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Está conosco em directo nesta edição Vasco Lourenço, capitão de Abril. Muito obrigada por estar conosco.
É um prazer. Boa tarde.
Por que decide apoiar António José Seguro?
Porque considero que é o candidato que, defendendo os valores de Abril, está em melhores condições para ser eleito.
Mas em melhores condições, de que forma?
Daqueles que eu considero que defendem os valores de Abril, defendem a Constituição, querem uma sociedade livre, democrática, mais justa e igualitária, é, na minha opinião, quem tem mais condições para ser eleito.
E o apelo que faz à desistência de António Filipe e Catarina Martins?
Eu não fiz apelo à desistência. Eu disse que, na minha opinião, eles deviam entender-se todos e apoiar, de facto, o António José Seguro, que é quem tem condições, porque tudo aponta para que os votos nele serão votos perdidos.
Mas por que é que até nas declarações que fez à Agência Lusa fala em estupidez nata da esquerda? Está desiludido com a forma como tem gerido?
Sim. Veja o que está a passar nas eleições autárquicas. Todos olham para o seu umbigo, não olham para o essencial e todos querem ter o vereador, mas isso podem fazer em alianças, como foi feito em Lisboa por Jorge Sampaio e depois mais tarde por João Soares. Conseguiram de facto ter uma autarquia regida por soluções para mim mais corretas em termos sociais, em termos de valores de Abril, mas quando todos começam a puxar para o seu lado, é o que nós temos visto.
Sendo que em Lisboa há uma coligação de esquerda, mas aí o PCP ficou fora. Também não deveria ter ficado.
E eu pergunto: os votos do João Ferreira, que é uma pessoa por quem tenho enorme consideração, provavelmente vão fazer eleger o candidato do adversário.
Mas voltando aqui às presidenciais, Vasco Lourenço, falou com António Filipe antes de declarar este apoio a Seguro?
Não, eu não falei com o António Filipe antes disso. Ou melhor, vamos lá ver. O António Filipe a certa altura pediu para ser recebido pela associação e nós recebemo-lo. Tivemos uma conversa. Eu entretanto não quis tomar posição desde logo. Também tinha falado com o António José Seguro, tinha falado com o Sampaio da Nova, não quis tomar uma posição desde logo, mas agora considerei que era oportuno, apesar de ser no mesmo dia que há uma justa condenação à atitude de Israel, mas espero que uma coisa não interfira no noticiário da outra. Mas o que é facto é que considerei que era oportuno agora tomar uma posição e tomei uma posição de apoio ao António José Seguro.
E acredita que António Filipe e Catarina Martins podem ouvi-lo e apitar essa posição?
Eu tenho essa esperança, mas que até às eleições haja uma convergência de posições. E acho que o único que está em condições de convergir e ter um resultado positivo é o António José Seguro. Essa é a minha opinião. Não quero interferir nos partidos políticos, sou independente, sempre o fui. Tenho as minhas preferências, mas em termos partidários sempre fui independente, continuo independente. E em termos individuais também gostaria de acentuar isso. Isto é uma posição pessoal, não é uma posição em nome da associação 25 de Abril, é uma posição pessoal. Estou convicto que a grande maioria dos sócios da associação estarão de acordo comigo, mas cada um é livre e nós, felizmente, continuamos, por enquanto, num país livre.
E capitão de Abril que é, acredita que António José Seguro numa segunda volta tem hipóteses de fazer frente ao almirante Gouveia e Melo?
Estou convencido que sim.
Muito obrigada, Vasco Lourenço.
Se for o almirante Gouveia e Melo, passa à segunda volta, porque também com a divisão nos votos nessa área, não sei quem que irá, mas eu estou convencido que o António José Seguro numa segunda volta terá condições para vencer, seja qual for o adversário que tiver pela frente.
A esquerda pode ter perdido uma oportunidade de, perante a distribuição de adversários à direita, perante tantos adversários à direita, se ter unido logo desde o início em torno de uma candidatura de esquerda?
Talvez. É uma das hipóteses de apreciação do que se passou.
Vasco Lourenço, muito obrigada por ter estado conosco.
Nada, boa tarde. Obrigado. Boa tarde.