais um reflexo de que já não existe o gatekeeping que existia se calhar há uns anos, em que os média podiam Geravam opinião e tinham mais peso nessa opinião. E hoje em dia estamos mais por nossa conta e podemos nós sozinhos construir essa opinião e de quem gostamos ou deixamos de gostar sem ter necessidade desse gatekeeping. Pelo menos fiquei com essa impressão.
Por acaso acho que é o exato oposto.
Ainda bem.
Na medida em que a indignação, eu concordo com tudo o que o Bruno disse, já agora, a indignação teve a ver precisamente com isso. Precisamente com isso que eu estou a dizer e o contrário do que estás a dizer. Ou seja, dá a ideia que como os media não deram a importância que eu, Indignadinho da Silva, achava que deviam dar, dá a ideia que o acontecimento não foi devidamente celebrado ou devidamente anotado na cronologia.
O que eu diria é que se calhar, se fosse há uns anos, nem sequer essa indignação existia.
Não existia porque não havia redes sociais, se calhar.
Claro.
Os diretores dos jornais desportivos têm um drama terrível em mãos, porque eles têm que vender jornais, como é evidente, todos os dias. Têm que fazer jornalismo ou pelo menos tentar fazer jornalismo todos os dias. E nós sabemos que o adepto é muito volúvel e, portanto, se calhar se o Benfica ganha, não compra o jornal porque está irritado e se calhar se o Benfica ganha, compra mais o jornal se as fotografias forem mais assim ou mais assado do que se forem apenas ilustrativas. Eu diria que a morte do Kobe Bryant teve aquele efeito das mortes que não são esperadas. Obviamente, nenhuma morte é esperada.
Mas aos 41 anos é diferente.
Faziam uma lista de 100 pessoas que podem morrer em 2020. Eu nunca teria posto o nome do Kobe Bryant. Um tipo acha que pessoas daquelas têm acesso a todos os médicos, portanto, se ele estivesse doente, ou que não têm acidentes, porque têm sempre carros ótimos, que têm 40 airbags. A mim os acidentes de helicóptero fazem imensa impressão, porque o que se vê nos filmes dá a ideia de ser um aparelho mais facilmente manuseável. Se não tem visibilidade, desce ou sobe.
É uma boa questão.
E, de facto, morreram todos. Parece que o Kobe Bryant foi reconhecido pelas impressões digitais, portanto, imaginemos como é que não terá ficado o corpo.
Naturalmente.
Não devia haver pessoas com aquela compleição física.
Exato.
Uma coisa horrível, fez-me bastante impressão. À medida que vou envelhecendo, a morte faz-me menos impressão. O Kobe Bryant nasceu depois de eu ter nascido e morreu antes de eu ter morrido. E são vidas que se perdem. Ele, de facto, tinha um ar que era boa pessoa. Não sei se isto é possível dizer desta forma. Mas acho que muita gente, e em Portugal isso acontece muito, nós precisamos que os outros lutem por nós, ou a indignação por nós, ou fiquem chocados por nós. Eu estou chocado com o Kobe Bryant, então o tipo do "Record" tem que fazer uma capa, que é para eu amanhã dizer: "Muito bem". Mas compras o jornal? "Não, isso não compro". Mas se mais pessoas comprassem jornais, os nossos media mais dinheiro teriam e mais liberdade teriam para fazer capas desse tipo.
Maria, só para terminar, uma outra questão que podemos partir do particular para o geral, a partir do Kobe Bryant, que é a questão dos obituários e como é que recordamos as pessoas e como é que as elogiamos quando morrem, que tem a ver com a história do caso da alegada violação do Kobe Bryant sobre uma empregada de um hotel.
Em 2003.
Em 2003. A jornalista do Washington Post que fez um tweet sobre isso logo na altura e foi suspensa.
Acho que entretanto já foi readmitida.
Vários outros textos que foram aparecendo e que foram lembrando que não devemos lembrar as pessoas só porque são humanas e obviamente têm coisas más.
Há um artigo interessante nesse sentido, de um jornalista da NBC, que fala precisamente isso. Por um lado, a criticar a suspensão absurda da jornalista, porque apesar do péssimo timing e do eventual mau-gosto que é, há uma tendência natural, que nós sabemos, para uma certa hagiografia quando as pessoas morrem. Mas são pouco mais complexas do que isso, todas as pessoas, e não é preciso terem casos de supostas violações ou de abuso por meio. A história é sempre um pouco mais complexa do que isso. E no caso particular do Kobe Bryant era bastante mais complexo. Se pensarmos, por exemplo, o seu próprio treinador durante vários anos, o Phil Jackson.
Sem retirar aqui, atenção.
Qualquer mérito, era um atleta incrível.
Todo o mérito que tem. No desporto e não só, não é só isso não.
Mas o seu próprio treinador durante vários anos nos Lakers, o Phil Jackson, num livro sobre o Kobe Bryant, conta como ele era um personagem particularmente arrogante no balneário, com excesso de autoindulgência, e ele chegou mesmo a dizer que ele era uncoachable, era um tipo intreinável, digamos assim, numa tradução muito livre. Não era propriamente um santo e chegou a ser multado pela NBA por comentários homofóbicos. Há ali uma série de episódios à margem do basquetebol, mas que fazem parte, também compõem um pouco o seu percurso. E este artigo da NBC lembra precisamente isso, que por mais que se queira ou não queira, há um antes e um depois na vida e no percurso profissional do Kobe Bryant depois deste caso do escândalo. Mais que não seja por razões práticas, porque ele não foi aos Jogos Olímpicos depois em 2004, foi afastado da equipa, porque há uma série de patrocinadores que se afastam, porque há uma reputação que de alguma maneira é posta em causa e porque há todo um processo de reabilitação da imagem dele, que é muito construído sobre a imagem da mulher, a Vanessa. E portanto, as coisas para o bem e para o mal não ficaram iguais. O talento dele não vai ser nunca beliscado, mas eu, pessoalmente, do ponto de vista do leitor, gosto de conhecer a história da forma mais rica possível, com todas as suas virtudes e com todos os seus defeitos. Ele também os tinha, era humano como nós.
Naturalmente.
Mas a manchete certa seria: "Morreu Kobe Bryant, violador".
Se calhar não. Vá lá, Bruno, se calhar não.
Não?
Chegamos ao fim de mais um "Pop Up". Voltamos na próxima semana, em contagem decrescente para os Oscars. Até lá.