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José Manuel Anes, criminalista e fundador do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo. Obrigado por se juntar a nós, José Manuel Anes. Pode estar aqui, de facto, como sugere a reportagem, uma violação dos protocolos de segurança do governo?
Eu preciso dizer que fui colega do Luís Neves, sou amigo dele e, portanto, sou, de alguma maneira, uma parte interessada. Mas eu creio que daquilo que eu conheço do percurso dele, antes de me reformar, ainda fui colega dele durante um tempo, ele estava à frente do CCB. Mas eu acho que há coisas que são, de alguma maneira, um certo facilitismo. Oito anos à frente da Polícia Judiciária deram-lhe realmente uma posição de grande vantagem relativamente ao facto dele ser muito expedito em determinadas soluções. É um facto. Eu creio que não há, que eu saiba, nenhuma violação de normas criminais, mas o que acontece é que quando se facilitam algumas coisas, depois mais cedo ou mais tarde pode haver problemas. Creio que é isso que acontece, basicamente.
É um risco para o próprio.
Exatamente, tal e qual. É isso mesmo. Mas realmente, por um lado, facilita a resolução de problemas, por outro lado, pode arranjar problemas no futuro.
O que significa exatamente, José Manuel Anes, este nível três do grau de ameaça pública? O que significa exatamente esta escala e como é que se atribui este grau três, nomeadamente a um ministro da Administração Interna?
Há funcionários da função pública do nível superior que podem sentir ameaças e ser ameaçados e ter problemas com criminalidade de vários tipos, crime organizado, terrorismo, etc. Nesse sentido, creio que é essa a avaliação que o SIS fez. Devo dizer que saiu agora o diretor do SIS, esteve lá muitos anos, que era outra pessoa com grande admiração, o doutor Neiva da Cruz.
Só para percemos, isto é uma avaliação que é feita em abstrato, ou seja, é feita a um cargo e não necessariamente a uma pessoa.
Exatamente, é ao cargo, é um princípio, associado depois a questões muito concretas da parte da investigação liderada pelo, neste caso, doutor Luís Neves, que podem ter problemas com algumas normas de criminalidade e isso aí já é uma questão concreta, mas em princípio é atribuído ao cargo, basicamente.
Aos vários elementos do governo, todos eles estão nesta escala.
Com certeza. De qualquer maneira, o doutor Luís Neves, pelo fato de ter sido diretor da Polícia Judiciária, é capaz de ter um nível superior, um nível acrescido de segurança, por facto de poder eventualmente ser alvo de algum represália por parte de grupos criminais.
E daí também a eventual necessidade de ter mais cautela nesta iniciativa de conduzir sozinho um carro e de prescindir de seguranças e de motoristas.
Exatamente, completamente de acordo.