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Eu estava a dizer que acho que a Ana Catarina Mendes deve ter gostado de uma parte substancial do discurso do Nuno Melo, porque o Nuno Melo escolheu algumas áreas para vincar a posição deste novo CDS. Duas delas foram a educação e a saúde. E aquilo que Nuno Melo disse em relação à educação foi que, e vou citar: "A esmagadora maioria do ensino público é muito bom". E a outra frase foi: "A oferta pública é muito boa". Portanto, Nuno Melo está a dar razão ao PS. A escola pública é muito boa. Aliás, eu nem percebo porque é que Nuno Melo acha que há um problema, porque Nuno Melo diz que é preciso dar a hipótese às famílias inclusivamente mais pobres, de optarem pelo ensino privado naqueles pequeninos casos em que a escola pública não é muito boa. Ora, se são poucos casos em que isso acontece, então nós não temos um problema estrutural da sociedade portuguesa. Se a esmagadora maioria, estou a citar outra vez, do ensino público é muito bom, então esse não é um problema em Portugal. Podemos seguir para o próximo. Seguindo para o próximo, Serviço Nacional de Saúde. Mais uma vez citando Nuno Melo: "O Serviço Nacional de Saúde é muito bom". Ele diz que é muito bom o Serviço Nacional de Saúde, diz que os profissionais de saúde faltam-lhes estatuto e remuneração, mas o SNS é muito bom. Portanto, mais um problema que não é estrutural em Portugal. Se o SNS é muito bom, vamos em frente para o próximo. E duas das grandes bandeiras do PS estão impecáveis. Ao fim destes anos todos de governo do Partido Socialista, o que temos é um SNS muito bom, nas palavras de Nuno Melo, e um ensino público que na sua esmagadora maioria é muito bom. Portanto, bravo, fica assim explicado por que o PS teve maioria absoluta. Nuno Melo estava a dizer que apesar de tudo o PS teve maioria absoluta. Não é apesar de tudo, é porque na opinião de Nuno Melo transformou o SNS numa coisa muito boa e o ensino público numa coisa muito boa. Tirando estas perplexidades, tivemos depois mais uma série de medidas que eu diria que não têm propriamente uma grande dimensão. A extinção do SEF, tem-se falado da extinção do SEF ou da reversão dessa decisão de extinção do SEF na sequência da morte de um imigrante ucraniano nas instalações do SEF. Não parece que a pátria viva ou morra por causa da extinção do SEF. Não é um dos grandes problemas do país. Claro, é preciso dar o exemplo de que o Estado não anda a matar pessoas, isso sim, mas não parece que seja um grande problema. E depois falou aqui de uma das propostas que vai apresentar no Parlamento Europeu. Nós estávamos há bocado a falar do facto de Nuno Melo ter que aproveitar a sua posição no Parlamento Europeu para aparecer, no bom sentido, para mostrar que tem propostas. E a proposta dele é que os professores refugiados ucranianos possam dar aulas a crianças refugiadas ucranianas nos países europeus onde estão refugiados, para que não haja uma quebra no plano de aprendizagem dessas crianças. Repara, até pode ser uma medida com virtudes, não contesto isso, mas não é também algo que decida o futuro do país. Por isso acho que saímos deste discurso como entrámos, a faltar uma grande proposta mobilizadora por parte do CDS e eu saio daqui confuso, porque pelos vistos o CDS acha que o ensino público e o SNS são maravilhosos e estão muito bem