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A proeza da tarde de hoje, proeza individual, digamos assim, essa fica pertencendo a Eusébio.

Foram muitas tardes de proezas individuais pra aquela pantera de vermelho vestida, mas uma tarde houve em que a proeza maior não foi um gol, foi o abrir mão de um amor maior. Na tarde de 29/03/1975, no jogo da jornada 27 do campeonato, contra o Oriental, Eusébio não marcou gol, mas marcou a história do futebol português com o último jogo com a camisola do Benfica. Ou como diz Tony.

É um dia em que o futebol português ficou mais pobre.

Com as portas da liberdade abertas pelo 25 de Abril, o destino foi os Boston Minutemen, dos Estados Unidos da América. Só que os norte-americanos já só viram um rei a meio gás.

É um Eusébio massacrado com sete operações, seis ou sete operações ao joelho esquerdo. Aquele Eusébio dos anos 60 não era esse que tínhamos em meados da década de 70.

Mas esse Eusébio, mesmo que já não marcasse 30 gols por época, continuava a ser um líder. E a prova estava nesse último jogo. O árbitro-assistente António Cortez foi agredido por um adepto e quando o árbitro Nemésio de Castro ponderou terminar o jogo, foi Eusébio o primeiro a pôr água na fervura. O Pantera Negra ainda voltaria a Portugal para representar o Beira-Mar e o União de Tomar, o que deixou para sempre mágoa em Tony, que sempre sonhou com o regresso.

Eu, com o coração, Eusébio Simões, sempre. Regressavam dos Estados Unidos: "Vamos, Benfica".

Não regressou, mas Eusébio vai para sempre vestir de vermelho e branco. E 50 anos depois, diz Tony, esse legado tem de ser eterno.

Quem virá terá sempre que passar às novas gerações e, com certeza, que há vídeos, portanto, para poder imortalizar o Eusébio da Silva Ferreira.