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A acompanhar este jantar esteve a jornalista de política do Observador, Rita Tavares, que está agora em direto neste jornal. Rita, boa noite. Focando aqui no discurso de António Costa, fez várias referências a antigos líderes. Fez também referência que a primeira maioria absoluta do PS foi obra de Eduardo Ferro Rodrigues e não de José Sócrates, que, de resto, não foi convidado para este jantar por já não ser militante do partido. Eu perguntava-te: há aqui poucas referências ao antigo primeiro-ministro?

Até há bastantes, durante o discurso de António Costa, várias reformas que foram imprimidas pela governação de José Sócrates, por esse período de seis anos em que José Sócrates foi primeiro-ministro, quatro dos quais com maioria absoluta, a primeira que foi conquistada pelo Partido Socialista. António Costa, de facto, referiu aqui o complemento solidário para idosos, o plano tecnológico, as Novas Oportunidades, vários dos programas que foram implementados por esse governo, mas nem sempre referindo, de facto, esse ex-líder que acaba por ser aqui uma figura um bocado, se quisermos, até fantasmagórica, na medida em que paira sobre o Partido Socialista, aparece nos ecrãs quando se refere a esse período da governação, mas depois parece que há algum desconforto em assumir tudo o que esse legado trouxe, não só em termos de reformas, mas também o líder político que José Sócrates foi durante essa altura no Partido Socialista. De resto, foi um discurso em que António Costa acenou com o fantasma do populismo, dizendo aqui que o PS não pode, de facto, baixar os braços, porque há sempre uma nova guerra e classificando o populismo como o próximo inimigo que o PS vai ter de enfrentar.

Sócrates foi um dos ex-líderes que não marcou presença neste jantar, mas não foi o único. Vários antigos dirigentes também não foram. É sinal de um PS dividido?

É sinal de um PS que o António Costa, de facto, não conseguiu aqui reconciliar. Quando conquistou o partido em 2014, era líder António José Seguro. A liderança de António José Seguro foi interrompida a meio pelo atual líder socialista. Isso foi sempre mal entendido e mal interpretado por parte dos seguristas e do próprio António José Seguro, que saiu algo amargurado dessa fase do partido e que desapareu politicamente. Nunca mais fez declarações públicas. É raro que o tenha feito, mesmo muito raro, e António Costa acabou por não conseguir nunca trazê-lo de volta ou fazer essa reconciliação, ainda que nos momentos imediatamente seguintes a essa liderança conseguisse trazer alguns desses elementos do antigo segurismo para as listas de direção do Partido Socialista. Mas nestes grandes momentos e num momento como o festejo dos 50 anos do partido, era de esperar que fosse possível fazer essa reconciliação. O mal-estar com José Sócrates, na verdade, desde a detenção do ex-primeiro-ministro e todo o processo que a Operação Marquês desencadeou, não foi feito e José Sócrates acabou por se desfiliar do partido e o PS agora agarrou-se um pouco a isso para não o convidar para esta festa. Mas outros ex-líderes, como António José Seguro, não compareceram aqui. Outros, mais previsíveis, como António Guterres, que é atualmente secretário-geral da ONU, também não esteve, acabaram por estar apenas, desse leque de ex-secretários-gerais do Partido Socialista, Eduardo Ferro Rodrigues e Vítor Constâncio.