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Podemos começar já a ligar ao Nuno Gomes e Sapinho, que é a principal recordação. Europeu de 96, o Sapinho no empate um a um. Não, Fernando Couto. Sim, é que foi. Fernando Couto, um a zero contra a Turquia e no Euro 2000, o Nuno Gomes que marcou os dois gols contra a Turquia nas quartas de final.

Portanto, o Fernando Santos agora só tem que começar a organizar-se e perguntar como é que vai estar. Só para confirmar que estão lá as bolas todas certinhas. Temos Portugal, aí está a Turquia, a calhar a Portugal. Gabriel Alves, comecemos por aqui. O que se espera agora deste grupo C, deste caminho C? Temos um Portugal-Turquia, um Itália-Macedônia do Norte. Destas quatro equipes, duas vão chegar a essa final. Como é que podemos olhar já para este Portugal-Turquia?

Desse Portugal-Itália, ou Itália-Portugal, que se falava há pouco e que tanto se espera dele, se chegar a acontecer, a Itália foi sorteada, à partida, com a equipa mais acessível, que é esta Macedônia do Norte. Quanto ao Portugal-Turquia, que é aquilo que nos interessa, de forma particular, é o que nos diz respeito. Para já, Fernando Santos tem que projetar este jogo e tem tempo para o fazer. Tem que planificar muito bem aquilo que vai querer ou não querer, que também é muito importante saber isso e ter isso muito bem em mente. Inclusivamente, do que vai alterar em relação àquilo que vinha fazendo nesta qualificação que nos levou para este playoff. O que é que vai alterar? E eu penso que vai ter que alterar várias coisas, dentro daquilo a que podemos chamar global dinâmica de equipa, a questão do aspeto de ordem defensiva, não é por meter mais defesas que se defende melhor.

Escolha de jogadores também, não é? No fundo, a convocatória também poderá ser bastante diferente.

A convocatória, obviamente. A convocatória vai partir exatamente essa dinâmica em função de quem é que ele vai escolher. Portanto, eu estava a dizer, não é por meter mais avançados que marcas mais gols, e não é por meter mais defesas que defendes melhor. Tem que haver uma dinâmica de equipa, tem que haver um projeto de equipa, tem que haver um plano de ação em que naturalmente a equipa tem que responder, quer às questões de ordem defensiva, quer às questões de ordem atacante. Portugal tem elementos. O Bruno focou, e bem, na abertura desta nossa transmissão, o fator físico em que as equipas e os jogadores poderão estar nos diversos campeonatos. Porque Portugal, repare-se no último jogo com a Sérvia, foram tudo jogadores que atuam no estrangeiro. Repare-se e sublinhe-se que parte deles está no futebol britânico e em grandes equipas que estão em tudo. Portanto, não só na Premier League, como nas restantes provas inglesas, como também na Champions. Daí que, naturalmente, Portugal tenha que ter uma preparação, para já, estrutural e depois uma capacidade de poder responder. Mas eu lembro aqui um assunto que me parece também importante. Fernando Santos tem as suas responsabilidades, e não são poucas, mas os jogadores também. E os jogadores têm que perceber o seguinte: têm que trabalhar no sentido de poderem estar no Catar, porque é no Catar onde a sua montra de mercado é, de facto, a montra última, isto é, a montra capaz de os projetar, a muitos deles, para um futuro imediato importante na carreira futebolística, porque não indo ao Catar, essa montra desvanece. E essa carreira, em termos de mercado, perde valor.

Bruno Roseiro, esta Turquia é uma seleção que em termos defensivos não é extraordinária, mas é uma seleção que vai obrigar a muito trabalho do Fernando Santos, como estava a dizer o Gabriel.

Sim.

Marca muito. Aliás, tirando os gols.

Sinceramente, foi uma das principais desilusões do último Campeonato da Europa.

Mas mudou muita coisa, Bruno.

Exatamente, porque foi essa desilusão. Ou seja, percebeu-se que havia potencial para fazer muito mais do que aquilo que aconteceu no Campeonato da Europa. Sinceramente, também não sei até que ponto, não o resultado, mas a forma como a Turquia perdeu no primeiro jogo com a Itália condicionou ou não o resto da fase de grupos. A verdade é que olhando para aquilo que são os jogadores da Turquia, tinha condições para fazer muito mais e toda a gente antevia que pudesse fazer muito mais naquele grupo A do último Europeu. Não é propriamente uma equipa que não saiba o que é jogar em alta competição. Temos aqui jogadores de Premier League, de Bundesliga, de Ligue 1. Temos o caso do Demiral, que acaba por ser o ponto mais próximo que nós temos a Portugal, porque o Demiral é um central ainda jovem, que nesta altura continua a sua carreira na Série A, mas que entretanto também já passou pela Juventus e que teve esse percurso onde começou no Alcanenense, passou pelo Alcanenense antes de chegar ao Sporting B e depois é que passou para a Itália. Portanto, há essa ligação. Em termos históricos Portugal, por norma, dá-se bem com os jogos com a Turquia. Primeiro ponto, parece-me importante Portugal focar apenas e só a atenção na Turquia, porque o jogo com a Turquia vai ser o jogo que vai determinar aquilo que pode acontecer ou não com a Itália, não só a nível de resultado, mas também a nível de regeneração, seja ela desportiva, seja ela quase emocional. Aquilo que nós vimos no final da Estádio da Luz foi uma equipa derrotada.

Eu até usava uma palavra, Bruno, desculpa, esfrangalhada.

Sim, eu estive no Campeonato do Mundo de 2018 e no final do jogo com o Uruguai, a maneira como eu olhei para os jogadores portugueses era, como é óbvio, estavam desiludidos com a derrota, achavam que podiam ter conseguido muito mais, mas tinham noção a equipa que tinham defrontado naquela altura, que tinha Cavani, que tinha Suárez, que era uma equipa muito batida, que tinha Tabárez no banco, que está agora de saída do Uruguai, e tinham consciência que era um jogo que podia ter caído para qualquer um dos lados. Aquilo que eu vi agora a seguir ao jogo com a Sérvia foi uma equipa cabisbaixos, completamente desmoralizada e ciente de que tinha mais do que capacidade de ganhar o jogo à Sérvia, mas que a Sérvia foi sempre a melhor desde o primeiro minuto, independentemente até ter começado a perder. Portanto, existe essa parte de regeneração que é preciso fazer a nível de seleção, preocupação total com a Turquia. O jogo com a Itália, se vier a acontecer, e Itália é muito mais favorita com a Macedónia do Norte do que Portugal é com a Turquia, em termos teóricos, claro está. Se vier a acontecer, eu diria que também não é preciso estudar muito a Itália porque Portugal conhece bem a Itália. Há uma outra curiosidade também que agora me passou pela cabeça. Antes da derrota da Itália nas meias-finais da Liga das Nações com a Espanha, a última derrota da Itália em termos de jogos oficiais tinha sido exatamente com Portugal em 2017, num jogo da fase de grupos da Liga das Nações, com o golo do André Silva. Depois a Itália fez todo aquele percurso de 35, 36 jogos sem qualquer derrota no plano oficial, antes de perder essa meia-final com a Espanha, curiosamente em casa.