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Em direto neste jornal temos agora o secretário-geral da FENPROF, José Feliciano Costa. Bom dia, obrigada por estar connosco em direto. Tem já informações desta segunda-feira? Hoje os professores vão começar a poder corrigir os exames nacionais de português do 12º ano?
Pois, vamos ver. Nós temos informações que provavelmente dizem o contrário. Aliás, continuam a chegar-nos testemunhos de professores classificadores que revelam, de facto, um cenário muito preocupante nesta questão da organização dos exames nacionais. Por exemplo, relatos de professores convocados por escolas onde já não exercem funções, professores que já se aposentaram. Aliás, temos até o relato de uma professora que foi convocada, que já tinha falecido. Colegas que foram convocados para classificadores de disciplinas, uns para as quais já não lecionam há muito tempo. Recebemos aqui relatos de duas professoras de Biologia e Geografia que foram convocadas para correções de exames de Português e de Português Língua Não Materna, respetivamente. Temos aqui outro relato de um professor de Geografia que foi convocado para corrigir um exame de Francês. Isto é o que nos vai chegando das escolas. Temos também aqui nota de SMS que foram enviados do centro de digitalização dos exames, onde estiveram a trabalhar durante todo o fim de semana, a pedir a colegas para comparecerem para fazerem trabalho manual de separar picotados, separar folhas de resposta e portanto isto parece-nos um processo muito caótico, muito preocupante sobre o funcionamento do próprio centro de digitalização de exames. E depois não há aqui também uma assunção de responsabilidades.
O senhor Feliciano Costa está aqui a dar-nos muitos exemplos de coisas que não estão efetivamente a correr bem. E isto deve-se a quê? É o novo processo que está a atrapalhar? São problemas que não costumam acontecer para a correção de exames, ou sim?
São problemas que não costumavam acontecer, não costumam acontecer, de facto, com esta dimensão. Evidentemente que um processo que envolve a realização de milhares de exames provavelmente terá sempre alguns-
Há sempre uma margem de erro aceitável.
Normalmente, são problemas resolvidos nos próprios secretariados de exames das escolas, que neste momento não têm indicação nenhuma. Os próprios contactos que são feitos, as linhas que não dão resposta. Isto, de facto, é um problema complexo que está muito ligado também a uma reorganização que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação fez. Extinguiu um conjunto de estruturas, nomeadamente a Direção-Geral de Educação, que já organizava e organiza exames e com essa experiência de há muitos anos. Uma reorganização, repito, que extingue um conjunto de estruturas, que cria uma agência que supostamente devia gerir a realização dos exames, e isso não está a acontecer. Portanto, agora há aqui uma desresponsabilização e o governo não pode esconder-se atrás destes organismos, tem que dar resposta. O próprio Ministro da Educação tem que dar uma resposta. Nós temos que saber, os portugueses têm que saber quem decidiu esta organização, percebe-se que não estavam reunidas as condições para a implementação, por exemplo, nomeadamente dos exames. E agora quem é que assume a responsabilidade? Nós estamos a falar de prazos que foram dilatados. Havia inclusive professores que marcaram férias, que tinham já as férias marcadas entre as duas fases dos exames. A própria expectativa de milhares de alunos.
Estamos a falar ainda da data de 10 de julho para a fixação das notas. Ainda é exequível essa data?
A informação que nós tínhamos de ontem, de sexta-feira, aliás, é que o ministério tinha prolongado o prazo até 10 de julho, mas que ainda ninguém tinha recebido nada. Portanto, essa informação ainda não tinha sido dada oficialmente. Não sei se já o foi, mas de qualquer forma, os secretariados de exames precisam disto. Os professores classificadores precisam desta confirmação.
Portanto, nesta altura, às 9h da manhã de segunda-feira, ainda está tudo em aberto. A FENPROF ainda não consegue dizer se os professores estão a começar a receber todas as indicações para poderem começar a corrigir os exames nacionais.
Exatamente. Neste momento, nós não temos essa informação, mas de facto, o que nos foi chegando ao longo do fim de semana e ao longo da semana anterior também, de quarta, de quinta e de sexta, é preocupante e o que se percebe claramente é que há um caos instalado nos exames nacionais e que revela claramente o falhaço da reorganização do Ministério da Educação. Esta é a informação que temos neste momento