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Em estúdio connosgo está a Rita Tavares, jornalista de política do Observador, que assina precisamente este artigo com a Mariana Lima Cunha. Rita, apesar de António Costa não querer fazer uma remodelação maior, no PS até há quem suspire por isso, mas ao mesmo tempo questiona-se aqui se há condições para tal.
Sim, já são sete anos em funções. Muitos casos, muitas polémicas. Nestes últimos nove meses foram aquelas que nós sabemos, com esta hecatombe nesta fase, com a saída de um ministro que é um peso pesado no PS e que tem ambições também futuras, o que cria aqui algum nervosismo relativamente ao futuro, mais a curto prazo, até, já que Pedro Nuno Santos vai assumir o seu lugar de deputado na Assembleia da República. Não sai do governo propriamente satisfeito, evidentemente. Nem porque quer, mas porque teve de o fazer na sequência de uma polémica muito forte. Há muitos socialistas que ambicionavam, por aquilo que falámos nas últimas horas, com uma mudança mais estrutural, e com uma chicotada para dar um sinal de que as coisas agora vão ser diferentes e até com algum desejo de estancar esta cadência de casos e casinhos.
Tem sido uma média de mais de um por mês.
Sim, já é mais do que um por mês neste momento. É verdade que existe essa vontade, até essa exigência que já se coloca ao Partido Socialista e pelo próprio Partido Socialista de acabar com esta sucessão de episódios polémicos, que tem vindo a fragilizar o governo e que tem impacto profundo na gestão e na coordenação política do governo. Mas não parece que isso vai acontecer, porque nós ontem já falávamos disso noutro texto, que é a prática de António Costa como primeiro-ministro, tem mostrado que ele tem muitas reservas, não só em remodelar, às vezes até acumula alguns pedidos, e quando surge um problema, aí remodela. Vimos isso muito recentemente com a alteração que houve depois da saída de Miguel Alves de secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, como ele não só substituiu esse secretário de Estado, como também tirou o secretário de Estado da Economia, num pedido que já tinha há algum tempo pendente no seu gabinete. Portanto, há esta falta de vontade de António Costa de fazer mudanças grandes e estruturais no seu governo. E parece que é isso que vai acontecer, na medida que veio hoje Carlos César fazer um elogio a Pedro Nuno Santos pela saída do ministro, a deixar alguns avisos também ao presidente da República, dizendo que aquilo que ele disse na tomada de posse relativamente à maioria absoluta e como isso tinha conferido uma legitimidade, que tinha conferido um dever ao primeiro-ministro de cumprir o mandato até ao fim. O Carlos César diz é que, além disso, este governo tem uma legitimidade reforçada, como não tinha, por exemplo, de Pedro Santana Lopes em 2004, quando o primeiro-ministro caiu por decisão do Presidente da República, a dissolução da Assembleia da República nessa fase, porque havia muitos episódios associados a essa governação e havia uma grande instabilidade política, mas Santana Lopes não tinha sido eleito primeiro-ministro, tinha sucedido a Durão Barroso depois de ele sair para Bruxelas. Portanto, Carlos César alia dizer que as situações são incomparáveis e no fim dessa publicação que fez no Facebook, que é muito como ele comunica ultimamente, para deixar os seus recados, deixa uma frase que indicia que não vai haver essa alteração maior, dizendo que a posse dos membros, que depois de o presidente da República vir do Brasil, onde está para a tomada de posse do presidente Lula da Silva, será a posse dos membros do governo que estão agora em falta no governo. Ora, isto quando se fala na possibilidade de uma remodelação mais aprofundada, acaba por pôr de parte, coisa que nós confirmámos, evidentemente, junto de fontes socialistas, várias pessoas que nos puderam confirmar que isto é uma coisa que pode ser mesmo assim. Quem está a falar não é uma voz qualquer, é o presidente do partido Carlos César, é um dos principais conselheiros também de António Costa. Portanto, aquilo que ele estará a dizer nesta altura há de ser mais do que lançar uma coisa para o ar.