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O protocolo entre a Fundação Jornada Mundial da Juventude e a APAV já foi anunciado há uns meses e começa hoje a formação de voluntários para prevenir situações de risco face a abusos. Por que sentiram a necessidade de criar esta formação?

No âmbito do protocolo que foi assinado com a JMJ, um dos pilares que está contemplado logo de início é precisamente a questão formativa, numa perspectiva preventiva. Esta situação visa prevenir não apenas as situações de violência sexual, mas todas as situações de violência que podem acontecer na JMJ enquanto evento de larga escala. Ou seja, estamos a falar aqui de dotar os voluntários da sede do comitê organizador, mas também chefes de equipe e depois de todo o rol de voluntários que vai estar na JMJ, de informação para conhecerem que tipo de situações de violência podem acontecer num evento de larga escala, mas também que situações e quais são as ações que devem entrar em cena caso uma situação aconteça, não apenas na relação com a vítima, mas também na respectiva ação correspondente. Ou seja, estamos a falar aqui de uma capacitação dessas pessoas para quaisquer situações de violência que podem estar, naturalmente, e estão sempre consideradas, em causa num evento de larga escala. Fosse a JMJ, fosse outro evento qualquer. Estes riscos existem sempre. Quando são feitas as análises securitárias e são desenvolvidos planos de segurança, estes riscos existem, são riscos também de situações de violência e, portanto, nesse sentido, esta formação é uma formação para capacitar os voluntários, os elementos que estão ligados à organização, para a resposta mais adequada face a uma situação de potencial crime ou violência. Desejamos, obviamente, que não aconteça. Desejamos que a JMJ seja um encontro vivido com alegria, sem situações de violência, mas caso aconteça, pelo menos garantimos que essas pessoas que estão no terreno e que serão muitas vezes o ponto de contacto inicial dos peregrinos, possam ter já alguma capacitação e algumas dicas e campos de ação para poderem desenvolver com as vítimas.

E em que consiste esta formação?

Esta formação, em traços gerais, obviamente visa, numa primeira fase, caracterizar estas situações de violência que podem acontecer num evento de larga escala, e não apenas a violência sexual, mas também podemos estar a falar, por exemplo, de crimes de natureza patrimonial, de situações de violência física, de situações de discriminação e, portanto, alertar para este tipo de situações. Mas depois também na resposta que, enquanto pessoas ligadas à organização e enquanto seres humanos, podem dar a uma vítima de crime, como acolher esta vítima de crime, o que podem, o que devem dizer e o que não devem dizer. E depois também a correspondente ação, caso necessário, para a comunicação às autoridades policiais e de segurança. E também algumas dicas de segurança para serem usadas pelos próprios, mas também que podem ser reforçadas e transmitidas aos peregrinos no decurso da JMJ.

E como é que vai funcionar, mais no sentido prático, a resposta da APAV perante estes casos que não esperam que aconteça, mas que têm de estar prevenidos?

Exatamente. E o objetivo desse protocolo é exatamente esse. Além desta modalidade de prevenção, de formação e de capacitação, teremos também a modalidade do apoio. Ou seja, no período da JMJ, inclusive na semana anterior à semana de 1 de agosto, naquela semana mais preparatória, a ideia é termos em funcionamento a nossa linha de apoio à vítima, 116 006, a funcionar 24 horas por dia para que possa ser facilmente acionada por qualquer pessoa, mas também equipas nas dioceses de acolhimento de Santarém e de Setúbal, prontas para fazer o apoio presencial para situações que ocorram nestas dioceses de acolhimento. E depois também no espaço em Lisboa, ou num espaço onde estão a acontecer atividades da JMJ, ou num espaço imediatamente próximo, estarem também técnicos presencialmente para poderem dar esta resposta numa lógica de centro de apoio de atendimento à vítima, numa lógica local, presencial, poderem dar resposta às situações, quer com o apoio de uma natureza mais prática, de resolução de situações, como por exemplo, o apoio ao cancelamento de cartões, o contacto com embaixadas, etc. Quer apoio mais direcionado para as questões legais e para, obviamente, o apoio emocional e psicológico. Portanto, a ideia é termos isto em articulação com as entidades que também estarão no local a desenvolver este trabalho de segurança e de reação, mas termos também este espaço nos locais em Lisboa, mas também Santarém e Setúbal e a nossa linha de apoio à vítima.

E qual é que é a importância de uma formação destas num evento com uma dimensão como a Jornada Mundial da Juventude?

Esta jornada está a ser inovadora por várias razões, mas também está a ser inovadora nesta dimensão. Quando se faz um evento de larga escala, obviamente há ações que são desenvolvidas no campo da segurança, mas que não olham diretamente para as vítimas como centro das preocupações e da correspondente ação. E portanto, esta jornada e este protocolo é inovador neste sentido. O objetivo é nós termos as pessoas que estão, mais do que, obviamente, as autoridades policiais, as pessoas que podem estar ao lado dos peregrinos, que podem estar com os peregrinos nos mais diferentes contextos, elas próprias estarem com o olhar Redobradamente atento, mas também com capacidade e com competências para dar resposta imediatamente da forma que é mais correta, não apenas na interação pessoal com as vítimas, mas também da respetiva forma das autoridades policiais e da ligação com as autoridades policiais, se necessário. Isto porque aquilo que queremos é que as pessoas se sintam seguras, se sintam acolhidas, caso vivenciem uma situação de violência, tenham o apoio de que necessitam no imediato. E, portanto, esta necessidade também de dotar quem pode ser o primeiro contacto com uma pessoa que possa ter sido vítima de um crime, que podem ser estes voluntários, os voluntários da sede, os voluntários que vão estar no evento, os chefes de equipe de voluntários. Portanto, é importante nós capacitarmos também essas pessoas para que saibam agir imediatamente, corretamente, e de forma a garantir que esta vítima tenha o apoio de que necessita praticamente na hora e no imediato, para que não tenhamos aqui vítimas que não se sintam acolhidas, não se sintam bem tratadas. O objetivo é capacitar essas pessoas para poder articular com as entidades no local.

E hoje, se não estou em erro, começam os voluntários que trabalharam na sede da fundação.

Sim.

E depois, ao longo dos próximos meses, vai ser dado aos restantes voluntários que também vêm chegando a Portugal?

Exatamente. A ideia é depois estendermos isto também ao chefe de equipe de voluntários, também aos voluntários que vão estar no terreno e também se fazem aqui articulações com os COTs, portanto, com as respectivas USCs, também para poderem conhecer a resposta e poderem conhecer o trabalho que está a ser desenvolvido. Isto é um dos braços de ação deste protocolo. Ao longo dos próximos meses, vamos continuar a trabalhar para que na semana de 1 a 6 de agosto possamos ter apenas o foco neste trabalho.

E mesmo para terminar, já tiveram algum feedback por parte dos voluntários em reação a esta formação?

Estamos a acabar o primeiro momento formativo. Começamos hoje de manhã. A primeira reação é de que foi muito bem acolhida, correspondeu às necessidades dos próprios voluntários. Mas estamos mesmo a acabar o primeiro momento formativo, que acabou agora por volta do meio-dia. Mas foi muito bem acolhida, foi muito bem recebida e correspondeu também às necessidades. E acredito que isto depois também se vá complementar com as restantes ações que temos previstas desenvolver com a JMJ no âmbito do planeamento destas jornadas.