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Benfica 4, Celtic 1, jogo que acompanhamos e a contar pra Liga Europa, acompanhamos na Rádio Observador com comentários do Mário Cajica. Um jogo, Mário Cajica, em que podemos mesmo falar de duas partes, preto e branco pro Benfica. Diria que a primeira de muita tração, com três gols e a conseguir deixar o Celtic completamente encostado às cordas. O intervalo marcava 3 x 0 para os encarnados, numa segunda parte em que o Benfica parece ter voltado com uma postura competitiva um bocadinho menos intensa, acabou por deixar o Celtic reduzir, mas depois com entradas de Schjelderup, Echeverri e também Pavlídis, voltou a tomar conta do jogo e a vencer por 4 x 1. Mário.

Sim, é o clássico. Duas partes distintas e aplica-se na perfeição àquilo que foi apresentado pelo Benfica neste jogo. Uma primeira parte muito boa do Benfica. A verdade é que o Celtic com uma mexidazinha ou outra, mas eu acho que foi suficiente, e falámos desde logo no Scales, que não atuou na linha defensiva, no Niguan que estava também fora do 11 inicial, e percebeu-se que já com estas mudanças, o Celtic podia cair um bocadinho e caiu. O Benfica foi muito mais equipe, muito dinâmico, a encontrar constantemente o espaço, fosse por dentro, fosse mais até ali pelo corredor do Prestianni, o corredor esquerdo, e sofreu muito o Donovan naqueles confrontos de um para um. E foi com muita naturalidade que o Benfica foi crescendo no jogo, foi criando oportunidades, foi marcando e o Celtic com pouquíssima capacidade de reação, não conseguia esticar, não conseguia sair com critério, não conseguia ativar as transições, porque, de facto, o Benfica teve ali 45 minutos de grande intensidade e, acima de tudo, de grande seriedade com a partida. Eu acho que depois, na segunda parte e com as mexidas, e percebe-se que o Martin O'Neill quis colocar a equipe numa perspectiva diferente com a saída do Rogić e colocando ali a velocidade com o Assan, era ter um ataque mais dinâmico, mais rápido, e o jogo partiu, porque de um lado tinhas o Celtic a querer ser uma equipe que procuraria atacar o espaço e esses momentos de velocidade, e o Benfica, por outro lado, com o espaço que também ia surgindo entre o meio-campo e a defesa, ia tentando resolver dessa forma, através das arrancadas do Prestianni. Mas, de facto, na segunda parte, o Benfica baixou muito o ritmo, e eu acho que é claro, os timings da pressão já não eram os mesmos, muitas imprecisões, muitos erros individuais e sentiu-se que houve ali um pequeno desligar em alguns momentos que permitiram ao Celtic ganhar essa confiança de marcar o gol. E até, eu acho que não é descabido dizer isto, em alguns momentos, até bem próximo desse segundo gol, que podia colocar ali alguma instabilidade no Estádio da Luz. Não aconteceu e o Benfica, como dizia muito bem, também acho que melhorou com as alterações que o Marco Silva implementou. O Echeverri entrou muito bem no jogo outra vez, o Pavlídis, o Schjelderup também, para dar outro tipo de velocidade. E eu acho que por aí, o Benfica acabou por voltar a crescer já na fase final e o Pavlídis depois arrumou com o jogo, e acho que deu o contorno que se esperava, uma vitória justa do Benfica, que é muito mais equipe do que este Celtic, como já tínhamos até falado antes do jogo, está a milhas do histórico Celtic que bem conhecemos.

E que algumas questões importantes pro Benfica. Durán, é o primeiro bis em competições europeias pro jogador colombiano e o décimo na carreira. Também Pavlídis que, apesar de não ter sido titular, entrou para ainda fazer o gosto ao pé e fazendo assim 15 gols em 15 jogos esta temporada, tem uma média de um gol por jogo, e depois acabou também por ter mais um lateral a marcar gol. No campeonato foi Dalot, no fim de semana, hoje foi Bah. Aqui o Benfica a mostrar que tem diversas soluções. É aquela velha máxima que se vai dizendo que o treinador tem muitas dores de cabeça, mas com tantas dores de cabeça, não tarda, vai ser patrocinado pela Aspirina, o Marco Silva.

É verdade, as boas dores de cabeça, mas foram dores de cabeça provocadas pelo próprio Marco Silva, que acaba por conseguir aqui encontrar várias soluções nestes contextos de Liga Europa. O Benfica tem aproveitado estes jogos para rodar, para encontrar soluções. Foi assim em Milão, foi assim também hoje neste jogo frente à equipe do Celtic. E é assim também que eu acho que o Marco Silva vai agarrando o balneário e percebeu-se até nas declarações do Durán no final do jogo, quando de forma muito clara diz que o Pavlídis é o primeiro neste momento e aceita essa condição sem grande problema. Portanto, eu acho que haverá aqui muita transparência também na forma como o Marco Silva está a gerir os egos deste plantel. E só tem a ganhar é o Benfica, que tem um plantel recheadíssimo. Acho que nesta fase, ainda para mais com poucas baixas, são muito pouquinhas. Hoje não houve Banášek e o Kaminski, o Bah já com mais tempo de ausência, mas continua a ser um plantel muito recheado, com muitas opções. E eu acho que o Marco Silva, nesta fase, tem de ser uma pessoa satisfeita, porque tem a capacidade para encarar os jogos do campeonato com seriedade e, ao mesmo tempo, já com este embalo de duas vitórias em dois jogos na Liga Europa, acho que vai, em velocidade cruzeiro, acabar por conseguir o apuramento nesta Liga Europa É a tendência e é o normal, porque o Benfica é uma das melhores equipes da Liga Europa e acho que de uma forma ou de outra vai conseguir, de forma natural, esse apuramento para a próxima fase, e eu acho que até de forma direta. Tem essas condições, pelo menos.

Sim, Mário. E de resto, é também, não só entre adeptos portugueses, declarado uma das equipes favoritas, porque bem sabemos que as pessoas afetas ao país têm sempre algum interesse em considerá-lo, mas acho que é, de alguma forma, consensual, que é uma das equipes mais poderosas desta edição da Liga Europa. Não sei se concordas, Mário.

De caras, sim, o Benfica é um dos candidatos a ganhar a Liga Europa. Não podemos olhar de outra forma. Acho que está ali numa lista onde aparecem as equipes da Premier, o Bournemouth e o Sunderland, a Juve, o próprio AC Milan do Ruben Amorim, o Lyon do Paulo Fonseca, o Bayer Leverkusen, não falei do Palace, também é outra equipe da Premier.

E o próprio Sunderland também.

Sim, exatamente.

Que hoje teve muitas dificuldades contra o Torrieense, já agora fica também essa nota. Já não mencionamos há muito tempo, o Torrieense perdeu por 2 x 1, mas esteve a ganhar 1 x 0 frente a uma equipe da Premier League. Algo notável.

Tem feito uma bela campanha a equipe do Torrieense e dar também essa mensagem que continua a representar de forma muito digna o futebol português. Mas é isto. Eu enumerei aqui, se calhar, as equipes, pode me ter falhado uma outra, a Real Sociedad também pode entrar neste lote, mas são tudo equipes com as quais o Benfica olha olhos nos olhos e sem grandes problemas. Portanto, acho que o Benfica tem de se afirmar e tem de se assumir como candidato a ganhar a Liga Europa. Se vai ganhar, isso já é outra história, porque é muito difícil prever isso em qualquer edição da Champions, da Liga Europa, da Conference. É muito difícil perspetivarmos o vencedor. Agora, que o Benfica é um dos favoritos e é uma das equipes com mais capacidade para ganhar a Liga Europa, acho que isso é claro e eu creio que o Marco Silva pode passar essa mensagem, que o Benfica até pode ser aqui um objetivo que agarre, falamos da questão de agarrar o plantel, que agarre o plantel, de vamos a mais este objetivo, porque este objetivo é possível para a equipe do Benfica. O Benfica tem condições e qualidade no plantel para o fazer.

E para fecharmos este relatório do jogo, Mário Cajica, o que foi o pior esta noite no Estádio da Luz, entre Benfica e Celtic, vitória encarnada por 4 x 1?

Olha, sem querer copiar o meu amigo João Pinto, mas vou copiar. Do lado do Benfica, o Lukebakio, eu acho que perdeu aqui uma oportunidade, muitos erros outra vez. E o Lukebakio tem sido isto, tem aqui uma ou outra exibição positiva, mas depois rapidamente cai neste marasmo e desliga e toma más decisões e acaba por ter uma passagem inglória por este jogo. Portanto, do lado do Benfica, para mim, de caras, foi o Lukebakio. Do lado do Celtic, diria que foi, acho que um desastre é muito forte, mas foi muito pouco conseguida a exibição dos dois centrais, o Murray e o Trusty, tiveram muitas dificuldades para se coordenar. O Donovan também sofreu muito com o Prestianni. E eu acho que a linha defensiva do Celtic deixou muito a desejar neste jogo, obviamente também foi provocado pela qualidade que o Benfica demonstrou no último terço, onde encontrava sempre formas diferentes para ferir a formação escocesa.

E para fecharmos este relatório do jogo, Mário Cajica, quem foi ou o que foi o melhor nesta noite no Estádio da Luz?

Olha, com a menção honrosa para o João Duran, que faz dois gols e fica ligado ao bom início do Benfica no jogo, mas Prestianni é, neste momento, o homem do Benfica, é o elemento diferenciador, está em quase todas as ações ofensivas de perigo do Benfica, tem sido o elemento mais dinamizador de todas as situações, quando vai para cima, quando procura a assistência, quando procura o cruzamento e sai deste jogo com duas assistências, uma delas primorosa para o gol do Bah. Quando atira à baliza, ou faz um grande gol ou está sempre perto disso. E acho que não há grande hipótese para Prestianni. Neste momento, está a um nível muito alto, um nível acima de todos os outros e é claramente o homem-chave do Benfica nesta fase da temporada.

Está feito e entregue mais um relatório do Jogo Análise do Mário Cajica, mais uma vitória europeia do Benfica por quatro bolas a uma em casa frente ao Celtic, na segunda jornada da fase liga da Liga Europa. Mário Cajica, um grande abraço e até breve.

Grande abraço, Vicente.