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Este podcast é da responsabilidade da CIP, Confederação Empresarial de Portugal, em parceria com a Randstad.
Podcast "Everyday Hero". Este é o podcast que vais querer ouvir sobre o mundo do trabalho. Procuras emprego? Não sabes como pedir um aumento? Estas e outras dicas quinzenalmente no podcast "Everyday Hero", da Randstad Portugal.
Olá, bem-vindos a mais um episódio do podcast "Everyday Hero". O meu nome é Mariana Mota e hoje trago-vos o quarto episódio da terceira temporada das "Promova Talks", um projeto da CIP em parceria com a Randstad. Para a conversa de hoje, tenho comigo Marta Pita e Cunha, vê se não me engano, porque esta função tem um nome extenso, que é General Manager das Dr. Wells Clinics e Keep Wells Health Insurance. Disse corretamente?
Está correto, sim.
E tenho também comigo a Érica Pereira, que é Associate Director da área de professionals da Randstad Portugal. Bem-vindas!
Obrigada.
E quero desde já também agradecer o facto de terem aceite este convite para estar aqui conosco durante este bocadinho. E para começar, como já tínhamos falado, queria que se apresentassem brevemente, para falar um pouquinho sobre o vosso percurso profissional e sobre quem vocês são enquanto pessoas e também o nosso famoso fun fact. Gostávamos de perceber o que vocês têm para nos contar. Marta, se calhar começamos contigo.
Muito bem. Eu começo por agradecer. Muito obrigada pelo convite. Tenho mesmo muito gosto em participar. O meu nome é Marta Pita e Cunha, sou responsável por uma área de serviços de saúde na AMC, que compõe as clínicas Dr. Wells e os seguros de saúde Keep Wells. Mas, na verdade, não vai ser por muito mais tempo, porque estou prestes a transitar para um novo desafio, mas já falo um bocadinho sobre isso. Também gostava de comentar, antes de me apresentar, que foi um privilégio fazer parte da terceira edição do programa Promova. E acho que, agora que estou em transição, que gerou bastantes reflexões, que me ajudaram a preparar o meu próximo desafio e, portanto, foi mesmo relevante e muito útil na minha experiência. De modo geral, tenho uma experiência na área de grande consumo, muito ligada às áreas de saúde e beleza, muito foco no consumidor. Gosto muito de estar sempre a aprender e, portanto, tipicamente, fui sendo atraída por empresas que são grandes escolas, como a Procter & Gamble, a L'Oréal, a Reckitt. Nestas três tive mais de 10 anos e, portanto, é o grosso da minha experiência profissional. Mas na verdade também, apesar de ter estado sempre em grandes empresas, sou muito apologista do conceito de entrepreneurship, que é ser sempre empreendedor dentro de uma organização, que é um aspeto que cultivo muito e que penso que me diferencia um bocadinho. Um fun fact, para falar da minha experiência, vivi 15 anos fora de Portugal, em sete países diferentes, aliás, seis, porque um dos sete é Portugal, e em três continentes diferentes. Isto tudo começou com um bichinho, aos 16 anos fiz um programa de intercâmbio nos Estados Unidos e aí encontrei um método de ensino superdiferente, muito mais student-led e que me identifiquei muito mais. E na verdade, nessa altura fiquei tão entusiasmada que, nos Estados Unidos, sendo a única estrangeira, era a melhor aluna da aula de inglês, que era um bocadinho irónico.
Sim.
E aí nasceu esta vontade de viver e estudar fora, percebi que há todo um mundo lá fora. Toda vida viajei muito, mas é completamente diferente ter uma experiência vivida e acabei por fazer um curso de Psicologia e um mestrado no Reino Unido. E quando voltei para Portugal, percebi rapidamente duas coisas: a primeira era que queria voltar a viver fora de Portugal e conseguir explorar o mundo com esta profundidade maior, que é viver em países diferentes. E a segunda coisa que eu percebi foi que a área que eu gostava de desenvolver na minha carreira, ou na minha experiência profissional, que era a parte de gestão de negócio, e decidi fazer um MBA para completar os meus skills e as minhas capabilities nesta área. E portanto, long story short, daqui seguiu-se um ano em Paris, 10 meses em Hong Kong, um ano em Londres, três anos em Manila e três anos no Dubai, até voltar a Portugal em 2019.
Uau!
E quando voltei, já era mãe de três filhos, nascidos nas Filipinas e no Dubai, já era uma pessoa totalmente diferente. E este regresso foi um bocadinho inesperado. Em 2019, o meu pai ficou bastante doente e na mesma altura, o meu marido perdeu o trabalho e foi uma epifania, quase que de um dia para o outro decidimos: "Vamos para Portugal". Profissionalmente, foi bastante difícil voltar, passar de mercados de grande dimensão para Portugal, que apesar de ser um país extraordinário, tem uma dimensão muito pequena e tem muito menos oportunidades, são mais escassas. Mas, no fundo, voltei a esta aventura, procurei uma empresa onde sentisse que tivesse "fit" cultural, de valores, etc. E na altura, juntei-me à AMC como diretora de marcas próprias do pilar de Health, Wellness and Beauty. E apesar de, na altura, a função implicar um passo atrás profissionalmente, foi uma porta de entrada, foi um desafio superdivertido, onde tive a oportunidade de criar impacto e de criar várias marcas, várias categorias e foi uma experiência que gostei mesmo muito. Há perto de dois anos foi-me posto um novo desafio, o desafio atual, que é completamente fora da minha zona de conforto, como responsável da área de serviços de saúde. E por um lado, foi excelente poder acelerar a minha curva de aprendizagem Mas eu tive muitos desafios, muitas conquistas. Recentemente, foi anunciada aqui a venda do negócio da Doctor Wells para um grupo prestador de serviços, para a qual eu contribuí e, portanto, agora estou em vias de transição para um novo desafio, que ainda não posso partilhar, mas que acho que é um momento interessante.
Que é refletires, e sobretudo tendo em conta o tema que nós já lá vamos. Mas também quem esteja a ouvir já viu o título do episódio, por isso também já vai perceber que o tema está relacionado com a carreira profissional, mas sim, já é a altura ideal para termos esta conversa, portanto.
Exatamente.
Obrigada. Érica, e agora gostava que te apresentasses também aqui brevemente e que desse o teu fun fact.
O meu nome é Érica Pereira, tenho dois filhos, uma Mariana e um Francisco, e a minha carreira tem sido aqui à volta da consultoria, no cômputo geral. Iniciei na consultoria, depois estive seis anos em cliente final e já mais à frente também falaremos um bocadinho aqui desta experiência. E depois senti vontade de voltar à consultoria novamente. Estou na Randstad há quase 10 anos, desta minha última experiência ou deste último regresso à Randstad, há quase 10 anos, e acabo aqui neste momento por liderar a equipa do escritório de Lisboa de recrutamento especializado, que ao dia de hoje tem aproximadamente 30 pessoas. Acaba por ser uma função que, para mim, me orgulha bastante, porque temos vindo a crescer ano após ano e acho que nós temos que dizer isto, fruto daquilo que é a nossa gestão. Acho que as coisas não acontecem por acaso, nem por sorte. E acho que nós temos que efetivamente dar uma primazia ou, de fato, enaltecer aquilo que é a nossa função enquanto gestores de equipa. Dizer também que participei na segunda edição do Promova e para mim também foi muito importante esta participação. Acho que foi ali um momento também de viragem e de perceção daquilo que é o papel da mulher nas organizações, da importância que a nossa opinião tem que passar a ter e da voz muito mais ativa que nós temos que ter e muito mais em processos de tomada de decisão. Embora tudo aquilo que se fale, que acabamos por ter que mostrar muitas vezes o dobro daquilo que os nossos pares, talvez de outra maneira, tenham que fazer. Mas acho que passei a ter uma visão muito mais aberta e vincada daquilo que é o nosso papel e com isso trazer para as minhas equipas exatamente também essa importância. Também para não me alongar muito, dizer que, ou se calhar aqui passando ao fun fact. Na verdade, eu nunca planeei muito aquilo que queria ser. Portanto, na verdade, o que eu sabia era aquilo que eu não queria ser. E na altura, quando tive que escolher um curso superior, foi muito baseado naquilo que eram as minhas aptidões mais sociais do que tanto uma vertente mais técnica. Sempre fui uma pessoa muito mais orientada à parte da sociedade, das pessoas. Sempre trabalhei com crianças desde muito nova e para mim, eu sentia que seria e que era uma mais-valia neste trabalho que eu fazia com pessoas, independentemente da sua idade. E então, na altura escolhi Gestão de Recursos Humanos. Obviamente que o curso acaba por não nos dar exatamente aquele papel que nós temos que ter e que ainda hoje isso acontece, infelizmente, mas é um percurso que ainda hoje não se coaduna muito com a necessidade do mercado, é verdade. Mas, de fato, quando terminei e ingressei na Randstad, achei que faria todo o sentido e aquilo que tem vindo a ser a minha progressão não tem sido nada planeado, tem sido projetos e propostas que me têm sido apresentadas e se calhar, por ter a sorte de trabalhar com pessoas que apostam em pessoas, tenho tido essa oportunidade de ir mostrando o meu valor, de ir conseguindo resultados, não por sorte, por mérito e com muito trabalho, mas tenho conseguido apresentar resultados e o caminho tem vindo a ser desenhado um bocadinho, não às escuras, mas pensado, não planeado, mas pensado, e os projetos têm sido abraçados com toda a garra que eles merecem.
Ótimo. Bom, vocês as duas acabaram por já fazer aqui uma introdução supercompleta ao que nós vamos agora falar, mas não há problema. Agora vamos ter tempo então para estar aqui a esmiuçar um bocadinho mais os vossos percursos, porque é mesmo isso que nos trouxe aqui. Ou seja, nós hoje queremos explorar as oportunidades e os desafios que todos podemos agarrar e ultrapassar ao longo das nossas carreiras profissionais. Vocês aqui já deram alguns exemplos daquilo que pode surgir. E então nada melhor para falar sobre este tema do que tendo por base os vossos percursos, que certamente são inspiradores. De um lado, temos alguém que viajou muito, que teve um percurso sempre a mudar do local, e do outro, alguém que acabou por saber ou tentar olhar mais para si e perceber aquilo que gostava, onde é que era boa, como é que conseguia ajudar as pessoas e qual seria o seu maior propósito, e acabou por seguir muito sempre esse percurso, sempre indo atrás daquilo que realiza. Na verdade, acaba por ser isso, certo, Érica?
Sim.
Começando aqui então pela Marta, e tendo em conta que, como já explicaste, parte do teu percurso profissional implicou, de fato, andares aqui a mudar muito de país, entre Londres, Filipinas, Dubai, falaste também Hong Kong, Estados Unidos, e acabaste depois por regressar a Portugal. Todas estas fases da tua carreira certamente que implicaram grandes mudanças na tua vida pessoal e profissional. Também já percebemos que os teus filhos acabaram por nascer fora de Portugal, portanto, houve aqui muita coisa à mistura. Como é que se planeiam mudanças destas dimensões numa carreira e como é que acaba por se gerir estas mudanças?
Eu acho que, para mim, é um mix entre o planeamento e um bocadinho uma vontade de descoberta e uma postura de abertura à mudança. Eu acho que o mais importante e o ponto de partida mais relevante é ter uma direção clara. Mas uma direção, não planees tanto uma direção apenas e que depois venha permitir abertura às oportunidades que vão surgindo. Eu acho que se não havendo direção, este processo de mudança pode tornar-se contraprodutivo, portanto, mudar só por mudar não faz sentido. No meu caso, o que é que eu sabia à partida? Sabia que queria ter uma carreira internacional, sabia que era na área de gestão de negócio, sabia que me entusiasmava por esta ligação à saúde e beleza. Desde o princípio da minha carreira procurei desafios nesta área. Também percebi rapidamente com que culturas é que me identifico mais, dinâmicas de inovação, etc. E também que preciso de desafio e de estar sempre a aprender para, no fundo, também me sentir a evoluir. E depois deste guia largo, aí então surgiram oportunidades. Ou seja, não defini exatamente que países queria viver, não defini que empresas ou que funções é que queria trabalhar. Ou seja, o plano depois ficou largo. Acredito também que depois somos nós próprios que vamos criando as oportunidades, umas que surgem quase como por sorte, outras que somos nós que vamos criando e, portanto, é um mix dos dois. Depois também tive imprevistos. Há pouco falei no regresso a Portugal, que não foi planeado, que foi uma decisão quase abrupta. Há outros exemplos deste tipo de imprevistos, mas também com família torna-se muito mais complicada a questão da mudança. Passa a haver duas carreiras para gerir, passam a importar outros tipos diferentes de fatores, as culturas dos países, as escolas, etc. E, por exemplo, há uns anos tive uma proposta daquelas super interessantes, com uma grande evolução profissional para a Turquia, mas que nem sequer considerei, com alguma pena, porque não achei que fosse o país ideal para educar os meus filhos. E aí começa a complicar um bocadinho mais nesta fase.
Ok, então aqui acaba por pesar muito, não é? Porque no início vamos sozinhos, vamos sozinhas, neste caso, mas depois começamos a ter mais bagagem, acabamos por formar família e acabamos por ter que pensar para além de nós.
Eu ia só acrescentar que antes de ter família era muito fácil. Tinha um objetivo, dedicava bastante à preparação. Tinha que gerir também com a família em Portugal, porque o tema da partida é sempre sensível. Aqui, em especial, com a minha irmã, que usou todo o tipo de chantagens psicológicas para voltar, mas que eventualmente conseguiu. Depois, em família, torna-se muito mais complicado. Eu acho que um dos princípios que nós sempre usámos em família foi que sempre tivemos o entendimento claro de que seguiríamos o melhor cenário para a família como um todo, e não o melhor cenário para a pessoa A ou para a pessoa B. E quando fomos para Dubai, por exemplo, tínhamos decidido nessa altura procurar oportunidades na Europa, mais perto da minha família, mas na altura o meu marido recebeu a proposta irrecusável no Dubai e lá fomos nós todos, eu com algum nível de risco, mas acabei também por depois ter uma proposta da L'Oréal, onde já trabalhava nas Filipinas. Mas foi um risco calculado e foi uma decisão com base no melhor para a família e não o melhor para a carreira de um ou para a carreira de outro.
Érica, no teu caso, tens algum período na carreira em que tenhas tido uma mudança com algum impacto considerável na tua vida, ou foi sempre muito estável? Não sei se tens aqui alguma coisa que queiras partilhar, alguma mudança, tenha sido ou não planeada.
Sim, eu acho que há pouco estávamos a contar que nós só quando temos estes momentos é que paramos um bocadinho para pensar naquilo que é a nossa carreira e naquilo que temos vindo a fazer e nas conquistas também que vamos tendo e se calhar os obstáculos ou os imprevistos que vão surgindo e que nós rapidamente conseguimos contornar, sem às vezes dar a importância que eles de fato tiveram. E se calhar esta retrospetiva que eu fiz, eu iniciei a minha carreira em consultoria, tive dois anos em consultoria, e quem é desta área de recursos humanos tem muita vontade também de experimentar o cliente, ir para dentro da casa do cliente e trabalhar estas temáticas dentro do cliente. E eu não fui diferente, também tinha muito esta vontade, porque nós em consultoria trabalhamos com vários clientes, conhecemos várias realidades, e tinha vontade de desenvolver algumas temáticas neste campo, que em consultoria nós não conseguimos, pelo menos esta consultoria ligada ao recrutamento. E fui, e estive durante seis anos. E durante esses seis anos, eu sempre tive um pouquinho aquele foco do trabalhar muito com pessoas, mas desenvolver as pessoas. E eu acho que esse é o meu propósito, é muito trabalhar junto das pessoas, desenvolvê-las e depois olhar para aquilo que essas pessoas trazem. Não o que eu trago diretamente, mas o que elas trazem face ao trabalho que eu vou fazendo com elas. E sempre tive muito esse mindset. E eu acho que durante esses seis anos, eu sempre estive muito focada em conseguir isso, e isso não aconteceu, de fato. Ou seja, não posso dizer que foi um tempo em que eu não tive frutos, mentira, porque de alguma forma fui crescendo e fui conhecendo outras áreas, mas era um foco que eu tinha e que não realizei nessa área, por diversas vicissitudes, porque muitas vezes também temos pessoas acima de nós ou que surgirão oportunidades para essas pessoas e para outras não irão existir, dentro daquele timing. E na altura foi tomada uma decisão de não é por aqui. Nós vamos adiando a nossa vida pessoal, alguns projetos pessoais É em prol de algo que temos em mindset, queremos que aconteça e às tantas não estava a acontecer. E foi quase um: "Não, temos que repensar, se calhar, um pouco, porque o caminho por aqui pode ser mais longo do que aquele que eu perspectivo ou que eu tenho em mente para atingir." E então acabo por regressar novamente à consultoria. E é muito engraçado, porque desde que eu regressei, essa progressão acabou por ser muito rápida. Portanto, eu rapidamente consegui atingir, quer níveis de responsabilidade, quer o nível de autonomia, quer uma série de características e de competências que, se calhar, no mesmo espaço de tempo eu não adquiri. Portanto, aqui houve efetivamente uma grande mudança, que eu tenho que enaltecer em termos de impacto, porque nestes últimos anos que tenho estado na Randstad, os projetos têm efetivamente surgido e às tantas parece que não estou na mesma empresa, e isso tem sido desafiante. Portanto, continuo na mesma empresa, mas às tantas parecem empresas completamente diferentes cada vez que surge um-
Um projeto novo.
Sinto também a necessidade de agarrar algo semelhante numa outra empresa. Para mim, isso não me faz sentido, mas tem acabado muito com base nos resultados que vamos alcançando, com base nos projetos que a empresa vai trazendo e obviamente nesta aposta que vai sendo feita. Tenho feito este caminho e me sentido bastante realizada com isso.
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E agora pegando aqui na questão que eu tinha tecido, que era se vocês pudessem voltar atrás, se havia alguma coisa que fariam diferente. No teu caso, eu diria que não, porque aquele período em que estiveste ali, mas que se calhar não tiveste os resultados que estavas à espera, foi basicamente isso que fez com que depois mais tarde, tu percebeste: "Ok, não, afinal eu sou boa nisto, eu preciso é de seguir este caminho, por isso eu vou por aqui." Mas se calhar, se não tivesse tido esse período e esse acordar, digamos assim, para aquilo que estava a acontecer, se calhar agora não sei, se calhar não estarias tão realizada ou se calhar teria sido diferente. Por isso não sei se concordas comigo.
Concordo contigo e acho que a lição ou aquele ensinamento que nós podemos tirar, acho que depois se prende um bocadinho com o arriscar. A Marta há pouco falava também da questão do arriscarmos. Eu diria que se calhar poderia ter arriscado mais cedo. Mas aí está, isso é a visão que nós temos agora depois de passarmos, não é? E depois quando paramos e olhamos para trás. No momento, não é isso que ocorre, mas eu diria que se calhar poderia não ter deixado passar o tempo que passou. Poderia ter arriscado mais cedo, poderia ter tomado uma decisão, se calhar, de tentar algo diferente mais cedo. Fora isso, não-
De resto, não havia nada.
Não havia mesmo, não. Aprendi sempre muito e sinto-me bastante orgulhosa de tudo aquilo que fui aprendendo e conquistando.
Marta, no teu caso, se tivesses que pensar no momento que teve um impacto no rumo da tua carreira, consideras que seria a experiência, o intercâmbio que tiveste nos Estados Unidos, ou há aqui outro momento que também teve um impacto? Aliás, no teu caso, até devem ter existido vários momentos, tendo em conta que foste mudando tanto, certamente tiveste mais do que um.
Sim, eu acho que o momento que originou foi este momento dos Estados Unidos, até se calhar por ter sido tão jovem na altura. Mas sinto que houve vários momentos, várias stepping stones, que depois foram definindo e com muitos desafios. E identifico-me bastante aqui com a resposta da Érica, esta questão de o que é que eu mudava. Na verdade, apesar de ter tido imensas dificuldades, etc, eu não mudava nada, porque eu sinto que se calhar foram essas dificuldades também que contribuíram para a resiliência e para o passo seguinte. Se calhar, dá um exemplo. Eu fui acabar a minha MBA para Hong Kong, porque gostava muito de viver na Ásia. Ou seja, sabia que a Ásia eram mercados em expansão, a Europa estava numa fase de maturidade completamente diferente e, portanto, queria muito passar por isso, mas estive lá 10 meses e em 10 meses, porque não falava mandarim, continuo sem falar mandarim, e não conseguia encontrar um desafio profissional que na altura considerava à altura e, portanto, daí fui um bocadinho triste de Hong Kong para Londres trabalhar, mas mais tarde, e aí já com um conhecimento bastante diferente e sabendo que as Filipinas também uma das línguas oficiais é o inglês, voltei para as Filipinas e senti-me já muito mais preparada e aí, aí sim, demorei depois 21 dias a fechar uma proposta de trabalho. E, portanto, apesar de sim, ter saído de Hong Kong com bastante frustração, senti que teve um propósito e que também contribuiu para eu amadurecer. Dito isto, houve vários momentos decisivos. Eu acho que sim, começou pelos Estados Unidos, mas depois tive vários. Comecei a estudar Direito, porque queria ser diplomata, rapidamente percebi que não era por aí. Fiz o curso de Psicologia porque queria ir para consultoria de Recursos Humanos, também percebi que não era por aí. E quando finalmente cheguei a uma função de brand management, eu pensei: "É isto". E os meus olhos brilharam e pensei: "É isto". E, portanto, eu acho que temos falado muito do percurso geográfico, mas também, em paralelo, há o percurso Profissional. Apesar de ter havido várias alterações geográficas, o percurso profissional tem vindo a ser muito consistente e até, no fundo, cada experiência a trazer mais para a experiência anterior. Tive esse momento "aha!" no que toca à parte funcional ou da área, quando tive a minha primeira experiência num tipo de cultura e num tipo de função em gestão de marca. E depois foram estas duas linhas em paralelo, a geográfica e a profissional, a tomar os seus rumos, sempre aberta às novas oportunidades.
Exato. Estamos sempre a aprender. Mesmo que alguma coisa tenha acontecido que possa ter sido menos positiva, acaba por ter um impacto que, no futuro, nós olhando para trás percebemos: "Ok, isso tinha que acontecer, foi necessário para onde eu estou, e onde eu estou, estou bem." Por isso, eu concordo 100% com as duas. Eu acho que mesmo que tenha acontecido alguma coisa negativa no passado, ou mesmo que haja dificuldades, são elas que fazem aquilo que nós somos hoje, por isso não podia estar mais de acordo. E agora, olhando para aqueles momentos mais decisivos em que nós temos que tomar, de facto, a decisão de arriscar, de mudar de carreira, e para quem tem algum receio em arriscar ou que demora tempo a tomar estas decisões, e nós sabemos que quando uma oportunidade surge, muitas vezes nós temos que dar uma resposta quase imediata. O que diriam que deve ser tido em consideração nestes momentos decisivos? Marta, se calhar, começamos agora por ti.
Olha, eu na verdade sigo uma filosofia desde sempre, que é: eu quero evitar arrependimentos. Eu não gosto de me arrepender e eu sinto que o evitar a um desafio, fugir ao risco, não decidir ou evitar, acho que isso vai criar arrependimentos, porque o arriscar e correr mal valoriza. Um bocadinho alinha com o que estávamos agora a conversar. Aí, pelo menos pessoalmente, eu não sinto que gera o mesmo nível de arrependimento, porque tentei, construí, foi difícil, não foi, etc. E eu acho que isso é super relevante. Eu acho que falávamos há pouco das mulheres e muitas vezes, e se calhar uma das características que podem, de modo geral, as mulheres robustecer é esta coisa de abertura ao risco. Todas as pessoas, mas as mulheres em particular. E a minha recomendação aqui é que sejam avaliadas todas as oportunidades, porque a carreira é quase de graus, e alguns degraus são lineares e são altos, outros degraus são para o lado, para baixo, e alguns são para baixo, mas depois têm uma catapulta no fim e, um bocadinho também ligado aqui à partilha da Érica. Eu acho que todas as oportunidades devem ser avaliadas, porque por vezes, se calhar, não é a função que mais gozo nos dá, mas que nos desenvolve competências super relevantes para aquilo que procuramos mais à frente. E eu acho que, por um lado, é avaliar todas as oportunidades, mas depois, por outro lado, e um bocadinho mais ligado às novas gerações e um bocadinho em contraposição, nós temos uma geração Z que se calhar abusa um bocadinho do job hopping, e que em média, cada dois anos ou dois anos e alguns meses, troca de desafio, porque afinal não era este. E eu acho que é preciso também avaliar todas as oportunidades, criar oportunidades, muito networking, muita abertura a diferentes áreas e estarmos sempre a desenvolver-nos, mas também com algum equilíbrio, e não saltarmos para todas as oportunidades só porque sim.
E se calhar, até agora que estavas aqui a referir o saltitante, digamos assim, entre empresas, entre funções diferentes. Se calhar, até dentro da própria empresa, basta abraçar um projeto diferente, uma função diferente, falar com o manager, falar com alguém que esteja dentro da área de recursos humanos, por exemplo, e dizer: "Não estou satisfeito com aquilo que tenho atualmente, com aquilo que faço atualmente. Há alguma outra função onde eu possa fazer isto ou aquilo e onde me possa sentir mais realizado?" Eu estou a pensar, por exemplo, no caso da Hand Talk, nós temos mobilidade interna e isso é completamente possível. Ou então, pegando aqui no exemplo da Érica, que vais tendo projetos diferentes, e que é isso que também acaba por tornar a tua função e o teu trabalho no dia a dia sempre estimulante e sempre com desafios diferentes. No teu caso, o que achas que as pessoas deviam considerar nestes momentos de decisões importantes na mudança de carreira?
Olha, Mariana, eu acho que eu concordo com a questão do arriscar. Acho que nós temos que arriscar mais. Temos que não ter tanto medo daquilo que virá a seguir, confiarmos em nós e nas nossas capacidades, e isso vai permitir, de facto, avançar. Mas acho que temos que ter a consciência de que não podemos arriscar em tudo. Vai depender da idade, vai depender do período em que eu estou, vai depender da organização onde eu estou e para onde eu quero ir. Porque, na verdade, o risco em eu arriscar com 25 anos é diferente do que eu arriscar com 40 ou com 50. Não podemos colocar de parte toda esta responsabilidade, porque à medida que vamos crescendo e evoluindo, a nossa bagagem vai ficando maior. Temos família, temos filhos, temos uma responsabilidade aqui muito mais acrescida do que se formos indivíduos únicos, por assim só. Acho que o arriscar faz parte em qualquer altura da nossa vida, desde que seja feita com toda a ponderação. Claro que sim. A tomada de decisão acho que tem a ver também de pessoa para pessoa. Acho que nós não nos devemos sentir pressionados em tomar uma decisão só porque eu tenho que tomar uma decisão. E aí cada um de nós, com base naquilo que são as nossas vivências Temos que perceber que o meu tempo de tomada de decisão é diferente ao tempo que outra pessoa pode ter que tomar e não é por isso que aquela pessoa é melhor que eu. Aquela pessoa toma uma decisão mais rápida do que eu, porque assim é, porque cada tem o seu timing. E isso não quer dizer que a decisão dela vai ser melhor que a minha ou que a minha vai ser melhor que a dela. Eu acho que neste caso, e se calhar falando um pouquinho das gerações e o fato desta nova geração sentir necessidade disso, eu acho que a própria geração não sabe muito bem também aquilo que quer. E está tudo bem. Nós também não sabíamos quando saímos da faculdade ou quando procuramos a faculdade. O que eu acho é que cada vez mais eles não sabem aquilo que querem e andam mais tempo à procura daquilo que efetivamente os realiza. E por isso se movem mais por projeto. E o fato de se moverem por projeto, faz com que possivelmente eles também dentro da própria empresa não procurem um outro projeto, porque às vezes não se identificam com a cultura. Eles estão pelo projeto, não estão por mais nada. E aí já é um tema mais cultural a nível organizacional para trabalhar as suas pessoas internamente. Mas acho que efetivamente as gerações têm que ir experimentando, como nós também experimentamos na nossa altura, e aí está. Eu experimento com 20, 25, 26, 27, mas se calhar aos 40 já não vou experimentar tanto assim. Mas eu acho que o foco é muito tentarmos encontrar dentro de nós o nosso propósito. E hoje em dia fala-se muito qual é que é o meu propósito na empresa, qual é que é o meu propósito na sociedade, e perceber, ao fim e ao cabo, como é que eu posso ajudar tanto a minha organização como a mim própria em termos de evolução enquanto ser humano. Este caminho nem sempre é fácil e na maior parte das vezes é um caminho, às vezes quase o caminho das pedras, como se costuma dizer, porque nós às vezes passamos uma vida sem nos encontrarmos, mas acho que se as organizações também derem tempo e espaço e ajudarem a que isto aconteça, acho que as empresas também sairão muito mais ricas, porque trabalharão e terão pessoas a trabalhar nelas que se entregarão muito mais ao propósito e aos resultados.
Ótimo. É que eu acho, por pegar aqui um pouquinho no nosso tópico seguinte, mas acho que fez todo sentido para aquilo que disseste. Em relação, por exemplo, às gerações, nós temos aqui e vemos claramente que consoante a idade que tenhamos, que a mudança na carreira tem um impacto diferente, e já percebemos isso. E já percebemos também que a questão de pensar uma carreira nem sempre é algo fácil, ou seja, por vezes são planeadas as mudanças que nós temos, outras vezes vai acontecendo à medida que a vida também vai avançando. E agora eu queria tentar aqui, para terminar, temos aqui alguns conselhos, e pegando no caso dos mais jovens, ou seja, alguém que está a iniciar a sua carreira, que conselho é que poderiam dar, tendo em conta tudo aquilo que vocês já passaram e as vossas experiências? Marta, se calhar, começando dessa vez por ti.
Combinado. Eu acho que o primeiro conselho é aprender. Porque eu acho que essa é uma fase em que devemos ser esponjas e estar mesmo focados a aprender. E, portanto, um bom dia é "estou a aprender ou não estou a aprender?" E eu acho que isso é muito importante. O segundo é que cultura é importante, e eu penso que as pessoas muito jovens quando começam aqui no mercado de trabalho, não têm essa noção de que, de fato, há diferenças culturais e eu acho que descobrir isso e descobrir fit cultural é muito importante. Depois também o mundo é pequeno. Eu, por exemplo, neste momento, trabalho na mesma empresa que várias pessoas que trabalhei na minha primeira experiência profissional no ano 2007. E, portanto, o mundo é pequeno e eu acho que é bastante importante lembrarmos disso. E, portanto, "what goes around, comes around." É sempre importante não nos esquecermos disto e deixarmos uma boa impressão. As coisas podem não correr bem, mas devemos deixar sempre uma boa impressão. E também de estarem abertos, de criar as oportunidades. Como eu dizia há pouco, as oportunidades não surgem só e, portanto, são as próprias pessoas que as vão criando. Depois, networks, com a abertura, e há de haver bastantes oportunidades que vão surgir.
Érica.
Concordo em absoluto com a Marta. Acho que é importante perceberem exatamente a importância que eles têm, perdão pela ressonância, perceberem a importância que têm dentro das organizações, aprenderem ao máximo, escutarem muito e tirarem aqui, de fato, o maior partido dos perfis mais seniors, que têm mais experiência. E muitas vezes vemos que eles acham que já vêm com uma série de conhecimentos que não têm. E depois, aliado a isso, o fato de ser uma geração muito diferente, também. Acham que são donos da razão, muitas vezes, não estão tão aptos a ouvir e acho que ganharão muito mais a escutar. E está tudo bem cada um ter a sua opinião, e ainda bem que têm, porque é importante também sermos desafiados por novos pensamentos e por novas formas de estar e formas de pensar. Mas acho que é importante também não perdermos aqui o foco e o propósito de que é feita as empresas. As empresas são feitas de negócios e nós enquanto colaboradores, acho que temos que ter muita noção de que não estamos a brincar. Portanto, aquilo que eu faço é efetivamente em prol de algo que vai gerar uma determinada contribuição. E quando se entregam, que se entreguem a 200%. E aí está, se no fim do dia sentirem que não são reconhecidos, então se calhar poderia fazer sentido pensar noutro projeto. Mas quando estão, que estejam de corpo e alma e que consigam apreender o máximo de informação para que isso contribua para o crescimento deles, para que no futuro seguinte possam acrescentar mais valor para o sítio onde eles vão.
E pensando nisso, ou seja, não alguém que esteja a começar, mas que já tenha algumas experiências a nível profissional, mas que esteja perante uma mudança na carreira, seja, por exemplo, mudar de uma área de atuação, mudar o seu foco em termos de atuação ou, por exemplo, mudando de país e aí tendo ou não uma mudança de área, que conselho é que dariam? Penso que o principal seja arriscar, que é aquilo que têm estado sempre aqui a reforçar, mas há aqui mais algum que queiram acrescentar? Eu não sei quem é que quer começar, Érica?
Não sei, posso avançar. Atenção, eu acho que devemos arriscar, mas sempre com a consciência do risco. Acho que temos que avaliar uma série de-
De fatores.
Sim, fatores que possam influenciar o meu processo também de tomada de decisão. Agora, eu diria que a questão das funções e aquilo que cada vez se fala mais, uma série de novas funções que vão surgir em 2030, e que hoje não existem, etc, eu acho que temos que ter também a consciência da função que nós ocupamos e o propósito dela para o futuro. E estarmos abertos também a que se a empresa decidir ou considerar que possivelmente a função que eu ocupo hoje se pode tornar redundante num futuro próximo e me oferecer algo diferente, uma formação diferente para que eu possa desenvolver outras skills, porque de alguma forma as minhas características pessoais se quadram em muito naquilo que é a cultura da organização, eu acho que as empresas também devem apostar nisso, as pessoas devem apostar nisso, e agarrar também essas novas formações para também se continuar a envolver mais do ponto de vista de technical skill, de hard skill, porque cada vez mais essa vai ser uma realidade. Acho que nesse aspecto, as empresas a dar nova formação e as equipas a receberem essa formação e a tirarem o maior partido delas.
Marta, no teu caso, tens aí alguma coisa que queiras acrescentar?
Acho que há três tipos de mudança: há mudança de indústria, de função e geográfica. Eu acho que quanto mais destes elementos de mudança queremos mudar ao mesmo tempo, mais difícil será. Se for uma alteração geográfica, então mantendo a mesma indústria e função, é o que faz mais sentido. E desses três, até podemos querer mudar vários passos, mas um de cada vez, no fundo, com várias mudanças, até chegarmos onde queremos chegar. E eu acho que é importante gerir a mudança e gerir o que se procura nesse sentido. Eu acho que o desenvolvimento é fundamental. Por exemplo, eu fiz o MBA para desenvolver competências de gestão. Há quem faça um MBA para dar abertura para depois fazer uma alteração de carreira e eu acho que é perceber claramente que mudança de carreira que se procura e que competências é que faz sentido trabalhar, desenvolver-se, investir-se, enfim, seja dentro da própria empresa, seja com um curso, seja como for. Essa parte é muito relevante. E depois, se for uma mudança geográfica, eu tenho muitas pessoas que me perguntam: "Estou há imenso tempo a tentar trabalhar fora, mas não consigo". E a minha resposta é: "Mas tu estás em Portugal, como é que vais encontrar uma oportunidade fora, estando em Portugal?" E eu acho que se quer mesmo a mudança e se está consciente e se procura mesmo essa mudança, é muito trabalho de networking, de rede de expats, etc. Mas não vivendo no país onde pretendemos mudar, vai ser completamente difícil, porque, na verdade, as pessoas não vão ser levadas a sério. Acho que o arriscar tem que ser consciente, mas se for para arriscar, e se houver uma intenção clara, então tem que se arriscar como deve ser e tem que se fazer uma investida mais significativa.
Ok. E acabaste também por já tocar aqui na parte de desenvolvimento e eu acredito que seja um dos pontos também que, mesmo para pessoas mais velhas, com mais anos de experiência, como a Érica aqui há pouco também estava a dizer, acaba por ser um dos conselhos que vocês também darão, acredito eu. Mas gostava de ouvir aquilo que vocês acham que pode ser um bom conselho para dar a alguém que já tenha vários anos de experiência, que esteja ou não tendo mudado já de área, mas que de certa forma ainda vai a tempo de mudar alguma coisa na sua carreira, porque muitas vezes aquilo que se ouve, as pessoas chegam a uma certa idade e pensam: "Já não me serve de nada mudar, já ninguém me vai querer". O que vocês dariam de conselho a alguém que esteja nesta fase da vida? Marta, não sei se queres começar tu agora.
Eu acho que cada vez se valoriza mais equipes diversas, com um background diverso. E eu acho que estamos numa altura excelente para, independentemente da idade, as pessoas procurarem desenvolver-se, mudar, ter novas experiências, etc. E acho que a vantagem das grandes empresas que têm foco em formação, no desenvolvimento das pessoas, etc, é precisamente essa, é haver abertura. Acho que compete a cada um, no fundo, procurar desenvolver-se nesse sentido. Procurar ajuda, procurar mentores, procurar as equipas de recursos humanos que possam ajudar, procurar cafés informais com pessoas de outras áreas, procurar conhecer. Eu acho que quanto mais abertura tivermos, e quanto mais procurarmos e quanto mais explorarmos, mais oportunidades depois nos caem nas mãos. Depois há a outra forma, que é projetos transversais. Que são projetos que existem muito nas empresas e que são muito relevantes e que juntam pessoas de várias áreas e que depois também dão a pessoas de várias áreas a oportunidade de explorar áreas diferentes, enfim, de trabalhar como projeto e que depois também se criam networks e criam-se oportunidades. Eu penso que abertura, mas acho que nunca se devia pensar: "É tarde mais", etc. Percebo, claro que sim, que é o que acontece, mas acho que compete à pessoa procurar sair dessa-
Dessa mentalidade.
Dessa mentalidade.
Érica.
Concordo também, concordo em absoluto. Obviamente que quem faz parte de empresas ou de grandes empresas, empresas multinacionais, possivelmente, a oportunidade disso acontecer é, de fato, muito mais alargada. Porque existem também muito mais funções, existem muito mais pessoas e se calhar há uma vantagem em conseguirmos, possivelmente ou mais rapidamente, fazer daqui alguma, não digo troca de cadeiras, mas que eu consiga aportar valor em determinada área. Mas é muito isso, é não desistir. Eu acho que, mais uma vez, se nós formos felizes a fazer aquilo que fazemos, e se eu conseguir provar que sou muito mais feliz na função A do que na função B, e que a empresa terá muito mais retorno exatamente na função para a qual eu gostaria de trabalhar, e se eu conseguir provar isso, eu acho que efetivamente essa mudança pode acontecer. É verdade que as oportunidades são menores. Mas o não é garantido, como eu costumo dizer. E se nós não tentarmos, e se nós não nos apresentarmos, não nos mostrarmos, não nos fizermos notar, nada vai acontecer, efetivamente. A questão da rede de networking, dos cafés informais, dos mentores, "o que acham, o que eu devia fazer?" Acho que ajuda sempre, até porque há alguém que vai ter sempre uma visão diferente da minha e quantas mais pessoas eu falar, mais informação eu vou ter e mais inputs importantes me vão dar. Portanto, eu acho que se temos vontade de mudar, eu acho que meio caminho andado está feito. Porque o difícil, às vezes, é nós querermos avançar para esta mudança. Se queremos e já temos essa coragem de o fazer, por que não levantar a mão e dizer: "Eu quero, eu gostava, porque vou ser muito melhor ali, vou ser muito mais feliz." Portanto, acho que este poderá ser o melhor conselho.
Sim, e é um ótimo conselho para terminarmos aqui a conversa. Acho que acabas também por conseguir resumir muito bem aquilo que fomos falando e aquilo que vocês foram sempre partilhando como conselhos a seguir ou como caminhos que as pessoas podem ter, ou seja, continuarem a aprender em todos os cargos que têm, todas as funções que tenham, aprendem sempre alguma coisa. Podem não perceber logo aquilo que está a acontecer, mas eventualmente, no futuro, vão perceber: "Ok, isto aconteceu porque no passado foi assim." Por isso, tenho apenas a agradecer estas vossas partilhas e mais uma vez, obrigada por estarem presentes e por terem aceite este convite. E obrigada a vocês que ouvem e acompanham este podcast. Caso queiram ouvir outras conversas do gênero, podem explorar outros episódios do podcast "Everyday Hero" e saber mais, por exemplo, sobre liderança, salário emocional ou mesmo sobre o futuro dos desafios do mundo digital. E se gostaram deste episódio, deixem a vossa avaliação no perfil do podcast "Everyday Hero" e digam-nos no quiz do episódio aquilo de que mais gostaram nesta conversa. O vosso feedback ajuda-nos sempre a melhorar cada vez mais os nossos conteúdos e é graças a vocês também que este podcast continua a fazer sentido. Até à próxima!