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Depois de uma derrota no clássico à sétima jornada e também de uma pausa de três semanas para seleções, o Benfica regressou ao campeonato. Vitória frente ao Vitória Sport Clube por duas bolas a zero na oitava jornada. E Augusto Inácio, um jogo que começou com total domínio do Benfica, apesar de algumas vezes o Vitória ter tentado esboçar uma espécie de reação olhos nos olhos, tentado ter bola. O Benfica foi dono e senhor, sobretudo do lado esquerdo do ataque, lado direito da defesa do Vitória. E foi algo que só pecou, na minha opinião, por ter marcado pouco, porque de resto fez uma primeira parte de encher as medidas.

Eu diria que assim que o árbitro apitou para iniciar o jogo e vi as movimentações das duas equipas, eu disse: "Vamos ter aqui um grande jogo". O que é certo é que aquilo demorou só para aí dois minutos, porque o Vitória depressa recuou.

Passou de vamos ter um grande jogo para o Vitória, se calhar, sai daqui com uma derrota pesada, não é?

Exato. Era aquilo que eu estava a prever, até porque o Vitória não estava sequer a ser agressivo naquilo que era a sua forma de defender. E o Benfica foi jogando com muita qualidade, principalmente do lado esquerdo, como tu disseste, e vem Prestianni e Scheldrup. Foi uma dupla que realmente arrebentou com aquele lado direito defensivo do Vitória e foi um Benfica completamente dominador. Teve jogadas extraordinárias, apoiados por um público que acredita muito na equipa, um Benfica vivo, soltinho, com uma dinâmica muito boa e o Vitória com enormes dificuldades ao ponto, praticamente, na primeira parte, só defender. O que é certo é que o Benfica nesse período de grande avalanche, só marcou um golo. E só marcou um golo através do defesa esquerdo, numa excelente jogada, com passe para o Pavlídis, que retribui a bola, colocou no pé e ele com uma classe e uma frieza muito grande, consegue fazer o primeiro golo do Benfica. E o Benfica, curiosamente, com uma bola à trave de Rafa, que tinha praticamente a baliza toda aberta, sem guarda-redes, também falha. O Scheldrup também sozinho à frente do guarda-redes, mandou a bola ao lado, entre outras jogadas perigosas. Eu diria, foi um Benfica que poderia completamente ter acabado com o jogo na primeira parte. Isso não aconteceu e viu-se aí então um Vitória completamente diferente. E quando eu digo completamente diferente, não estou a dizer com isso que criasse grandes oportunidades de golo. Mas foi uma equipa que já tentou dividir o jogo, já tentou chegar um pouquinho mais à frente. Na segunda parte, em termos ofensivos, começou a defender em 5-4-1. O Benfica já não teve essas facilidades para entrar na defesa do Vitória. E o que é certo é que o jogo depois entrou numa toada que estava a ser perigosa para o Benfica. Um Benfica que atacava com muita gente e o Vitória que depois também deixava alguns jogadores na frente e ficou o jogo partido. Nesse jogo partido, quem fica sempre a perder é aquela equipa que está a ganhar, que é partir o jogo também e então arrisca que tudo possa acontecer. O que é certo é que o Benfica fez as alterações que tinham que ser feitas e deu uma energia muito positiva, com o Thiago Magrão também a colocar gente na frente para tentar chegar à igualdade. O que é certo é que quando o Benfica entrou, principalmente o Sudakov e o Eze Behr, eu diria que o Benfica comandou o meio-campo e não deu oportunidades praticamente de o Vitória ir à frente, a não ser um arremate já quase a acabar do Theo Marcães, que a bola foi ao poste. Não sei se foi arremate, não sei se foi cruzamento, sei que a bola foi ao poste, mas já o Benfica estava a ganhar por 2x0, com o excelente golo do Sudakov. Diria que o Benfica podia ter ganho este jogo por mais, um Vitória brioso na segunda parte, mas que praticamente não incomodou o Samuel Soares, um Vitória a passar com grandes dificuldades, o Benfica a responder às vitórias do Sporting em Braga e do Porto na Madeira ao Marítimo. Diria que o Benfica continua a apresentar um futebol com muita qualidade e que galvaniza mesmo aqueles que não são adeptos do Benfica, mas que gostam de futebol, gostam de ver este Benfica a jogar como é.

E Augusto Inácio, foi um Benfica que foi melhorando, mas também, sobretudo, teve um agitador, o velho agitador Prestianni, a jogar desta feita atrás de Pavlídis e a dar espaço também a Scheldrup, que chegou hoje ao jogo 100 pelo Benfica. Aqui, de alguma forma, esta forma de Marco Silva de tirar Prestianni da esquerda para dar esse lugar a Scheldrup e colocar Prestianni nas costas no apoio a Pavlídis, tem-se revelado muito útil para o Benfica e hoje acaba, por alguma forma, de não tendo sido responsável pelo primeiro golo, nenhum destes três jogadores. Pavlídis assiste e é por causa do posicionamento de Scheldrup e Prestianni que se abre uma espécie de corredor para Samuel L.

Deixa-me dizer que eu acho que eles devem ser dois grandes amigos, porque da maneira como eles se entendem dentro do campo, eu acho que eles devem ser grandes amigos também fora do campo. Tirando essa tirada, eu diria que desde que o Scheldrup é titular e o Prestianni também, tem sido titular desde o início, mas o Scheldrup depois, eu diria que os dois entendem-se maravilhosamente bem. O Prestianni faz os dois lugares, joga por trás dos pontas de lança, joga na esquerda a entrar perdente. Eu diria que o Benfica ganha uma qualidade muito boa do lado esquerdo, que se as equipas adversárias não estiverem muito atentas, é por ali que o Benfica pode criar muitas situações de perigo. O que é certo é que o Prestianni teve muitos jogos também na seleção da Argentina, está a passar por um grande momento. Eu diria que o Prestianni, pensava eu, que ia, como se costuma dizer na gíria futbolística, dar o berro, ou seja, cair fisicamente, porque as pessoas não são de ferro. Mas o que é certo é que ele aguentou-se bem fisicamente, ainda é novo, como é evidente, mas aguentou-se bem e o Benfica, na minha opinião, embora fosse dado ao jogador do jogo, o Dal e o nosso Nuno Garcia, também adepto do Benfica, disse que para ele era o Dal. Sinceramente, para mim, não foi só um, foram dois jogadores, foi o Prestianni e o Scheldrup, que eu acho que foram os melhores jogadores em campo, devido àquilo que fizeram e aos traques que causaram. Diria que sim, que o Dal fez um excelente golo com o pé esquerdo, uma frieza muito grande. Diria que aquela asa esquerda do Benfica está a funcionar e de que maneira, e que pode causar realmente muito perigo aos adversários.

Augusto Inácio, para terminarmos, o que foi para ti o pior esta noite no Estádio da Luz?

Pois, eu tenho que dizer que o pior, eu esperava mais do Vitória, sinceramente. Não estou a dizer que dividisse o jogo com o Benfica, mas tivesse uma qualidade, uma posse diferente, um desgaste ao adversário que pudesse não atacar tanto e tantas vezes como o Benfica atacou. Enfim, viu-se só um Vitória praticamente a defender. É verdade que há mérito dos jogadores do Benfica, mas também a qualidade dos jogadores do Vitória não é para tanto e tão pouco.

E para fecharmos este relatório do jogo, Augusto, o que é que foi o melhor esta tarde, noite na Luz? Pode não ter sido só um jogador, pode escolher um momento. O veredito é teu.

Não, eu diria claramente que é a primeira parte do jogo do Benfica. Foi uma primeira parte de grandíssima qualidade. Como eu disse ainda há bocadinho, isto para os benfiquistas deve ser muito bom estar a assistir àquilo que o Benfica está a fazer, mas eu não sou adepto do Benfica, sou adepto de futebol e gostei muito da equipa do Benfica na primeira parte. Por isso, eu destaco e de que maneira, a excelente qualidade do jogo do Benfica nos primeiros 45 minutos.

Augusto Inácio, está feito e entregue mais um relatório do jogo referente à oitava jornada, vitória do Benfica em casa frente ao Vitória Sport Clube por duas bolas a zero. Um grande abraço. Até breve, Augusto.

Um abraço.