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À sétima jornada do campeonato, o primeiro clássico, o Benfica foi até casa do Futebol Clube do Porto perder por três bolas a uma. O Porto começou a ganhar por 1 x 0, ainda o jogo corria com 11 para 11, mas o que é certo é que depois da expulsão de Lenglet, as coisas ficaram um pouco mais complicadas pro Benfica. Pelo menos assim parecia. O que é certo é que o Benfica foi perder por 1 x 0 pro intervalo, chegou na segunda parte, chegou ao minuto 51 ao empate, mas de rajada Viktor Højlund fez o 2 x 1 pro Futebol Clube do Porto e pouco tempo depois, Huang Hee-chan a marcar pelos Dragões e selar o resultado em 3 x 1, num jogo que podemos dizer que até aos 20 minutos, pertenceu, Mário Cajica, ao Benfica, logo depois o Porto começou a reagir.
Sim, sem dúvida, é uma excelente entrada do Benfica no jogo e esses primeiros 20 minutos demonstram a personalidade que a equipe tem vindo a revelar com Marco Silva nas últimas partidas e conseguiu, num ambiente que sabemos que é sempre muito complexo para qualquer equipe que visita o Dragão, naturalmente, entrar com aquela personalidade. E de fato, o Benfica entrou muito bem, a ter momentos prolongados de posse de bola, a criar situações. Portanto, foi um Benfica com muita personalidade, que entrou no Estádio do Dragão e com muita qualidade em todos os momentos. A partir desse minuto 20, como destacavas e muito bem, o Futebol Clube do Porto começa a equilibrar, começa a acertar mais os timings de pressão, começa a trabalhar melhor os momentos com bola e começa, pouco a pouco, a criar mais desconforto no Benfica. E é aí que de fato surge o gol do Futebol Clube do Porto, ou seja, numa altura em que o Futebol Clube do Porto estava a melhorar, estava a conseguir ganhar mais duelos e a criar mais desconforto no Benfica, com o tal grande passe do Pepe para o remate. Foi um bocadinho, foi como deu, mas deu.
O segundo toque tem alguma habilidade, acaba por ser um desvio e a servir bem também a própria recessão.
Mas é um passe fabuloso do Pepe nas costas, em que o Tomás e o Lenglet, principalmente o Tomás, não ficam bem na fotografia e dá-se esse gol do Gabri Veiga. A partir daí, depois, de fato, as coisas ficaram mais equilibradas e nos minutos seguintes temos o lance, que pra mim é capital do jogo, que é a expulsão, obviamente, do Lenglet. E era como te dizia antes do relatório, o Benfica podia ser traído. Eu acho que traído é uma palavra muito forte. São momentos de desconcentrações que acontecem com qualquer jogador, mas acredito que na cabeça de Marco Silva, o experiente Lenglet seria, se calhar, um dos últimos que ele próprio esperaria que pudesse ter uma atitude irrefletida como aquela.
E Marco Silva afirmou que tinha dado uma espécie de briefing à equipe do quão fundamental era terminar este jogo com 11.
Claro.
E acontecer isso com o jogador que o Benfica foi buscar por experiência, acaba por ser aqui o pouco furado.
Completamente. Portanto, é um lance em que o Lenglet não fica bem. Não fica bem na fotografia, porque naturalmente, acaba por deixar a equipe completamente descompensada e é nessa situação que o Benfica vai depois para o intervalo. A chegar ali ao minuto 51, Ubah marca.
Marca, exatamente. A expulsão foi ao minuto 35, o gol de empate do Benfica foi ao minuto 51 e pouco tempo depois, ao minuto 54, Højlund restabeleceu a vantagem pro Porto e ao minuto 59 foi o Huang Hee-chan a fechar o marcador.
Mas isto pra dizer que o Benfica até entra bem na segunda parte e acaba por mostrar que mesmo com 10, a equipe tinha ali alguma capacidade de reação e chega com mérito ao gol do empate, num bom gol do Ubah, mas uma assistência primorosa do Preston.
Parece que ele que acabou por ser tocado, esteve quase aparentemente a sair lesionado. Parecia também que estava ali com algumas dificuldades, mas na segunda parte conseguiu entrar em bom ritmo.
Tem uma excelente assistência, tem uma excelente ação. Não é um dos jogos mais vistosos do Preston, acho que mesmo esse problema da lesão e obviamente os duelos com o Alberto, o Alberto um bocadinho rijo neste jogo, um bocadinho agressivo, também não deu ali grande margem e acho que hoje não foi, obviamente, um dos jogos mais deslumbrantes do Preston, mas lá está, é uma excelente assistência. Muito bem o Ubah. Pra mim, não vou já antecipar, mas posso dizer que é um dos destaques do jogo o Ubah, muito bem no momento da aparição ali para o gol, mas a verdade é que o Benfica com 10 e chegando ao empate, sofrer logo a seguir, acho que obviamente que a equipe-
Quebrou animicamente.
Deitou tudo por terra, os gols, ainda por cima, quase de forma consecutiva, ali ao minuto 54 e 60, com duas assistências do André Silva. Muito bem o avançado do Futebol Clube do Porto, não é só de gols que vive o avançado.
E o próprio até disse isso mesmo, defendeu-se também dessas críticas na flash interview. E a verdade é que teve muita influência no jogo e que é um jogador que Farioli já elogiou, e às vezes não esperamos ouvir isto do ponta de lança, mas porque faz muito trabalho defensivo, e isso também é importante pro equilíbrio e pra a pressão do Futebol Clube do Porto.
Totalmente. Portanto, o André Silva tem aqui muita capacidade para ajudar a equipe nos momentos de pressão, ajudar a equipe a baixar e a enquadrar-se com os companheiros. E depois, lá está, são momentos mesmo dentro da grande área, em que revela ali uma qualidade técnica acima da média e, acima de tudo, de decisão e, claro, fruto da experiência que tem como jogador, para ajudar a equipe a encontrar o espaço na grande área. Portanto, são dois gols, o do Huang, muito bom também. Aliás, se calhar, um dos lances mais bem desenhados do jogo. E acho que o 3 x 1, o jogo fica praticamente sentenciado. A partir daí tivemos muitos atritos. O Marco Silva acho que foi gerindo como podia, refrescar a equipe como podia, lançando o Barreiro, o Lukebakio e o Seldrup, mas já não tinha tanta força.
Mas Farioli aproveitou pra lançar em jogo dois jogadores com os quais não contava há algum tempo. Samu há sete meses e Petras do final da época passada. Agora com este retorno, embora não tenham aparecido muito no jogo, o que é certo é que Farioli pode agora já contar com mais nomes, mais jogadores, até pra questão da profundidade que o treinador italiano mencionou como muito importante pra uma equipe que quer vencer e estar bem em todas as competições.
Sim, sem dúvida, e são reforços para esta fase da temporada, ainda para mais antes da pausa para seleções. São reforços. E a verdade é que a partir de certo momento, em que se percebeu que o Benfica também já não tinha grande pujança para ter bola durante muito tempo, o Futebol Clube do Porto agarrou e fez aquilo que melhor sabe com Francesco Farioli, que é circular, é ter alguma paciência, esperar que o adversário se desmonte. O Benfica também com 10 já não se estava a expor muito e depois foi praticamente gerido de um lado e o Benfica fazia um controle do que era possível naquele cenário, que era não sofrer mais e evitar sair com um número mais avolumado no marcador. Portanto, acho que a partir do terceiro gol, uns minutos depois que indiciaram que o Futebol Clube do Porto estava também a travar um bocadinho o ritmo do jogo, acho que se percebeu que o jogo estava completamente decidido e, portanto, diria que ali ao minuto 60 e tal, já todos saberíamos que o desfecho era este e o Futebol Clube do Porto ia ganhar o jogo.
Para depois fecharmos em nota positiva, vamos primeiro ao negativo. O que é que foi pior esta noite no Dragão, no primeiro clássico da época, que aconteceu à sétima jornada? Eu estou a insistir muito nesta questão do número perfeito, mas se calhar não vale muito a pena.
Sim, mas olha, vou dar para primeiro, que isto já é uma constante, mas para todas as questões fora de campo e todas as picardias que ultrapassam certo tipo de margem. Eu não me vou meter na questão da arbitragem, vou deixar isso depois para o Pedro Henriques.
E posso também já avançar que há declarações de Rui Costa, que vamos ouvir a seguir este relatório, que acabaram de surgir, Mário, mas para terminar.
Mas vou só apenas dar o toque que, de facto, não foi uma arbitragem controlada, pelo menos não foi de certeza, porque o jogo perdeu o limite em alguns momentos. Portanto, não foi, obviamente, na minha opinião, uma boa arbitragem. Só por isso, nem vou falar de lances, porque acho que não conseguiu Miguel Nogueira ter controle no jogo ou pelo menos dar essa imagem de segurança no jogo. Mas tirando essa questão, olhando para o jogo, há aqui exibições, de facto, abaixo do nível. O Lenglet, obviamente, pela questão da expulsão, fica ligado. Acho que é mais outro jogo apagadinho do Sudakov, embora também não tenha jogado muito tempo, mas é um bocadinho ingrato estar a dizer isto, mas acaba por estar ligado. E os dois laterais esquerdos, o Martim teve alguma dificuldade em alguns momentos, o próprio Dalot também nos confrontos com o William Gomes e mesmo quando o Frauolt começou a cair muito no seu corredor. Portanto, dir-te-ia que ficamos por aí. Acho que o Chirkati também não entra bem no jogo hoje. Portanto, se calhar, são aqui os pontos mais negativos.
E para fechar, Mário Cajico, o que foi o melhor esta noite no Dragão? Noite de clássico. O ambiente deve ter sido uma dela, sobretudo, talvez antes do jogo, as grandes imagens que nos foram chegando, depois aos entretos.
Isso é bonito, isso sim há que valorizar. Do lado do Benfica, vou dar aqui uma menção honrosa ao Bach, faz um excelente jogo, uma carga competitiva excelente do Bach no jogo, vem até de alguns problemas físicos e aparece muito bem no Estádio do Dragão. Para mim, se calhar, a par do Palhinha, acho que foi o elemento em maior evidência no Benfica, o que mais se destacou, até porque eu acho que os centrais, eu não o coloquei nos pontos negativos, mas não esteve longe. Acho que os centrais, o Tomás também não esteve assim tão bem e revela ali algumas lacunas de concentração em alguns momentos que são fulcrais. Portanto, se calhar, o Bach como o elemento positivo do Benfica. Do lado do Futebol Clube do Porto, vou dar aqui a excelente prestação na segunda parte do Frauolt, que de facto com espaço e com um bocadinho mais de espaço, começou a dominar.
Curou a curte e seguimos a recuperar o ritmo, podemos dizer assim.
É verdade, sim, mas é uma excelente segunda parte do Frauolt. Gostei do PP a espaços também e eu sei que se calhar não vai ser muito falado durante os próximos dias, mas o jogo do André Silva também é muito bom e prova mais uma vez que tem muita influência no jogo ofensivo do Futebol Clube do Porto.
Está feito e entregue o relatório de jogo, a análise do Mário Cajico ao primeiro clássico da nossa época no campeonato, sétima jornada, vitória do Futebol Clube do Porto, no Dragão, frente ao Benfica, por três bolas uma. Um abraço, Mário, e bons negócios. Até sempre.
Um abraço. Até breve.