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A forma como é usada a palavra boomer pelos medios hoje em dia não tem nada a ver. Boomers para eles são velhos.
São velhos.
Os baby boomers foi a geração do pós-guerra.
Até nós já podemos ser velhos, não é?
Nós já somos boomers, de acordo com algumas crianças.
O que tecnicamente é errado, fica o aviso.
Acho que não é podemos, acho que é seguramente.
Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o programa de cultura pop da Rádio Observador, que é para todas as gerações, ainda que seja feito por gente com algumas inclinações etárias. Maria Ramos Silva, Pedro Bucher Mendes e no lugar do Bruno Vieira Amaral, que está ausente em digressione latina, acho que podemos dizer, temos conosco a Joana Siccaini Vilela, também ela bastante latina. Olá, Joana.
Olá.
Obrigado por teres regressado.
Obrigada eu.
E por continuares a insistir. Esta semana, estas jovens almas velhas estão juntas, imaginem, para falar sobre a geração X. E por que a geração X? Porque há poucos dias, nós pedimos esta pergunta emprestada. A New York Times lançava a questão numa série de artigos muito recomendáveis. Deixo aqui a sugestão. A pergunta era se a geração X é a melhor de todas. Talvez seja uma pergunta um pouco umbiguista e talvez até seja umbiguista da nossa parte trazermos aqui a questão, mas pareceu muito pertinente, talvez polémico, quem sabe, dramático. Joana Siccaini Vilela, um primeiro à parte: quando decidimos este tema, curiosamente, estávamos todos, cada um na sua vida, já atentos a estes artigos e já conscientes que eles estavam publicados, porque há aqui uma certa sintonia mística. E isso é bonito. E tu eras uma delas, Joana, que estava atenta a isto. E eu começo por ti. Duas perguntas numa só, se calhar. É uma curiosidade que eu tenho: se esta questão das gerações X, Y, Z, alfa, supostamente agora vai começar outra, a partir de 2026, acho eu. Se achas que fazem sentido, se há mesmo diferenças. Obviamente que a história vai tendo diferenças, e as pessoas vão se adaptando às transformações. Mas, por exemplo, o nome da geração vem de um livro de Douglas Coupland, que se chama precisamente "Generação X".
Que eu tenho aqui, até.
Cá está. E dizia ele que os princípios da geração X eram uma espécie de recusa e revolta contra o status, o dinheiro, a ascensão social. Isto desapareceu? Mudou? De facto, há muitas transformações de geração para geração ou somos nós que gostamos de pôr rótulos nas coisas? Ou são as duas coisas, se calhar?
Bom, por partes. É uma pergunta de resposta longa, que eu vou tentar resumir ou sintetizar.
E bem.
Se faz sentido termos nomes ou termos gerações diferentes. Acho que sim, nós precisamos de ordem na nossa vida.
Precisamos de orientação.
Isto já vem de outra geração, da geração da antiguidade clássica, do Aristóteles, que dizia que a gente precisava de ordem, que era um valor daqueles que são importantes. Agora, tal como todas as categorizações, é limitado. Tal como uma generalização é sempre limitada. Inclusivamente, nesta geração X, eu depois estive a ler o artigo com mais atenção, tinha partilhado, tinha trocado com amigos, e mesmo no artigo eles dizem: há quem diga que a geração começa, 1971, 1980.
Supostamente é-
1965 a 1980.
1965 a 1980.
Depois há uns que dizem que é 1961 a 1982.
1982.
Ou 1982.
Algumas pessoas hoje já teriam 70 anos, não é? Por aí.
Sim.
Poderiam ter, é.
E é muito tempo. As coisas mudam muito e mudam cada vez mais depressa. Eu, de acordo com estas categorias todas, faria parte, mas sempre na reta final. Eu nasci em 1980 e eu percebo os valores desta geração, mas eu nunca me senti parte dela.
Mas também estavas ali no limbo, não é?
Porque estava no limite. Agora, eu fui espetadora disso tudo. E aliás, ao ler o artigo, eu de repente olhei para aquela lista de filmes, de discos, de livros, e eu pensei: "Aliás, tenho aqui o 'Generação X', o 'Menos que Zero'."
Já vamos fazer uma listinha também.
De repente aparecem os álbuns. Eu pensei: "Tenho este, tenho este, comprei este na altura". E eu não tinha noção disso. Agora, eu sempre fui espetadora. Ou seja, para mim, aquilo que eu recebi da geração X foi uma versão idealizada, já enquanto produto da cultura popular. Até porque estas coisas todas que eu referi, estes produtos culturais que eu referi, não são portugueses, portanto já vêm mediatizados, sobretudo através da televisão, na altura. Sobre as gerações e as diferenças. Quer dizer, esta coisa de as gerações não nascem do nada, elas são diferentes, mas apesar de serem, se nós quisermos, uma criação ou uma segmentação feita pela cultura pop, elas vêm de fatores políticos, econômicos.
Tecnológicos.
Tecnológicos, cada vez mais.
Sociais, claro.
Portanto, fala-se muito dos boomers hoje em dia. O que foram os boomers? A forma como é usada a palavra boomer pelos medios hoje em dia não tem nada a ver. Boomers para eles são velhos.
São velhos.
Os baby boomers foi a geração do pós-guerra.
Até nós já podemos ser velhos, não é?
Nós já somos boomers, de acordo com algumas crianças.
O que tecnicamente é errado, fica o aviso.
Acho que não é podemos, acho que é seguramente. Não quero destruir os ouvintes.
Mas tens os boomers no pós-guerra, que era uma época de grande afluência. Depois tens os hippies, tens os yuppies, aí sim, geração X, que cruza um bocadinho, um bocadinho paralelo.
Estava a evitar a palavra gap, há um espaço.
Uma falha.
Uma falha.
Um intervalo.
Tectônica, na qual eu pessoalmente acho que nós nos incluímos mais, que nem tinha nome, porque depois vinham os millennials, e eles geram um nome que foi os zennials, são os que estão entre. E o que faz a grande diferença, se antes era guerra, eram as questões econômicas. A isto tudo junta-se, a partir de dada altura, a tecnologia. E hoje em dia, o que a tecnologia se tornou? É poder. Portanto, quando tu perguntas: revolta, esta geração X que o Douglas Coupland falava, de uma revolta contra o status quo. A geração X teve uma coisa que foi muito boa para ela, que foi: beneficiaram de um contexto económico, pelo menos em Portugal, noutros países não tanto, mas de um contexto de crescimento económico, mas em que os valores, a ideologia estava a retrair-se. Em termos de partidos políticos, porque nós estávamos a sair de uma revolução em que os partidos eram forças muito definidas e que se foram indefinindo e passou-se uma série de crises. Portanto, beneficiam de um contexto económico razoavelmente melhor do que nos anos anteriores e depois revoltam-se contra o capitalismo, embora beneficiem dele. E depois, em Portugal, temos uma série de crises. Se nós quisermos, para mim faria mais sentido pensar em geração X enquanto cultura pop, enquanto produtos que saíram nos anos 90. Portanto, as coisas dos anos 90, coisas da geração X. E por revolta, estamos a falar que-- estou a estender um bocadinho, vou já acabar. Podemos falar, por exemplo, da cultura de dança, de música dança. Era uma revolta contra a política, na raiz, na origem, em Inglaterra, era contra o governo da Margaret Thatcher.
Claro que sim.
Quando chega cá já é uma coisa de estamos fartos de política, nós queremos é-
Queremos mudar, queremos fazer diferente.
Queremos fazer diferente, queremos evasão. A coisa de ser somos únicos, de haver esta coisa desta unicidade, tens o nosso único. Tens grupos a dizer isso, tens os Xutos, tens os Resistência e tens por aí fora. E depois mesmo filmes, sei lá, como o "Trainspotting" fala de drogas, porque ao mesmo tempo havia questões, nós estamos a embelezar isto tudo, mas é uma década marcada pela SIDA, pela epidemia das drogas, da heroína, sobretudo, o racismo. E se calhar a grande diferença em relação a hoje e às gerações anteriores, é que era uma geração que se movia por causas. Ou seja, em Portugal tu tens um slogan, que eu acho que é um slogan marcante dos anos 90 e simbólico dos anos 90, que é o todos diferentes, todos iguais, e que surge depois de um acontecimento trágico, que é o assassinato do Alcino Monteiro, por um grupo de neonazis, e que era uma luta contra o racismo. E não havia diferenças, não havia pessoas de direita, de esquerda, não havia brancos, pretos, homens, mulheres, era toda a gente por um valor. Hoje em dia, a questão identitária, eu sou diferente de ti, tornou-se um valor em si próprio. Mas em relação à revolta, se nós quisermos, sim, todas as gerações, todos os filhos vão revoltar contra os pais. É estranho se isso não acontecer.
Deixa-me só passar aqui o microfone para a Maria Ramos Silva, para tentar perceber uma coisa que é: até que ponto existirá algum fascínio sobre a geração X de forma especial ou somos nós que se calhar estamos mais próximos ou eventualmente pertencemos e que gostamos?
E somos nós que ainda estamos a liderar a narrativa, provavelmente. A questão é essa. Mas está a terminar.
Claro, isso pode ser importante. Por outro lado, é a última geração a crescer sem internet, portanto, há um lado exótico nisto, não é?
Sim, aliás, o João é de 80, eu sou de 82, portanto, ainda estou mais no limbo. De certa forma, já sou mais millennial, mas ainda estou sempre a olhar pelo retrovisor.
Tu és por dentro, Maria, não me enganes.
100 anos para trás. Pronto, é mais isso. Na verdade, eu acho que nós, olha o que o João dizia, nós apesar de não termos estado ali no olho do furacão, ainda somos muito espectadores de uma série de décadas que não tendo vivido, tiveram uma influência decisiva na nossa vida, até porque nós passamos, nós não diretamente, mas o país passou por uma ditadura longa e, portanto, também as coisas foram chegando cá, se calhar, com esse conta-gotas que nos permitiu, de alguma forma, ainda sentir que de certa maneira ainda estávamos nos anos 70 ou 60 ou mesmo 50, sei lá. Bom, eu não acho, no entanto, que em geral o século XX esteja muito interessante quando comparado com outras eras. E estou a pensar particularmente no caso da cultura pop. Por quê? E mais uma vez, nós temos sempre a ideia que a nossa geração é a mais interessante e mais-
E nunca ninguém nos vai enganar
...mais ambiciosa, mais fraturante. E, na verdade, não é preciso chegar a Aristóteles, mas o próprio Gutenberg no século XV, quando inventa uma coisa chamada imprensa, eu acho que do ponto de vista de poder tecnológico, muda decisivamente a cultura de consumo de massas e, de alguma forma, a cultura pop como nós viemos a conhecer séculos mais tarde. Se quiseres essa ideia de sementes como a difusão dos jornais, o celebritismo, a própria imprensa mais massificada, os novos géneros, quer dizer, há ali uma série de coisas que são absolutamente mais estrondosas, creio eu, do que alguma coisa que nós possamos ter feito a esse nível
Até do ponto de vista tecnológico. Nós hoje falamos da inteligência artificial como se fosse a última Coca-Cola do deserto e eu não sei se, provavelmente, nesta altura, se este impacto não foi bastante mais imponente. O próprio século XIX eu acho até mais interessante em muitas coisas.
Estás a ver alma velha. Aqui está.
É verdade. Mas acho mesmo.
É muito meloso.
Não, já lei, essa é a única parte que eu não gosto é das doenças. Mas tudo o resto.
É chato, não é?
Mas tudo o resto. Quando eu digo mais interessante é porque há muita coisa que nós imaginamos hoje como nossa.
Especialmente se fosse uma criada.
Sim. Mas hoje também há criadas, Pedro, se calhar com um contexto diferente.
Mas há menos de 20.
Eu estou a pensar na idade que me deu no rap do Spotify, que me deu 70 anos.
A mim deu-me 72.
Isto para dizer o quê? Que eu acho que nós às vezes não somos assim tão diferentes daqueles que nos antecederam. A própria cultura do influencing, o teatro, a fotografia, o impacto que uma série de inovações, mais uma vez, tecnológicas, culturais teve, acaba por chegar até nós depois com alterações, de facto, em termos de meio, mas a semente está lá.
Exatamente.
O Lord Byron é o quê? Um influencer do seu tempo, sei lá, seria o nosso José Condessa, uma coisa do género.
Olha.
Não estava à espera.
Pode ser arriscadíssimo, mas estou a adorar.
Nós é que achamos sempre que somos moderníssimos e que temos uma geração absolutamente brilhante e marcante, mas é só porque temos a caneta na mão.
Por falar em moderno, o Pedro Bucher Mendes é esse sim.
Sou mais moderna.
E é o mais X de todos os que está aqui. E antes de irmos para intervalo, duas coisas juntas.
É o verdadeiro X.
É por sangue, exato.
Da geração X.
É uma incógnita verdadeira.
Da cultura pop da geração X, foi o Brett Easton Ellis, o escritor. E neste artigo ele diz que uma das marcas óbvias da geração X era a reduzidíssima supervisão parental. Os garotos faziam aquilo que queriam, sempre que podiam. Além disso, Pedro, tu acrescentavas que havia mais vida exterior porque havia muito menos para fazer em casa. Estas duas coisas parecem fazer sentido.
Sim, a geração X, da qual eu faço parte e vocês também.
Orgulhosamente.
Será a primeira geração a ter filhos porque quer, porque quer construir qualquer coisa. Antigamente os filhos eram uma consequência da conjugalidade.
Uma obrigação.
Juntavam-se e depois faziam coisas à noite ou de dia e depois apareciam crianças. A relação das pessoas com as crianças era uma relação mais desprendida na medida em que os miúdos morriam na infância e não havia este drama, e ainda bem que há, claro, em relação aos menores e às crianças. Como às vezes dizemos por piada, nessa altura não havia pedófilos.
Exato.
Os pedófilos são uma invenção posterior. Tanto assim é que só a partir do caso Casa Pia é que o nosso Código Penal passa a prever esses crimes. Não sei se se lembram dessa parte. Não havia moldura penal porque quem legislou não...
Não fazia falta.
Não havia perigo. A questão não era colocada.
Embora obviamente que existiam. Os gerações X portugueses, e esta coisa da geração X é uma designação que vem a seguir, com o livro do Douglas Copeland, é a primeira geração que vai para a escola em democracia, é a primeira geração sem império colonial, sem aquela matriz cultural, e é uma geração que convive mais com pessoas de outras classes sociais. Portugal é uma sociedade, na minha opinião, pelo menos, extremamente classista ainda, mas agora imagine-se há 50 anos. Em que as famílias de bem tinham literalmente criadas, que vinham da terra. Uma das coisas que acontece às pessoas nos anos 80 e 90, por exemplo, é que são obrigados a ter criadas, empregadas cabo-verdianas. Já não havia raparigas portuguesas que vinham do campo.
Para desempenhar essas tarefas.
Portanto, à geração X tem muito que se lhe diga. E essa coisa de brincar no exterior tem muito a ver com o facto de não haver ainda PlayStations, não haver ainda computadores.
Internet.
A televisão só abria suco ao fim da tarde e depois começou a abrir mais cedo. Não havia o "Agora Escolha", o "Agora Escolha" é de 86. O "Agora Escolha" é um programa importante, na medida em que muita gente já não ia jogar à bola porque ficava em casa a ver o "Agora Escolha". E eu lembro-me perfeitamente como se fosse hoje, que havia momentos na nossa infância que por melhor que fosse o jogo de futebol cá fora, ou melhor que fosse o jogo de escondidas cá fora, nós íamos para casa a correr para ver mais um episódio da Abelha Maia, por exemplo.
Do Tom Sawyer.
Mas íamos mesmo a correr. Esta coisa de: "Eu gostava imenso de estar na rua." Não, estavas na rua porque estavas profundamente aborrecido em casa. Além de que as casas eram pequenas, frias, más, havia sempre uma voz chata. Não havia a noção de espaço que há hoje, de individualidade que há hoje. Não havia muitos miúdos a ter o seu próprio quarto. Ainda é um tempo em que há o quarto das visitas, que nunca era usado, e os miúdos tinham que dormir 17 no mesmo quarto.
Faz aqui uma pequena pausa no teu raciocínio, porque chegamos aqui ao final da primeira parte do "Pop-Up". Já voltamos aqui a falar depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "Pop-Up" com Maria Ramos Silva, Pedro Bucher Mendes e esta semana a Joana Siccaini Vilela também está aqui connosco às voltas com a geração X. Culpa do New York Times, que nos levou aqui a refletir um bocadinho sobre a importância ou não desta rapaziada. Pedro Bucher Mendes, eu sinto que suspendi o teu raciocínio na primeira parte e agradeceria que o terminasses.
Já não me lembro onde ia bem.
17 pessoas num quarto.
Pronto.
E uma avó chata.
E uma avó chata.
Nós ainda somos uma geração, creio que concordam, em que não éramos considerados como indivíduos na família. Éramos os miúdos, as crianças, os chatos, os "está calado, vai arrumar".
E é engraçado, porque isso também influenciava.
Éramos chapadas.
E fazendo a ponte para o que vem a seguir, que vamos fazer uma listinha de títulos, que é o que a gente gosta. Isso depois também influencia a forma como a cultura pop é consumida, é reproduzida, para quem é feita e quem é que decide o que é consumido.
Sim, mas por exemplo, uma coisa muito pop naquela altura. Nós ainda pertencemos a uma geração para quem o futuro é para ser construído a dois. Para mim, não sou especialista, mas nunca vi esta questão ser abordada. Uma das questões da habitação hoje em dia é que os miúdos querem, e é legítimo, ter a sua própria casa. Não somos nós a querer ter a casa, são eles individualmente que querem ter a sua própria casa, em muitos casos. Quando eu passei a ser jovem adulto, nunca me ocorreu ter a minha própria casa. As pessoas tinham namoradas, ou parceiros, ou parceiras, e avançavam para o futuro com essa pessoa. Creio que vocês terão passado por isso também, eu passei com certeza. Namorados compravam casa juntos e depois aquilo não correu bem e tiveram que vender. Há sempre essas histórias.
Sim.
Mas naquela altura era óbvio para nós que ao comprarmos uma casa, era feito a dois, até porque nós apanhamos, esta geração X portuguesa, e lá fora também, apanha a baixa das taxas de juro, e a liberalização do crédito. O grande acontecimento dos anos 90 portugueses talvez seja o crédito, a possibilidade de ir ao banco pedir dinheiro emprestado. Que é uma coisa que depois quando chega ao fim da década, o juro, não há muito tempo o juro era negativo.
Exato.
Pronto. Agora imagine se eu fiz o meu primeiro empréstimo para habitação com juro a 18%. Portanto, é bastante diferente.
E chegaste onde chegaste e só por isso mereces respeito.
Mas não quer dizer que sejas feliz.
Ora bem, a felicidade é uma situação. Vamos em frente. Como isto é a cultura popular, eu pedi-vos que escolhessem títulos de filmes, discos e livros para tentarmos traçar aqui um perfil desta geração X. Vamos percorrer as áreas e vou vos pedir que sejam um pouco sintéticos, porque vamos ter muito que dizer. Vamos começar por filmes, vamos começar pela Joana Siqueira Vilela. Todos vocês deram muitas sugestões, eu tentei afunilar para irmos a vários sítios. "Before Sunrise", Antes do Amanhecer, que podia ser também toda a trilogia do Richard Linklater com o... Agora esqueci-me.
O Ethan Hawke.
O Ethan Hawke e a Julie Delpy. Dirias que é um bom filme?
É aquele que eles se encontram no comboio.
Exatamente. Não presta, queres ver?
A ideia aqui, pelo menos como eu pensei nisto, foi filmes que representassem aquela geração e que tivessem dito coisas também.
"Meaningful", como dizem.
Com os quais as pessoas sentissem uma relação.
E se identificavam.
E se identificassem. Eu não sei se ele tinha.
Para já eram lindos.
Também, sim. E mantiveram-se muito bem, os dois. Agora distraí-me, Tiago.
Ai, chatice.
Estava aqui a pensar como é que estava o Ethan Hawke agora.
Está ótimo.
Isto é uma conversa, só pessoas da geração X é que podem dizer isto, vamos ser canceladíssimos.
Faz teatro, está ótimo.
Deve cozinhar. Tocar baixo.
Gostavas?
Deve andar de skate também, a Joana.
Acho que não.
Achas? Eu acho que já, não sei.
Pegar num avião.
No meu avião. Eu imagino que o Richard Linklater não pensasse numa trilogia quando fez isto. Mas a história, para quem não conhece, é de dois jovens que se encontram em Viena, acho eu, quando estão a viajar de comboio pela Europa, que era uma coisa que as pessoas faziam e que fazem também. A diferença é que o faziam sem telemóveis, sem dar notícias para casa durante não sei quanto tempo.
Sem plano, sem mapas.
Sem nada, iam com os livros.
E logo viam.
E logo se via. E aquela é uma relação romântica, mas eu acho que aquilo é muito realista, de certa forma, embora seja um filme, é uma versão romantizada, é muito realista. E o que eu acho interessante nesta trilogia, portanto, o Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-Noite, não sei se eles são traduzidos assim em português, que os acompanha de nove em nove anos, é que no fundo vai traçando um percurso, vai vendo esta geração envelhecer com as questões com que se vão deparando nas várias fases da vida. E que é um conceito a que ele volta num filme que eu acho extraordinário, que é o Boyhood. E é isto, não vou dizer mais.
E bem, vejam o filme.
Fui verificar, o Ethan Hawke cozinha e toca trompete.
Olha, trompete é um bocadinho diferente, mas eu gosto muito.
Mas o Pedro quase que acertou.
Muito bem. Olha, Maria Raul Silva, ainda nos filmes, e que também eram livros, neste caso, e não só, Virgens Suicidas, por quê?
Sim, acho que também vai muito em linha com aquilo que a Joana dizia.
Eu gostei bastante deste filme.
Gostaste?
Eu gostei.
Eu penso que até estreou só em 1999, 2000, por aí. Também é partir do Jeffrey Junidas. Depois a Sofia Coppola realiza isto, que também lança de alguma forma a Kristen Dunst, um dos seus papéis mais icónicos daquela altura. Com as Irmãs Lisbon, ainda por cima tinha esse contrato.
E com a banda sonora dos Air, que também vem da geração X.
Também, era tudo bom. Era uma altura em que se juntava muita coisa boa. E mais uma vez, eles trabalham a história sobre uma família conservadora dos anos 70
Já tens essa coisa que nós estamos a fazer aqui, que é olhar pelo retrovisor. Já estão passados 20 anos, depois olhar para uma geração anterior. E acho que também capta muito aquela agitação daquele tempo. Acho também que poderia juntar aqui o "Trainspotting", porque de facto há muito, e a Joana falou disso na primeira parte, sobretudo neste culminar da geração, uma ideia de decadência. E muita ironia olhar sobre todas aquelas promessas falhadas dos baby boomers. Passou aquela fase de euforia para o desânimo.
Aliás, ironia é uma palavra-chave.
Sim, e depois, de repente, há ali muita decadência. E muita celebração, de alguma forma, mais ou menos inconsciente dessa decadência.
E foi uma ótima dica, porque por falar em decadência, Pedro Buchinho Mendes.
Mas isso é para vocês que já são gen Xers mais velhos.
Claro, mas cada um tem a geração X que merece. Mas tu escolheste muita decadência, porque a tua dupla de filmes é "Pulp Fiction" e "Trainspotting".
Sim, mas a geração X apanha a comédia romântica, o blockbuster, o action hero, o Schwarzenegger, essas coisas.
O clube de vídeo.
O clube de vídeo, exatamente. O Chuck Norris, o Steven Seagal, essas coisas. Hoje é muito esquisito, mas não vou dizer que nós venerássemos os filmes do Chuck Norris, que demoram 90 minutos, mas ver aquilo-
Demoram 90 minutos a mais hoje em dia.
Sim.
Na altura, não.
Hoje em dia, se fossem erradicados da humanidade, não se perderia nada. Mas naquela altura era uma hora e meia que parecia durar uma eternidade. Força Delta. Esses filmes. Depois há um do Steven Seagal com a Sharon Stone. Que eu vos mandei uma fotografia e vocês ignoraram.
Não, mas aquilo era a Sharon Stone?
Era. Mas pronto, para estar mais próximo dos nossos ouvintes.
Dos gaiatos.
Dos gaiatos, escolhi o "Trainspotting" e o "Pulp Fiction". São dois filmes que eu vi e li ao tempo. É assim que se diz?
94, 96, por aí.
Vocês tinham um ano.
Era.
Mas eu vi-os no cinema.
Sim.
E são filmes inesperados, que, como dizem os americanos, raise the bar. Sobem a fasquia. Muito. E nós: "Uau, o que é isto?" Pronto. Não sei se serão os mais geração X, até porque o "Trainspotting" é um livro. Eu já gostava muito do autor, o Irvine Welsh, gostava e gosto imenso. E mais do que os Ethan Hawks e o romance, e o lado das relações e dos relacionamentos, como dizem os nossos amigos brasileiros, havia um lado de violência física, e de fisicalidade, e de perseguições de automóveis, e de tiros.
O psicopata americano, estamos a lembrar agora.
"Fight Club".
"Fight Club", sim, bem lembrado.
Péssimo. Isso é outro que não gosto. Para mim, o cinema daquela altura é menos "Lendas de Paixão" e mais "Fight Club", no limite, porque é o mesmo ator.
No fim, Brad Pitt ou Nick Storch. Há coisas que não mudam. Livros. Joana Siqueira Vilela, claro, geração X, Douglas Copeland, já aqui falámos. Mas também achei muita graça que uma das tuas escolhas foi o "Alta Fidelidade".
O "Alta Fidelidade", que depois foi adaptado ao cinema.
E é uma série de televisão.
Mas que é um spin.
É um derivado.
É um derivado, com a filha do Lenny Kravitz.
É a filha do Lenny Kravitz.
Zoë Kravitz. Exatamente. Curiosamente, li, vi e vi. Estava aqui a fazer contas. A história da loja do vinil. Aquele colecionador de discos obsessivo.
O tipo que organiza os discos de forma autobiográfica.
Chamava-se Tiago Pereira.
Podia ser.
Onde o Ethan Hawk podia comprar os seus discos.
Ainda dizem mal da geração X.
Mas o John Cusack não é tão giro.
Mas é mais afetado.
O John Cusack e a irmã é a Joan Cusack também. São dois atores muito presentes nesses filmes dessa época.
O Edward Norton também.
Representam muito essa época.
E John Cusack fez o "Con Air", atenção.
Depois passou ao lado de uma grande carreira.
Se calhar.
Nós falamos da internet. A grande transformação, a meu ver, vem mais tarde com as redes sociais e o telefone sempre no bolso, e esse acesso direto. Mas a internet, o que nos traz é muita informação que nós não tínhamos.
E que não queríamos.
E que também não queríamos.
Informação que nunca pedimos.
O acesso à informação, esta coisa da troca, de: "Já ouviste aquilo?" e das revistas, e de estar na rádio à espera disto. No fundo, uma procura de alguma coisa que nós não sabíamos bem o que era, o deslumbramento. Há quem diga que as pessoas já não se deslumbram. Eu tenho alguma dificuldade.
Tu deslumbras todos os dias.
Eu deslumbro-me todos os dias. Estou mesmo velha.
Não digas isso, não é verdade.
E o "High Fidelity" é um produto completamente pop, sobre cultura pop.
E outra coisa que faz muito.
E é o mais problemático também.
Não, e uma coisa interessante é que-
E também tem o "Fever Pitch".
Exatamente.
Tem, ele tem várias coisas.
E que faz duas coisas, tanto no "Fever Pitch" como no "Alta Fidelidade", que é as pessoas entregarem-se a uma paixão, como salvação, faça tudo o resto que não conseguem controlar e com o qual não se identificam. Entregam-se à bola e entregam-se aos discos. Não é que não aconteça hoje em dia.
Curiosamente, isso está na narrativa jornalística contemporânea. Vai muito aí, que é quando o Tiago Pereira abriu uma padaria chilena no bairro das colônias.
Por exemplo.
Esses sítios vão sempre à falência, obviamente, porque o mundo já não é o mesmo. Mas existe uma nostalgia dessa ideia da paixão, do negócio, de alguém que se entrega. Se bem que o Unicorn, já agora, tem um livro muito melhor do que estes dois chamado "How to be Good", que eu recomendo vivamente.
"How to be Good". Eu também já li esse livro.
Muito bem. Maria Ramos Silva.
É muito giro.
Bret Easton Ellis nas tuas escolhas, sim.
Isso era óbvio, não é?
Curiosidade: referiste o Paulo Coelho.
Referi. Quando pensei em Portugal, não pensasse ler Paulo Coelho.
E devo dizer que os liceus nos anos 90 tinham muitos livros de Paulo Coelho lado a lado com outros.
E não é só nos anos 90. Eu há muito pouco tempo notei, penso que até partilhei contigo.
Já falámos disso há pouco tempo.
Um microfenómeno emergente em que eu voltei a ver no metro e a passear por alma, pessoas jovens a ler "Verónica Decide Morrer".
Morreu? Não li, só sei o título.
Eu não lia Paulo Coelho, devo confessar.
Eu li "O Alquimista".
Pronto, tu e milhões de pessoas em todo o mundo.
O lobo perdeu a Ferrari.
Esse é outro. Mas eu fiquei muito enselvida, não percebi por que toda a gente falava tanto daquilo.
Isto para voltar, mais uma vez, àquela questão de que nós às vezes achamos que há grandes saltos de década para década ou de 20 em 20 anos. E, na verdade, o Paulo Coelho o que é que tinha? Uma série de livros que de alguma forma serviam para aquela categoria de autoajuda ou desenvolvimento pessoal, ou mais místico, ou o que quiseres. E a verdade é que isto não só desapareceu, como anos depois, e até agora recentemente, tens todo um boom absolutamente gigantesco de livros que são diferentes. Se calhar já são mais bem absuados, porque já têm capinhas.
Mas é a mesma filosofia.
Mas no fundo, isto é o mesmo. E as pessoas continuam perdidas e à procura do mesmo, e volta e meia querem um guru que os salve, que não tenha loja de discos, mas tem um livro desta natureza.
Gelados artesanais. Que é uma mania também da geração X.
Gelados artesanais?
Achas? Não é posterior?
Não, é gelataria. Até há um filme do João César Monteiro que se passa numa gelataria.
É, pois é, na Surf.
Pedro Meximenses.
As gelatarias são uma coisa da geração X.
A Surf que é em Lisboa, nas Avenidas Novas, para quem está a ouvir de fora de Lisboa.
Pedro Meximenses, Donna Tartt fora de Portugal e Saramago em Portugal, nos livros. Foi o que tu me enviaste.
Sim, a Donna Tartt, não sei se leram, mas ela lançou este livro em 92, "Uma História Secreta". Não sei o quê, uma universidade de elite, não sei o quê, há um crime, não sei o quê, há um morto, não sei o quê, é contado por alguém que viveu isto anos depois.
O primeiro livro.
O primeiro livro dela foi dedicado ao Bret Easton Ellis. Ela foi colega do Bret Easton Ellis, a Donna Tartt. Tornou-se um megasucesso, e terá até inventado o género Dark Academy, que é, no fundo, crimes na academia. Na sinopse do livro tem um bacanal que correu mal.
Como assim? Como é que um bacanal corre mal?
Que correu mal.
Isto é um tempo em que não existiam séries dos livros. Nós não tínhamos uma série pendurada para ir ver. Podíamos ler o livro. Eu nesta altura li este livro, não sei se logo em 92, mas algum tempo depois, e ainda tenho a cópia original. A Joana trouxe aqui uns livros cheios de humidade, portanto, são as cópias originais dela. O meu está mais bem estimado.
Olha, casos.
Mas a partir de determinada altura, o José Saramago, sobretudo a partir do "Memorial do Convento", e depois com o "Evangelho". E houve uma grande polémica do "Evangelho Segundo Jesus Cristo", o livro terá sido censurado, não sei o quê, em 92.
Vão ler o texto da Joana no Observador.
É divertido.
Façam um Google por evangelho e Joana, é isso?
E encontras um texto a explicar tudo.
E o Saramago, havia a rivalidade, depois, Saramago, Lobo Antunes, e o Saramago era mais, vou dizer uma palavra, readable.
Sim.
Aparentemente, era mais narrativo. Aparentemente. Estou-me a reportar ao ponto de vista na altura. Pessoalmente, eu prefiro Lobo Antunes. E o Saramago elevou, digamos assim, a literatura portuguesa. Ou seja, os jovens liam Saramago sentindo que estavam a ler um escritor que valia a pena. Tanto assim foi que o destino os recompensou e houve um Prémio Nobel para Saramago em 98. Sendo que esta coisa, vão achar engraçado. Joana, não sei se pesquisaste isto. Que foi: o Expresso antecipa nas previsões para 97 ou 98 que poderá haver um Nobel para a língua portuguesa e Saramago é um dos candidatos. Portanto, qualquer coisa aconteceu nas engrenagens do Nobel, que o prémio era uma coisa esperada pela inteligência portuguesa.
Se calhar era o Expresso.
Sim, talvez. Portanto, não caiu do céu. E no fundo é isto, o Saramago tornou-se quase institucional. Ele publicou imenso nos anos 90. Era quase um livro por ano ou coisa que o valha. E eu diria o "Evangelho", o "Convento" e depois o "Ensaio sobre a Cegueira".
Embora haja uma diferença de quatro anos entre o "Evangelho" e o "Ensaio sobre a Cegueira".
Mas são os livros.
O "Ensaio sobre a Cegueira" foi depois adaptado ao cinema.
Cinema, sim. Mas são aqueles que se estivesses num bar, numa festa e quisesses meter conversa com alguém.
Podias falar sobre eles.
Podias tirar do bolso. "Não, eu preferi o..." Sei lá.
Por acaso estou mesmo a ver isso a resultar. E agora, estupidamente rápido, porque temos cerca de um minuto Portanto, esta playlist vai ser a correr. Música: Joana Siqueira Videla, Alanis Morissette, "Jagged Little Pill", 94, se não me engano.
Marcou muito.
Ou 95.
Sim.
Tinhas 14 anos.
Por aí. Está bem.
Mas é aquela coisa que marcou uma geração. Falámos de ironia há pouco.
Ela e a Sheryl Crow. 95. São mais ou menos da mesma altura.
Diferente, mas são da mesma altura.
Por isso, nesse sentido.
Mas eu sempre disse géneros diferentes.
Ela era mais alternativa. A Sheryl Crow, nessa altura, nós achávamos que não tinha assim tanta graça.
Não, a Sheryl Crow era mais americana.
Americano, exato.
Era, sim.
A Alanis Morissette é canadiana, ainda por cima.
Ainda por cima.
Mas tinha o "Isn't It Ironic". E o disco não é um sucesso previsível, torna-se viral, na altura não se usava este termo, e dá voz ao feminismo e ao riot girl.
E a revolta.
A revolta. Eu acho que é um disco muito emblemático dos valores dos anos 90. E gostava só de referir uma coisa, nesse artigo do New York Times, muito rapidamente, eu vou só ler aqui vários discos que eles têm lá e que eu de repente percebi. Eu tenho ou eu tenho estado a voltar a ouvir coisas como o "Illmatic" do Nas, tudo muito diferente. O "MTV Unplugged" dos Nirvana.
Claro.
O "Grace" do Jeff Buckley, que teve agora o documentário no Doc Lisboa.
E que vai pra HBO.
O "Mellow Gold" do Beck, a Mary J. Blige. Voltei a ouvir a Mary J. Blige, incrível.
Mas não a Sheryl Crow, pelos vistos.
Não. Eu gostava muito da Mary J. Blige e ainda gosto. Está com uma grande voz.
Rapaziada, temos que fechar. Maria, tu escolheste Rádio Macau.
Sim, duas coisas muito rápidas que eu acho que exemplificam muito bem essa indefinição, esse desnorte dessa era, que também vai muito buscar à Alanis Morissette. Os R.E.M., por exemplo, não eram a minha banda, continuam a não ser a minha banda, mas eram extremamente populares. Acho que é daquelas coisas que entravam na rádio e não saíam. E o "Losing My Religion", em 91, é muito expressivo disso. E depois os Rádio Macau, que é uma bela banda portuguesa, ainda por cima Algueirão-Mem Martins, a representar. Anos 80. E têm o "Anzol", que vai buscar essa ideia, essa tal indefinição, esse tal procurar de rumo, que ainda por cima faz parte de um álbum, que é o "Vendedor da Glória", que na altura simbolizava a sua, da banda, ascensão comercial. E depois teve o fim que nós conhecemos, que de facto parece o fechar de um círculo estranho, que de alguma forma também nos fala da vida da cidade e do país, se quisermos.
Ia te chamar Bruno, imagina. Pedro Boucher Mendes, não te vou deixar de falar, vou-te só dizer que é um eixo muito bonito, o eixo que vai de "Out of Time" dos R.E.M., até "The Bells" dos Radiohead, passando pelos Nirvana. Fica-te bem.
Sim, acho que tenho muito mais a dizer.
És um eterno jovem. É isso que eu tenho a dizer. Rapaziada.
Dos três, eu prefiro o "Out of Time".
Eu vi logo, é o mais adulto. R.E.M., grande banda. Final de mais um "PopUp". Já sabem, esta é a parte favorita do Pedro Boucher Mendes. Escrevam-nos para popup@observador.pt e sigam-nos nas vossas plataformas favoritas. Voltaremos segunda-feira em podcast com as sugestões da semana. Até lá.