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Shareza Changiz tem 16 anos. Está agora em Portugal com um tio e uma das irmãs, mas deixou grande parte da família para trás.
Vim com a minha irmã e o meu tio. Meu pai e a minha mãe ficaram em Cabul, não podiam vir. Temos quatro irmãs pequenas. Se a minha mãe viesse, o meu pai não ia conseguir tratar delas sozinho. E não podiam vir todos, porque só podiam sair três pessoas no total.
No Afeganistão, apenas as mulheres foram proibidas pelo Talibã de praticar desporto, como o futebol, mas Shareza Changiz conta que, por ser de uma etnia em minoria no país, nem jogar futebol pode, mesmo sendo rapaz.
Os talibãs não nos deixam jogar futebol porque somos hazara. É uma das etnias no Afeganistão. Os talibãs matam-nos. Eles são muito maus conosco porque somos hazara.
O jovem afegão está agora entre o grupo acolhido por Portugal há uma semana e meia. O processo de saída do Afeganistão demorou três semanas.
Na primeira semana, viajamos de Cabul até Mazari Sharif, uma província no norte do Afeganistão, onde estivemos três semanas. Depois disso, disseram-nos que tínhamos de ir ao aeroporto de Mazari Sharif e depois chegar à Geórgia e da Geórgia vir para aqui.
Não sabia que vinha para Portugal, sabia apenas que iria fugir do Afeganistão. Agora, em Lisboa, conta o que pensa sobre a cidade que acaba de o acolher.
Pesquisei na internet sobre a cidade de Lisboa. O tempo aqui é bom, a cidade é muito boa e é uma cidade que é visitada por muitos turistas.
Shareza Changiz, de 16 anos, é um dos milhões de deslocados do Afeganistão, depois de os talibãs terem tomado o controle do país. Longe dos pais e de quatro irmãs, espera agora ter uma vida melhor e jogar futebol como tanto gosta.