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Foi certamente uma manhã diferente do que muitos deputados da Constituinte teriam imaginado à partida. Vários deles levantaram-se e abandonaram as galerias durante o discurso de André Ventura. António Mota Prego foi um dos primeiros e explica porquê.

Achei que era uma falta de consideração, uma falta de respeito, até uma atitude pouco democrática e, sobretudo, de uma total falta de educação.

Mota Prego explica que era preciso rebater os argumentos do líder do Chega.

O que eu achava é que abandonar só as galerias era fugir à batalha. E portanto, achei que não podia fazer isso sem ter tomado uma qualquer atitude, digamos, de combate.

Por isso, antes de sair, o antigo deputado socialista ainda levantou a voz.

Aquilo que eu disse é que ele estava a ser insultuoso para com os deputados, que éramos deputados ainda atuais, porque honorários, mas enfim, temos essa qualidade.

Também Helena Roseta, outra das deputadas constituintes convidadas, abandonou o hemiciclo. Confessa que ainda não teve interesse de ouvir o discurso de Ventura na íntegra.

Nem ouvi o discurso porque depois saí porta afora, porque nós estávamos na tribuna, não podemos fazer nada. Somos convidados, estamos a ser insultados, saímos porta afora. Nem sequer sei o que é que ele disse. Na verdade, também não me interessa muito.

Roseta fala em má criação intencional, recusa que a atitude dos deputados constituintes represente um ataque à liberdade de expressão de André Ventura.

A liberdade não foi atacada, toda a gente pode dizer tudo o que quiser. Agora, depois não podemos todos é dizer que disseram muito bem, mas isso é outra questão. A gente pode responder politicamente a um discurso. Não se consegue responder educadamente a uma má criação. É muito difícil.

Depois dos discursos e num ambiente mais calmo, os deputados da Assembleia Constituinte foram recebidos para um almoço com o presidente da Assembleia da República, mas na cabeça de muitos ainda vive o episódio que marcou a cerimónia da parte da manhã, que é descrito por Helena Roseta através de uma quadra popular.

Não se sabem comportar, só armam a confusão. Não podemos suportar, há tanta má criação.