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O jornalista Pedro Jorge Castro esteve esta tarde na Embaixada da Ucrânia em Lisboa. Pedro, estiveste numa reunião na Embaixada. Qual era o ambiente por lá, tendo em conta esta notícia?
Sim, era uma reunião institucional, portanto, foi agendada antes de saber disto. Aliás, eu estava mesmo a chegar e recebi uma chamada da primeira secretária da Embaixada. Até pensei que era pra cancelar a reunião, eventualmente, precisamente por causa de um eventual reforço de medidas de segurança. Mas não, era só para ter a certeza de que eu tinha a morada certa e que estava mesmo a chegar. Na reunião estavam outras pessoas externas, outras pessoas que não trabalham na Embaixada. Uma reunião com seis pessoas, estavam três funcionários, entre os quais o encarregado de negócios, que neste momento está a funcionar como embaixador da Ucrânia. Recorde-se que a antiga embaixadora foi removida do cargo numa rotação diplomática promovida por Zelensky recentemente. O ambiente estava bastante sereno, ou seja, nem sequer havia polícia à porta, para lá daquilo que é habitual. Aliás, há um agente mais a controlar ali quase o estacionamento do que outra coisa qualquer.
Portanto, não notaste um reforço de segurança.
Nada. E a segurança que está até é mais por causa da Embaixada da Turquia, que é ali ao lado e que já foi alvo de tentativas de atentado, do que propriamente por causa da Embaixada da Ucrânia. Mas o encarregado de negócios ia sair depois desta reunião que teve comigo, precisamente para o Ministério dos Negócios Estrangeiros para discutir vários assuntos e ele próprio ia suscitar esta questão de um eventual reforço de segurança na Embaixada. Claro, ainda perguntei com os vários diplomatas com quem estive lá se iam mudar alguma rotina, por exemplo, relacionada com a abertura de envelopes. Eles dizem que neste momento já não fazem isso, ou seja, já há uma empresa externa ou já há colaboradores externos que asseguram essa parte. Sempre que há alguma coisa suspeita, nem sequer abrem, já têm esses cuidados. Mesmo em relação à forma como este acontecimento os transforma a eles num alvo, digamos assim, ou como pode sugerir a ideia de que os funcionários diplomáticos ucranianos um pouco por todo o mundo passem a ser mais um alvo. Eles dizem que já eram, de certa forma, e não sentem que isso se vá tornar mais perigoso. E também, por outro lado, todos eles têm familiares ainda na Ucrânia e não ficaram em mais sobressalto por causa disto, embora é a embaixada da Ucrânia mais próxima de Lisboa, aconteceu uma coisa destas e é normal que fiquem apreensivos à espera de ver como é que as coisas vão evoluir.