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A casa onde eu namorava era aqui. A minha mulher ia lá para cima para a varanda e eu pinhei a casa debaixo da estrada a chupitar.
Com a ajuda de uma régua, Jaime Vitorino aponta para uma fotografia a preto e branco. Vê-se a casa onde, há mais de 45 anos, namorava com a ainda agora mulher, em Foz do Dão, uma aldeia que foi engolida pela água do Mondego, depois ter sido construída a barragem da Aguieira.
A Foz do Dão era uma aldeia bonita. Era um ponto de turismo. Temos ali o quadro. Foi pena aquilo ter desaparecido, mas a lei da vida é assim.
Agora a barragem protege Coimbra, mas Jaime Vitorino explica: o rio Mondego tem uma personalidade muito própria.
A barragem ajuda muito. A barragem ajuda muito, mas é aquilo que eu digo. A serra da Estrela manda muita neve, ajuda muito, porque se aquilo estiver cheio de neve, o rio Mondego fica doido e não há barragem nenhuma que o aguente.
De resto, antes de haver barragem, Jaime Vitorino lembra que a Baixa de Coimbra costumava inundar.
Basta que a baixa de Coimbra também ficava toda alagada, onde é a Estação Nova e aquilo tudo, o Banco de Portugal, aqui ficava tudo inundado.
Ele que participou na construção da barragem, viu a estrutura a encher, ainda no início dos anos 80. Na altura, Jaime Vitorino ouvia dizer que ao fim de 20 anos era preciso realizar uma manutenção, mas nunca soube que isso tenha acontecido.
Ela começou a encher mais ou menos em 80. Até diziam que depois ao fim de 20 anos, era despejada para fazer uma manutenção e já vamos lá em 40 e tais. E manutenções, nada. Isto não sei, mas penso eu que deve ser um risco muito grande depois amanhã.
Jaime Vitorino defende também que o governo não devia permitir construção à beira dos rios.
É muito bonito fazer aqueles bares à beira do rio, como está lá em Coimbra. Aquelas esplanadas, aquilo é muito bonito. É, para o verão. Mas temos que convencer que quando São Pedro abrir as portas, os torneiros, me humilha. É assim.