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Arranca hoje o Boom Festival em Idanha-a-Nova. Está tudo pronto? Quais são as expectativas?
Está tudo a correr bem, estão a entrar os festivaleiros. Espera-se cerca de 39 mil festivaleiros, mais cerca de dois mil trabalhadores, entre convidados, etc. São pouco mais de 40 mil pessoas que estarão desde o dia de hoje até à próxima quinta-feira. Encerra entre 27 pra 28. A expectativa é de participação de 179 países do mundo, 1200 horas de programação, muitos artistas, muitas áreas. Posso dizer-lhe: 1128 artistas, 1528 horas de programação e artistas que vêm de 49 nacionalidades. Atividades da música, dança, teatro, cinema, pintura, escultura, arquitetura não habitacional, vídeo e projeção e mapeamento, iluminação artística, performance, circo, conferências e palestras, terapias e bem-estar e muitos workshops. Espera-se, de facto, um festival multicultural em mais de 100 hectares, com espaço aprazível, confortável, e o que se espera é que os festivaleiros venham e partam com segurança e em boas condições.
Um dos pilares do festival é a sustentabilidade. O que é que está a ser feito a este nível?
Sustentabilidade é um dos pilares, que há uma preocupação aqui sempre. Gestão da água, também há uma preocupação na área da sustentabilidade e o festival tem ganho os prémios internacionais. É um festival que tem conseguido prémios a nível nacional e a nível internacional de sustentabilidade, desde uma preocupação com a circularidade da água, uma preocupação com alimentos sustentáveis. Está integrado na Biorregião de Idanha e lá vamos ter a marca Portugal Organic e o apelo à aquisição de produtos portugueses, produtos nacionais sustentáveis em modo de produção biológico, apelando a agriculturas regenerativas, mas também uma preocupação com a energia, com a gestão da água. Aos festivaleiros é sugerido que se use e que não se abuse do uso da água. A própria água que é utilizada é também reutilizada. As casas de banho são casas de banho sustentáveis em que há reutilização dos subprodutos das casas de banho. Há também uma preocupação de não utilização dos plásticos, uma preocupação na área do consumo neste âmbito. Toda essa é uma mensagem que é passada aos festivaleiros, porque o objetivo é que sejam os participantes que sejam alertados para esta situação.
E há alguma novidade na edição deste ano?
Este ano é um ano em que temos as guerras da Ucrânia, muita intolerância no mundo, todos nós sentimos isso. Esta edição é dedicada ao amor radical, o amor como forma de ultrapassar estas diferenças entre os homens, quer as guerras, quer as lutas racistas, o flagelo humano que vemos por todo o mundo. Há um apelo a uma maior pacificação, uma maior relação, maior tolerância, que é nas questões do racismo, nos refugiados, a forma como lidamos nas relações humanas no mundo, entre países e entre diferentes credos, diferentes formas políticas de gerir o mundo. É um apelo, daí o tema ser o amor radical. O amor radical como luta contra este flagelo humano.
Qual é a importância deste festival pra comunidade de Idanha-a-Nova?
Já fizemos várias vezes estudos económicos, este festival tem um impacto económico, social e cultural muito grande, impacta de uma forma significativa Idanha, mas tem um impacto económico, com o professor Augusto Mateus fizemos algumas edições, entre outros, um impacto de 55 milhões de euros, que obviamente impacta a economia em Idanha, na região da Beira Baixa, no país, de uma forma significativa. Estamos a falar de muita gente do mundo que vem e que vai dar um contributo pra nossa economia de uma forma significativa. Esses 55 milhões de euros impactam em todo o país, nomeadamente em Lisboa, onde os festivaleiros chegam de avião, sobretudo, e ficam mais alguns dias no antes e no pós-festival, e aproveitam para visitar Portugal e fazer férias em Portugal.