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Junta-se a este jornal o Bruno Roseira, editor do desporto do Observador. Esteve muito atento ao jogo, até porque esteve a fazer o live blog na página do Observador. Bruno, bom dia. O que é que destacas? Portugal foi sempre mais forte. Há alguma jogadora que se tenha destacado no jogo?
Bom dia. Eu diria que o coletivo acabou por imperar. Portugal foi sempre o mais forte. Tremeu naquela parte final, nos últimos cinco minutos, já depois de ter desperdiçado várias oportunidades para acabar de vez com o jogo. Voltou a ter a sua estrelinha. É normal, naquele contexto, surgir uma grande penalidade, mas ainda assim acaba por conferir justiça a um jogo onde, sobretudo, realça-se exibições que, de facto, fazem a diferença. As duas centrais não só marcaram os gols, mas tiveram um jogo praticamente irrepreensível. A Jéssica e a Diana na frente conseguiram também fazer a diferença. Para mim, a chave de tudo isto tem a ver com a maneira como se consegue encarar aquilo que é o jogo de uma vida, não perdendo o prazer desse mesmo jogo. Ou seja, quando nós olhamos para as imagens que ficam, é a de Francisco Neto hiperconfiante na altura do início do jogo, é a de Kika Nazaré a dançar enquanto não começava a segunda parte. Portugal conseguiu abstrair-se por completo da ansiedade normal e da pressão que este jogo iria certamente trazer, e consegue aquilo que é, na minha ótica, um fechar do último capítulo desta geração de ouro. Já tinha ido a dois Europeus, consegue ir agora a um Campeonato do Mundo e está a montar as bases para, num projeto a médio e longo prazo, conseguir paulatinamente aproximar-se daquelas que são as seleções do primeiro patamar mundial.
E agora tem pela frente, já disseste, com este currículo, o mundial. Até onde é que a seleção pode ir, Bruno?
Muito objetivamente, é muito provável que Portugal acabe por ficar na fase de grupos. Tem pela frente os Estados Unidos, que é uma das melhores equipes do mundo. E tem também os Países Baixos, que em 2017 foram campeões europeus. Agora, por exemplo, podemos recordar que no último Campeonato da Europa, independentemente da diferença que existe em relação aos Países Baixos, Portugal consegue levar o jogo até à última e perde 3x2 com os Países Baixos, portanto, sinal de que está a existir essa evolução e está a existir essa aproximação. Nesta altura, o mais importante é, pela primeira vez, Portugal consegue ir à fase final de um Campeonato do Mundo, e apenas em seis anos consegue ir a três fases finais, dois Europeus e um Campeonato do Mundo. Daqui para frente, diria que estão lançadas as bases para podermos não só participar dessas fases finais, mas também ter a ambição de passar a fase de grupos. Algo que, perante este grupo que temos agora neste Campeonato do Mundo, na Austrália e na Nova Zelândia, não será propriamente fácil, mas temos as condições, temos talentos, temos sobretudo novas gerações que estão a aparecer e que garantem que o futebol feminino não é um fenômeno que apareceu de repente, é um fenômeno que chegou a este ponto com vários anos de trabalho e que tem todas as condições para continuar e, portanto, não ficará por aqui. Este fecha o último capítulo de uma geração de ouro, mas vai abrir-se um novo livro, porque o futebol feminino veio para ficar.