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Aqui estamos de volta com as sugestões da semana, para que nada vos falte. Pedro Buchinho Mendes, vamos começar por ti.

Bora, Pedro.

Ainda não vi. "The Drama" é um filme, não é?

É um filme da A24.

Está na moda.

Está na moda como estava a Miramax no meu tempo.

Vamos lá ver se não vai acabar da mesma maneira.

Esperemos que haja aqui um Harvey Weinstein. Com Zendaya e Robert Pattinson. Gosto muito destes dois atores, apesar de eles serem bem mais novos do que eu. Para mim são como filhos.

Mas o que interessa é o interior.

O meu ou o deles?

O de todos.

Sim. É um daqueles filmes que está muito bem filmado, é um filme com poucos personagens, é sempre mais ou menos no mesmo sítio. Eles são um jovem casal que se vai casar e num jantar antes do enlace, estão com a madrinha e com o namorado desta, eu acho que é o meu padrinho. E: "Ah, então qual foi a pior coisa que vocês já fizeram?" Aqueles jogos sociais que algumas pessoas fazem, e que eu não aconselho a que se façam. Na minha vida já houve um episódio desses.

Na minha vida.

Pronto. Daquele tipo, como é que é? Causa ou consequência?

Sim.

Aqui eles têm que revelar qual foi a pior coisa que fizeram na vida. E a partir da confissão de um deles, deles traço delas, nasce o filme.

"Truth or Dare".

É isso. Portanto, aconselho bastante o drama.

Não é causa. É verdade ou consequência.

Sim.

É, realmente.

Aconselho bastante o filme na HBO, "The Drama", com Zendaya e Robert Pattinson, esteve há pouco no cinema. Aconselho ainda mais "Project Hail Mary", que está na Prime.

Pois é.

Também recomendo.

As pessoas que assinaram a Prime para ver as irmãs Patrocínio, aproveitem a subscrição.

Não cancelem já.

Exato.

Está também no videoclube. Sim, mas já vi.

Vejam o "Project Hail Mary", um dos filmes que eu mais gostei nos últimos tempos.

Já tinhas falado aqui muito bem do filme.

Fiquei uma pequena criança errada, eu sei, mas percebem o ponto.

Não, há crianças grandes.

Fiquei um petiz. Eu nunca tive ranho seco no nariz.

Não.

Fiquei mais. "Project Hail Mary" na Prime. E ainda, uma coisa que eu descobri há pouco tempo, um documentário sobre Milo Manara, um desenhador, um artista.

Um ilustrador.

Um autor de HQ, um ilustrador.

O que vocês quiserem.

Conhecido pela forma como desenhou a figura feminina, também conhecido por mulher. E é um bom documentário.

Bom documentário das cores de caminho, é melhor.

Exige um pouco de nós, tem muita gente a falar e falam muito, mas é uma boa visita ao mundo de Milo Manara, que fez 80 anos e teve direito a este documentário. Manara fala imenso, participa e sua mulher também aparece. Fala da relação dele com o Hugo Pratt, da relação de amizade.

Hugo Pratt, o criador do "Corto Maltese".

Exatamente, também italiano. E para quem quiser ver.

É ver.

Está onde esse?

Está na Filmin. Finalmente.

Ainda tens um livrinho.

Tenho aqui um tomo.

Um livrinho generoso.

Um programa que eu creio que é da Rádio Observador.

É, sim, senhor.

"Ciência Pop", que reúne o Carlos Filhais e o João M. Santos. O Miguel, João Miguel.

João Miguel.

João Miguel Santos, aqui da Rádio Observador. É um programa de divulgação científica. É uma expressão que soa um bocadinho RTP 2. Mas que não devia soar tão pesada, porque o Carlos Filhais é um grande comunicador. Eu conheço o professor Carlos Filhais, o Carlos.

Isso.

Não tenho a menor dúvida em recomendar este livro, que no fundo reúne aquilo que eles conversam nos episódios sobre ciência. O Carlos Filhais tem uma forma muito hábil, interessante, divertida, instrutiva de falar de ciência. E o João Miguel é um Vitinha João Neves a passar a bola ao Carlos Filhais.

Cuidado com isso.

Certo.

Não te metas nisso.

Da "Relógio da Água", "Ciência Pop", não tenho qualquer dúvida em recomendar.

Muito bem, Joana Saquinhu Vilela, tu trazes também dois livrinhos.

Dois livros.

Um um bocadinho maior que o outro, mas são dois livros.

Dois livros e uma outra sugestão rápida que deixo para o final. Um dos livros já saiu há algum tempo no mundo e também em Portugal, embora há menos, chama-se "A Vegetariana" e é da Han Kang, que é uma escritora sul-coreana que ganhou o Prêmio Nobel.

Verdade.

Eu só li este livro agora, li na versão inglesa.

Não leste em coreano?

Não li em coreano desta vez. É capaz de ser dos livros que eu mais gostei de ler nos últimos tempos. Surpreendeu-me muito. Eu dei por mim, não só a pensar porque é que tenho que estar a trabalhar, queria tanto continuar a ler aquele livro. Pode também ter a ver com o facto de ser verão. Mas também a pensar, não sabia que podia escrever-se um livro assim. É um livro sobre uma mulher coreana completamente indistinta naquela lógica dos coreanos de seguirem todos um modelo muito tradicional e formatado e que a certo dia resolve deixar de comer carne, justificando apenas que teve um sonho, embora também não lhe façam muito mais perguntas, e sobre o impacto que isso tem nas relações à volta dela. É, ao contrário do que o título nobel possa indicar, um livro muito acessível, tem uma linguagem muito clara, é extremamente evocativo e mexe muito conosco. Isto toca em pontos inesperados. Recomendo muito. Em Portugal está editado, se não me engano, pela Dom Quixote.

Não te enganas.

Não me engano. Outro livro que sugiro, este só está editado em inglês, saiu há pouco tempo, chama-se "Up All Night: A History of Going Out". Portanto, acordado a noite toda, uma história de sair à noite. É escrito por uma autora chamada Imogen Willetts e nasce de uma exposição que foi feita em torno da vida noturna. Ela foi a curadora e depois fez este livro. Isto é muito interessante, porque no fundo é uma história sobre a noite, o que é sair à noite. Isto começa no Japão, no século XVIII. E surge numa altura em que pessoas que trabalham na noite e com a noite, a diversão noturna, seja discotecas, bares, festas, comentam que a noite está numa grande crise. Os miúdos já não saem, quando saem levam o telemóvel. Tudo aquilo que caracterizava a noite, que era ser um lado quase mais clandestino do dia, em que as pessoas podiam estar mais livres, mais soltas. No fundo, ela chama-lhe de revolução organizada. Começavam muitas coisas na noite, que depois tinham tradução no dia, e havia um espaço de liberdade. Isto tudo, hoje em dia, não se sabe se será o fim da noite, se será o início de outra coisa qualquer. Mas aqui ela, de novo, com uma linguagem superacessível, com imensas histórias, muito visual, percorre os grandes momentos do que era sair à noite e do que tem sido sair à noite até agora, desde o Japão das gueixas e do período Edo, até às raves e à Britney Spears. Finalmente, uma sugestão muito rápida, que é quem ainda não viu, e estivemos no último episódio a falar dos 25 anos do "The Office" e a sugerir uma série de séries, no meu caso, todas de comédia, quem ainda não viu, veja "Hacks", que agora teve um recorde de nomeações para os Emmys, das minhas séries preferidas dos últimos tempos, uma comédia extraordinária, interpretações extraordinárias, até pelo que se vê pelo número de atores e atrizes nomeados, e que não sendo revolucionária é, eu não queria usar esta palavra, mas vou usar, não me estou a lembrar de outra, é um bocado um pináculo de uma forma de escrever e de fazer séries e que tem, aí sim, é inovadora, duas mulheres e a relação entre duas mulheres de gerações diferentes na área da comédia, no centro daquilo tudo e ao mesmo tempo uma galeria de personagens secundárias completamente fora de série e inesquecível.

Muito bem, eu queria só dar aqui a nota de dois ouvintes que nos enviaram sugestões. O primeiro é o Ricardo Baião Horta, e que sugere uma série que, diz ele, é um, entre aspas, estou a citar: "Um daqueles tesouros com pouca visibilidade, mas muita qualidade." Chama-se "Cidade das Estrelas", está na Apple TV+. Não vi, não conheço.

Mas eu vi.

E o que é que achas?

É excelente.

Muito bem, aqui está.

E não estou a ver.

Ficas amigo do Ricardo Baião Horta. É uma série de?

É do universo do "For All Mankind".

Ah, ok.

História alternativa, em que são os soviéticos os primeiros a chegar à Lua. Tem a ver com a corrida espacial soviética, sendo que eles lideram em relação aos americanos. Tanto que lideraram, não foram os primeiros a chegar à Lua. É uma série francamente bem feita e faz parte desse universo "For All Mankind".

Muito bem, e depois o Daniel Estrada, que manda sugestões diretamente ao Pedro Bom Senhorente, que é o costume neste programa.

É a nossa estrela.

Livros de banda desenhada. Ele sugere "Undertaker", de Ralph Meyer e Xavier Dorison. Diz que é um western da BD franco-belga, com vários capítulos já lançados. Sugere também um autor e ilustrador incrível, nas palavras do Daniel, chamado Charles Burns, finalmente publicado em Portugal pela Asa, diz ele, com o livro "Final Cut".

Tenho esse livro também. E que é o autor do, desculpem interromper-te, agora não me lembro do nome. Um grande clássico.

Mas que também fez capas para o Iggy Pop.

"Black Hole".

Muito bem.

Um clássico da BD.

E sugere um outro livro de banda desenhada, que é um western moderno de Ed Brubaker, chamado "Pulp".

Obrigado, Daniel.

Pois é, meu amigo.

Vou correr essa estrada.

Agora tens que te aguentar.

Deixa ver o nome dele.

Tu disseste que não gostavas de BD, Pedro.

Daniel Estrada.

Eu gosto é de graphic novel. Acho um facalhão. BD eu gosto.

É verdade. Brovera Amaral, acaba lá isto.

Duas coisas rápidas. Ainda podem ver alguns filmes do ciclo de François Truffaut, que está no Limas. Não é uma reposição integral da obra, mas é quase, só faltam "A Noite Americana" e "Fahrenheit 451". Mas ainda podem ver, porque isto está a chegar ao fim, é até dia 15. Ainda podem ver hoje, segunda, dia 13 de julho, "As Duas Inglesas e o Continente". Amanhã, "Beijos Roubados", também "A Mulher do Lado" "Angustia La Podus", um filme rodado parcialmente em Lisboa com a Françoise Dorléac, que é irmã da Catherine Deneuve, que morreu muito nova. Não a Catherine, mas a irmã. É um dos meus preferidos do François Truffaut. Ainda podem ver "O Menino Selvagem" na quarta-feira e quarta-feira, a história de Adéla, com a Isabelle Adjani. É um dos meus realizadores preferidos. Há sempre aquela coisa Godard, Truffaut. Eu sou Truffaut até morrer. "Beijos Roubados" é um dos meus filmes preferidos, também "Os 400 Golpes". Lembro-me de ver em miúdo um filme que eu não fazia a mínima ideia de quem era, que era "A Noiva Estava de Luto", com a Jeanne Moreau, e que é um filme muito hitchcockiano, que eu acho que é até um filme falhado, porque uns anos depois revi e aquilo não funciona muito bem, mas ficou na memória. Não sei se se lembram desse filme. É uma noiva que se vinga. No dia do casamento, o noivo é morto e ela depois vai atrás dos tipos que o mataram e mata um a um.

Ora bem. Uma espécie de "Kill Bill".

"A Noiva Estava de Luto".

Pois é.

É assim, as coisas têm todas um sentido.

E a Nova Vaga, foram eles que defenderam o Hitchcock e que o trouxeram.

Claro, e há esse grande livro, que é um dos livros da minha vida.

É uma conversa entre o Hitchcock e o Truffaut.

Que é essa longa entrevista em que o Hitchcock, pela primeira vez, teve a oportunidade de explicar o que é que fazia e porque é que ele era, de facto, um autor e não era apenas um tarefeiro, um realizador de cinema comercial. O François Truffaut chegou a ser muito popular também. Alguns dos seus filmes foram muito populares. O Godard nunca foi tão popular como o Truffaut. O Godard sempre teve mais a boa vontade ou pelo menos a preferência da crítica. Eu gosto mais da humanidade dos filmes do Truffaut. Também gosto muito da humanidade de Luís Enrique, treinador do Paris Saint-Germain. Também já passou pelo Barcelona, pela Seleção Espanhola. E há um documentário que já está na Prime desde 2024, mas eu só agora é que vi, aproveitando os patrocínios.

Já que aqui estamos.

Já que aqui estamos. E havia ali uma série de excertos que tinha visto. O que é que eu tenho pena? Tenho pena de não terem mostrado isto ao Roberto Martínez antes do Mundial. Não sei se teria sido ou não teria sido nada útil. Ele provavelmente até viu, não quis saber nada disso. Mas que é um tipo com ideias. Podem não ser do agrado de todos, certamente não vai agradar a todos e nem a todos os jogadores.

Mas são ideias.

Mas são ideias e sabe como aplicá-las, sabe como transmiti-las, sabe como trazer os jogadores para as suas ideias e quem não quer, quem não gosta, não come. Referência também ao Luís Campos, que é um português que tem feito um trabalho notável como diretor desportivo do Paris Saint-Germain.

É um episódio ótimo sobre a filha dele.

Claro. Ele foi marcado pela morte da filha, a Xana, quando tinha nove anos. E ele fala de uma forma muito aberta.

E muito interessante.

Sobre a experiência, diz coisas. Esse era um dos excertos que eu já tinha visto. É um homem, de facto, notável e eu acho que quem não gosta ou quem não conhece bem pode aproveitar para ver este documentário de 2024 sobre Luís Enrique.

Muito bem, sugestões entregues, estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos e não percam nenhuma destas doses. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.