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Mariana Mortágua deixa a liderança do Bloco de Esquerda sem ressentimento ou desalento. Subiu ao palco com um lenço palestiniano aos ombros e a primeira palavra foi sobre a Faixa de Gaza e para as lições que tirou sobre o Bloco quando esteve na flotilha humanitária.

Nesses momentos em que estive longe, senti o que é este partido. Aqui, a combatividade não é defeito, é feitio.

Depois, a política nacional, Mariana Mortágua passa em revista algumas conquistas do partido. Em matéria fiscal, há dois exemplos, um deles, o imposto que tem o nome da ainda coordenadora do Bloco de Esquerda.

Mas devo confessar-vos que já saboreei um carinho, um pouco do travo da missão cumprida, por saber que o Fundo Público de Pensões recebeu mais de mil milhões vindos do imposto adicional sobre imobiliário de luxo.

Um partido com orgulho do caminho traçado, mas que precisa agora de mudar quase tudo.

E quase tudo não é demais. Só não mudamos a fibra de que somos feitos, porque nestes tempos, quem não tiver uma âncora forte vai ser arrastado.

Mudar pra conseguir enfrentar uma extrema direita que continua a crescer em Portugal.

Mas daqui garanto a toda a direita radicalizada e caceteira: não se livram de nós. Estamos aqui pra lutar. Somos o povo da liberdade.

Saída da coordenação do partido, Mariana Mortágua promete continuar por aí, quer um Bloco de Esquerda capaz de fazer as perguntas certas.

Que partido queremos ser? Como moldaremos este nosso instrumento de ação para fazermos a parte que nos cabe enfrentar uma vaga autoritária mundial? Com que prioridades? Com que alianças?

Aplaudida de pé por todos os membros da convenção, Mariana Mortágua discursa pela última vez enquanto coordenadora do Bloco de Esquerda.

Viva o socialismo, viva a democracia, viva o Bloco de Esquerda. Boa convenção a todos.