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Já está escrito, vai ser entregue e depois assinado pelo Mário Cajica, mais um relatório de jogo na Rádio Observador. Hoje, 14ª jornada do campeonato, Moreirense 0, Benfica 4, e ficou quebrado uma espécie de feitiço. Não era a principal pedra no sapato do Benfica, mas o histórico não era favorável ao Benfica e hoje acabou por haver uma quebra com essa política.
Mas era uma pedra incomodativa para o Benfica nos últimos anos. A verdade é que o Benfica tem sentido dificuldades num passado recente com a equipa do Moreirense e basta recordar que nas últimas três vezes que se deslocou a Moreira de Cónegos não ganhou e a quarta acabou por ser o quebrar desse enguiço numa vitória e, de forma mais geral, uma vitória justíssima da equipa de José Mourinho. O Benfica até entra bem no jogo, tem uns primeiros cinco minutos iniciais interessantes, mas a partir de um primeiro remate à baliza do Trubin, há uma reação do Moreirense, que começa a ter bola, que começa a trabalhar bem no corredor direito, principalmente pelo Dinis e pelo Travassos. E aí sente-se talvez o único momento de maior desconforto do Benfica na partida. Há um crescimento da equipa do Moreirense, mas que acaba por ser estancado com o primeiro gol do Pavlídis, que tranquiliza e muito este Benfica. E este Benfica está muito mais sólido em vários momentos do jogo, como dizia durante a partida. Defensivamente, a equipa está estável, tem sofrido poucos gols. Hoje não existiram aqueles problemas na saída de bola. Aliás, isso passou para o outro lado, porque, de facto, há maior confiança e quando a confiança começa a crescer, claro que tudo é mais simples para a formação encarnada. Portanto, o Benfica marca o gol e depois gere bem o jogo até ao intervalo. Na segunda parte, depois as coisas foram se simplificando naturalmente.
E o Moreirense esteve fiel à sua linha de jogo e foi daí que sofreu os três gols na segunda parte. O que é certo é que se conseguiu apertar o Benfica ou pelo menos manter-se de igual por igual o Benfica na primeira parte. Na segunda parte, o Benfica estudou bem a lição e aproveitou todos os erros da equipa do Moreirense para faturar, fazer mexer o marcador.
Isto acontece, lá está, claro, pelos erros da equipa do Moreirense na saída, mas convém olhar também para o outro lado. E há aqui muito mérito da equipa do Benfica como pressiona. Se era algo que estava a falhar, e eu creio que estava no início, eu creio que foi, se calhar, uma das maiores dificuldades do José Mourinho quando chegou, era acertar os timings de pressão. E daí também parece-me muita insistência no Orjás e no Barreiro, porque são dois jogadores que trabalham bem nesse momento, embora na segunda parte até o Benfica tenha marcado sem o Barreiro. Mas a equipa está muito mais estável desse ponto de vista. Os jogadores posicionam-se bem sem bola, sem bola também conseguem ler o adversário. Foram percebendo onde é que estava o ouro, foram forçando também a equipa do Moreirense a errar e a verdade é que, com muito mérito, o Benfica foi aproveitando todas essas situações, os jogadores a conhecerem bem o adversário, a perceberem os espaços que tinham de ocupar quando a equipa estava mais balanceada para a frente e a forçar a equipa do Moreirense a errar na sua primeira fase de construção. E portanto, dir-te-ia que sim, efetivamente são erros graves do lado do Moreirense, mas são erros que também são provocados pela boa pressão da equipa encarnada. E depois, claro, tudo fica facilitado quando tens jogadores com a qualidade do Pavlídis, que consegue rodar e rapidamente enquadrar-se e rematar bem para a baliza, é um jogador extraordinário e, portanto, creio que o Benfica tem hoje uma vitória meritória, justa e muito provocada por esta capacidade que a equipa tem agora de jogar também sem bola.
Mário Cajica, azar para o Benfica do ponto de vista das lesões. Não sabemos ainda qual é o caso clínico de Barreiro. Certo é que é um jogador importante também nessa pressão do Benfica, mas o Benfica não se deixou comprometer, apesar disso. O Moreirense também teve algumas dificuldades para impor o seu jogo. O que é certo é que suspeito que o pior do jogo para ti seja, Mário, qualquer coisa a ver com a saída de bola do Moreirense.
Sim. Há um momento que eu também quero destacar, já agora, que é um momento negativo, que é a lesão do Vasco Sousa também. Temos a do Barreiro que não sabemos, mas a do Vasco espero que não seja grave.
Já é a segunda este ano.
É, e não cheirou bem, pelo menos à primeira vista.
O próprio jogador estava consternado. Fez lembrar também o choro semelhante de Nelson Vargas quando sentiu o segundo.
Exatamente. Vamos esperar que não, mas não pareceu uma coisa boa. Mas claramente que é isso, ou seja, a saída de bola do Moreirense na segunda parte foi, de facto, desastrosa, não há outra forma de dizer. Erros desde o guarda-redes aos centrais e a equipa com a dificuldade que teve para tentar ultrapassar aquela primeira fase de possessão da equipa encarnada, que, volto a dizer, foi muito bem trabalhada, mesmo com o Rodrigo Rêgo na segunda parte, que também me parece que entrou bem no jogo. E eu creio que a entrada do Rodrigo Rêgo tem muito que ver com a leitura do José Mourinho em relação ao seu jogo também sem bola, porque o Rodrigo Rêgo é um jogador muito ativo, muito intenso e que está constantemente também a morder os calcanhares do adversário. Eu acho que o José Mourinho leu bem também a entrada do Rodrigo Rêgo. E, portanto, sim, vai ter de ser por aí, não há forma de fugir. São os erros de saída de bola da equipa do Moreirense que são claramente o ponto negativo.
E acredito que o ponto positivo, vou tentar adivinhar, é qualquer coisa a ver com Grécia. E não tem nada a ver com 2004, para nós. Ano traumático.
Felizmente que não. Sim, o Pavlídis faz um jogo extraordinário, é um avançado extraordinário, é um dos melhores jogadores da primeira liga, portanto, são três gols, mas que demonstram efetivamente toda a sua qualidade das mais variadas formas, a cabecear, a aproveitar um lance e a virar e a rematar. Enfim, o Pavlídis tem, de facto, todas as qualidades que um ponta de lança de equipa dita grande deve ter. E, portanto, sem dúvida nenhuma que é o homem do jogo. Dar só aqui também uma nota que me parece positiva para o Orjás, que hoje se exibiu a bom nível, tem tido uma época mais intermitente, mas hoje esteve bem sempre que foi solicitado.
Com gol.
Com gol também, um grande gol do Orjás. E também para os dois centrais, o Tomás e o Otamendi, que nesta altura parece-me que é a factual, parece-me a melhor dupla do Benfica, sem desprimor para o António Silva, que eu acho que é um defesa central com qualidade, mas a verdade é que o Tomás Araújo está a crescer muito e vem agora, já incluo este e já incluo o jogo com o Nápoles, dois bons jogos e, portanto, também é uma boa dor de cabeça para o José Mourinho ter aqui três bons defesas para dois lugares, mas Pavlídis claramente o homem do jogo.
Está escrito, assinado e entregue o relatório do jogo de hoje, 14ª jornada, Moreirense 0, Benfica 4. Muito obrigado, Mário Cajica.
Obrigado, Vicente.