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Estamos a acolher um bebê que fomos buscar ao hospital, tinha dois meses, neste momento tem sete, portanto está conosco há uns meses. Tem sido fantástico a relação que temos criado com o nosso bebê.
João está a viver pela segunda vez com a mulher, a Maria João, a aventura de acolher uma criança. Dos três filhos biológicos do casal, apenas a mais nova está ainda em casa dos pais e também para ela a experiência está a ser enriquecedora.
A nossa filha mais nova é a única que vive em casa e, infelizmente, na nossa família os bebês acabaram. E ela tem 19 anos, mas não conhece primos, não há familiares mais novos. Para ela, tem sido uma descoberta de estar com bebê e de cuidar de um bebê, e tem sido bastante interessante nesse sentido também.
Antes deste bebê, o casal acolheu dois irmãos, uma menina e um menino, com sete e três anos. Viveram com eles mais de quatro meses e ainda hoje recordam o momento da separação, quando as crianças regressaram à sua própria família.
Foi algo difícil. Por outro lado, tivemos aqui alguns aspectos que nos aliviaram a tarefa, que foi sentir que eles iam para melhor, no sentido em que iria haver uma reunião com membros da família, e acreditamos que foi o melhor caminho.
Obviamente, ficam imensas saudades dos miúdos e felizmente temos conseguido manter algum contacto com eles, mas perceber que fomos importantes numa altura muito complicada da vida deles, fomos uma âncora que eles precisavam e pensamos que fizemos alguma diferença na sua vida.
João sublinha ainda o papel das famílias de acolhimento no apoio a crianças e jovens que vêm muitas vezes de situações familiares bastante complicadas.
Devem, certeza, ter passado por situações muito duras, que para nós é muito difícil tentar imaginar. O que nós podemos fazer é tentar apoiá-los, tentar criar um ambiente familiar, tentar criar um conjunto de rotinas e de regras, mas também de muito carinho e muito apoio, para que eles possam sentir bem numa casa estranha, com uma família estranha.
Já a Maria João deixa uma mensagem a todos os que estão a pensar se devem ou não avançar para o acolhimento familiar.
Avançar para a formação, porque acho que há muitas questões que se dissipam. Para já, iniciar a formação não é a garantia ou obrigatoriedade de avançar com todo o processo, portanto, é uma fase apenas do processo e em qualquer momento podemos recuar e podemos parar o processo. Mas acho que é importante pôr esses receios iniciais de parte e avançar, pelo menos, para dar o passo seguinte, para deixar correr, deixar perceber, deixar se envolver em todo o processo e depois perceber se, de facto, se reúnem as condições e se a vontade se fortalece, e se esse bichinho cresce.
Fica então aqui o desafio da Maria João, que juntamente com o marido, faz um balanço positivo da experiência que têm vivido enquanto família de acolhimento.