Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Foi a primeira a ir ao chão.
Quando é que isso foi?
Eles avisaram na quinta-feira passada. Nós fomos à Segurança Social, por conta própria, pensámos: se eles vão demolir a barraca, alguém viria falar conosco, ajudar, arranjar um lugar pra gente, depois pra fazer isso. Mas não, eles vieram num dia de chuva, como está a ver, estamos na rua.
No meu caso, é a segunda casa a ser demolida. Da volta passada, ou a última destruição que teve, a minha barraca já foi pra baixo. Depois, essa é a segunda vez. Já duas barracas, sempre a me pôr na rua. Mas onde eu trabalho pra Portugal, desconto pra Segurança Social, entrei aqui legalmente e o pagamento é esse.
Eu vou dormir aqui, na rua, na lama, com a minha filha. O senhor primeiro-ministro, eu contribuo também pra apoio em Portugal. Estou a trabalhar desde 2017. Nunca desfui, nunca fui lá chatear porque eu quero abono, eu quero isso, porque eu sei que eu tenho que trabalhar pra cuidar essa criança. Então eu vou dormir aqui na rua com essa menina. Eu não vou a lado nenhum, é aqui que eu vou dormir com ela, ainda que seja aqui nesta lama.
Ivânia, Maria e Elsa, três testemunhos de quem viu a casa ser demolida no Bairro da Lude, sob ordens da Câmara Municipal de Loures e um forte dispositivo policial, num dia de muita chuva e em que os conteúdos das casas ficaram grande parte do dia na lama. Carolina Abreu, da Stop Despejos, aponta para oito famílias que ficaram sem teto.
Existem duas mães com recém-nascidos de três e quatro meses, existe uma moça grávida de sete meses que aguarda uma cirurgia cardíaca ainda, e estão na rua. Agora não têm nem teto.
Quando começaram as demolições, pelo menos oito barracas, ainda não havia onde realojar as pessoas. Os moradores classificam a ação de despejos como desumana.
Não tem explicação, foi mesmo uma coisa fora do normal, desumano. Não é humano o que eles fizeram, foi desumano. Isso não se faz nem com animal, quanto mais com pessoa.