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E eis que à 29ª jornada do campeonato, o Sporting foi até Guimarães, ao Estádio Dom Afonso Henriques e na cidade berço, depois de uma primeira parte de muitas dificuldades, acabou por vencer a equipa do Vitória Sport Clube por duas bolas, zero gols apontados por Pedro Gonçalves e também Arthur Gomes, já no decorrer da segunda parte. E a primeira parte teve tudo, Mário Cajica, quase menos baliza.

Sim, uma primeira parte muito fechada, muito poucas oportunidades. O Sporting com muitas dificuldades para penetrar pela zona interior da equipa do Vitória. O Vitória, como referimos ao longo da emissão, foi uma equipa muito sólida. Aliás, é essa uma das imagens de marca ao longo da temporada deste Vitória de Moreno, uma equipa que primeiro privilegia a sua organização defensiva e só depois o seu momento ofensivo. E é legítimo. Agora, o Vitória tem muitas vitórias, passa redundância, pela margem mínima. E isso diz muito também da forma como a equipa encara os jogos, ou seja, uma equipa que não marca muito, também não sofre muito, vai se mantendo também nessa toada. E o Sporting sentiu dificuldades perante um adversário que estava organizado dessa forma. Já sabemos que essa é uma das fragilidades deste Sporting de Rúben Amorim, quando tem um adversário com bloco baixo pela frente, com linhas muito juntas, a equipa sente dificuldades para desmontar o adversário e, portanto, diria que a primeira parte se resume muito a isto, a tentativas sem grande sucesso da equipa do Sporting para criar perigo, muito jogo direto através dos centrais, tentativa pelos corredores do Esgaio e do Nuno Santos de criar desequilíbrios, mas a verdade é que não houve assim tantos cruzamentos, e falamos na questão do Sergii, que esteve completamente fora do jogo, mas a verdade é que tem alguns momentos em que efetivamente não está tão bem, mas diria que em grande parte até é prejudicado pelo coletivo em si e pela forma como a equipa estava a jogar. Perante um Vitória que até podia ter marcado naquele gol anulado antes do intervalo, e o jogo podia ter sido muito diferente se esse gol naturalmente não fosse anulado.

Sete centímetros separaram André Silva do gol.

Pronto, mas lá está, é um belo trabalho da equipa do Vitória em cima do intervalo, mas sendo anulado, e o vídeo-árbitro está lá para decidir, sendo anulado, o jogo mudou e no segundo tempo o Sporting entrou bastante bem.

Tudo empatado no intervalo, zero a zero entre Vitória Sport Clube e Sporting Clube de Portugal. A segunda parte entrou com gol de rompante de Pedro Gonçalves, fez o 20º gol desta temporada e Mário Cajica com uma daquelas execuções típicas do jogador a passar a bola pro canto da baliza, o canto inferior. O guarda-redes achava que ele ia sair e deu com a bola lá dentro.

Sim, também não esteve muito feliz o Celta Nbia hoje. E o Pedro Gonçalves acaba por ser o elemento que define o jogo. O João Castro falava nisso e eu concordo em absoluto. Para mim é o homem do jogo. O Morita faz um jogo interessante, mas acho que o Pedro Gonçalves foi o elemento decisivo, o elemento que procurou mexer mais com o jogo na frente de ataque. E a verdade é que é um gol que diria deita completamente por terra a estratégia do Vitória. A verdade é que as alterações do Moreno também não surtiram efeito. O Vitória dominou a segunda parte como quis. O Vitória, não, o Sporting. O Sporting dominou a segunda parte como quis e, portanto, é com a máxima justiça que o Sporting vence este jogo. Foi a equipa mais perigosa no segundo tempo, dominou, conseguiu manejar a equipa do Vitória como quis, as alterações do Vitória não trouxeram nada de positivo ao jogo. E, portanto, não acho que exista aqui grande história em relação a esta partida, tendo em conta aquilo que é a análise do jogo. A primeira parte muito equilibrada, com poucas situações. Há efetivamente esse gol anulado que podia ter mexido com o jogo. Não tendo sido, o Sporting entrou bem, marcou e isso era mais ou menos expectável, até falámos disso. A partir do momento em que o Sporting marcasse o primeiro, o Vitória ia ter muitas dificuldades, porque continuo a dizer que este Vitória é uma equipa em construção, é um trabalho ingrato até para o Moreno. É um trabalho difícil, porque como bem sabemos, este Vitória estava com muitas dificuldades financeiras, muitos problemas que obrigaram a uma reestruturação. Há aqui muitos jovens lançados pelo Moreno, mas é uma equipa que efetivamente tem essas dores de crescimento, tem esses problemas ao nível da sua construção.

E aparentemente, também agora tem o plantel elevado de meninos mimados. Aproveitamos também aqui o relatório para comentar essas palavras do treinador Mário Cajica, que foram fortes e sonantes na sala de conferências de imprensa.

Sim, fortes. Falamos disso antes do relatório, ou seja, na minha opinião são desajustadas. A expressão, pelo menos, é um bocadinho exagerada, um bocadinho desajustada. Volto a reforçar que entendo que um treinador faça críticas, seja individuais, seja coletivas. Não entro na conversa de que o treinador não pode criticar um jogador ou a equipa no final do jogo. Se pode elogiar, também pode criticar. Os jogadores são profissionais e estão lá também para saber que são alvo disso mesmo. O Moreno tem razão no que diz em relação à questão de ter defendido sempre a equipa e a verdade é que este plantel do Vitória foi muitas vezes questionado e o Moreno sempre deu a cara pela equipa. Isso é mais do que certo. Mas parece-me que foi muito exagerada a forma como o Moreno se referiu à equipa. Como falámos, não via essa falta de atitude que levasse a isto no segundo tempo do Vitória. Vi simplesmente um Sporting que marcou primeiro e depois dominou o jogo como melhor equipa que é perante o Vitória. Portanto, nada a acrescentar em relação a isso. Mas a verdade é que a expressão meninos mimados é uma expressão muito forte Muito forte e que pode suscitar alguma conversa no balneário. Vai certamente suscitar algum tipo de conversa no balneário, isso é mais do que certo. Eu acho que o Moreno tem toda a legitimidade, volto a dizer, para fazer as críticas, mas de forma tão acentuada. O Moreno disse que não está preocupado com o lugar, ok, mas de forma tão acentuada nesta fase do campeonato.

E mal por aquilo que o Vitória ainda tem em vista.

Claro que sim, é por isso. Ou seja, eu acho que podia ter medido melhor as palavras. Podia ter criticado a equipa, podia ter criticado o jogador X ou o jogador Y. Vários treinadores o fazem e não é por aí que as coisas são piores ou melhores, mas acho que foi um bocadinho desajustada a forma como falou.

Resta saber, Mário Cajica, o que é que esta noite, no Do Afonso Henriques, 29ª jornada, o jogo que a fechou, foi pior para ti nesta vitória do Sporting sobre o Vitória Sport Clube.

Não sendo do jogo, as declarações do Moreno, vou colocá-las no fundo, acho que foram um bocadinho desajustadas. E atenção, volto a dizer, é um treinador que já elogiei o que tinha para elogiar. Não está aqui em causa a qualidade ou não do Moreno, a forma como comunica ou não, que todos sabemos que é uma forma mais direta. Acho que hoje cedeu, o Moreno, nas críticas, acho que podia ter tido ali um bocadinho mais de contenção. Mas não querendo deixar o fundo apenas com questões fora do jogo, acho que tem de se falar, naturalmente, da segunda parte do Vitória, que é uma segunda parte muito aquém das expectativas. Acho que beneficia também o Sporting desse primeiro gol, muito cedo, mas é uma segunda parte do Vitória muito apagada. O Saltan Bié também com culpas, mais até no segundo gol. No primeiro, é uma bola difícil, mas nota-se que não está completamente confortável entre os postes. Portanto, há aqui alguns momentos que o Vitória naturalmente tem de melhorar.

É a segunda parte que foi a raiz dessas declarações. Aqui um bolo do todo, daquilo que foi o pior esta noite em Guimarães. Resta saber o que é que, na tua opinião, e para fechar este relatório, Mário Cajica, foi o melhor nesta vitória do Sporting por duas bolas a zero em Guimarães.

Gostei muito do Pedro Gonçalves, como já disse, para mim foi o melhor em campo. Acho que é o elemento que define o jogo, é o elemento que ajuda na ligação, é o elemento que está sempre mais próximo de criar perigo e o mais desequilibrador neste Sporting atualmente. Portanto, vou colocar o Pedro Gonçalves. Gostei também do Morita e vou dar também a nota ao Coates, que já sei que muita gente tem criticado, muita gente já tem dito que pode estar a chegar a um final de ciclo. Eu concordo que há momentos em que já há uma possibilidade de se começar a fazer essa rotação do Coates, mas continua a ser o capitão do Sporting, continua a ser um elemento muito fiável e a verdade é que hoje esteve também muito bem.

Está feito e entregue o relatório de jogo da vitória do Sporting em Guimarães por duas bolas a zero, frente ao Vitória Sport Clube, um jogo que comentamos aqui na Rádio Observador com Mário Cajica. Muito obrigado, Mário. Um bom descanso.

Obrigado.

Até à próxima.