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O espetáculo chega a Lisboa depois de quase meia centena de paragens por todo o país e, por isso, está tudo a postos para o concerto que, no Lu.ca, vai dar arranque à segunda temporada de "Mais Alto". Um espetáculo que traz canções novas e que prova que temas como a igualdade, refugiados, aceitação da diferença e liberdade não têm idade.

Às vezes há conceitos que são mais difíceis e que é preciso descomplicá-los. Claro que eles se interessam, porque eles também fazem parte do nosso mundo. Às vezes temos um pouco essa ideia que as crianças vivem num mundo à parte, mas não. Eu acho que eles apercebem-se muito dos problemas que existem e temos tido essa experiência, que eles se interessam muito, gostam e participam muito no concerto.

Ouvimos a voz de Isabel Minhós Martins, escritora e responsável pelos comentários que se vão ouvindo entre canções. Ao longo de uma hora de concerto, Isabel dá contexto histórico às músicas.

A música também pode ser um documento histórico, é quase como um espelho, e nós conseguimos ouvir a música e, se formos curiosos, até saber mais detalhes sobre ela e perceber o que estava a acontecer num determinado tempo, num determinado lugar, o que aquelas pessoas estavam a sentir, o que estava a acontecer.

E a Isabel junta-se Francisca Cortesão, Sérgio Nascimento, Afonso Cabral e, por fim, Inês Sousa. Para além da voz, Inês é responsável pelos teclados e pela percussão e reconhece que para as crianças este concerto pode ser uma verdadeira rocalhada.

Sentimo-nos os Beatles, na maior parte das vezes. Miúdos aos berros a chamar por nós às 10h, rock 'n' roll à séria. E cada cidade tinha a sua corzinha.

E com tantas datas, há sempre histórias para contar.

Já tivemos umas plateias bastante endiabradas, Inês, queres contar?

Uma vez, às convenções de Madeira, salvo eu, tu não estavas. Mas houve uma turma que no final pediu para cantar uma música para nós. E a música nunca mais acabava, era maravilhosa. Era aquela da gaivota. Como é? "Se uma gaivota", não sei o quê. Cantaram a música toda tão queridos para nós. Nós ficámos ali no palco a ouvir.

O espetáculo já teve quase 50 paragens, mas nem por isso o grupo deixou de dar importância ao feedback das crianças.

Ter o feedback do que elas sentiram ao ouvir as músicas, também tentar perceber se fossem eles a escolher o alinhamento, que músicas escolheriam, ou se fossem eles a inventar uma música hoje, quais eram os assuntos que faria sentido cantarmos todos mais alto.

As portas abrem daqui a poucas horas, mas para os mais curiosos, Isabel deixa já um cheirinho do alinhamento.

Há uma música que se chama "Caixinhas", que tocamos logo no início, que eu gosto muito. E a história da música é engraçada, que um dia ela estava a dar um passeio de carro e pararam e ela apercebeu-se que nas montanhas e nos campos à volta da cidade onde ela morava, estavam a nascer aqueles bairros gigantes que existem na América, que nós vimos nos filmes. E ela fez uma música que é uma sátira a essa maneira de viver, um pouco conformada e muito de acordo com o padrão que é definido pela sociedade.

Uma explicação das muitas canções que são apresentadas neste "Ainda Mais Alto", que vão desde os anos 60 até aos dias de hoje, passando por Xutos & Pontapés, Titãs, Zeca Afonso ou Rita Lee.