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Em pleno clima de guerra no INEM, a Ministra da Saúde convocou para hoje uma reunião com a direção do instituto e também com o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. O objetivo de Ana Paula Martins é fazer com que os trabalhadores voltem atrás na greve convocada para setembro. Junta-se a nós Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Bom dia, Rui. Esta é uma reunião que promete um ambiente muito crispado. A Ministra da Saúde pode ser aqui uma boa mediadora para alcançar um consenso?
Bom dia e obrigado pelo convite. De facto, é uma greve que surge num clima estranho. Pela primeira vez, o nosso sindicato e os seus dirigentes sofreram acusações do presidente do INEM. Contudo, as nossas expectativas são muito boas. É também a primeira greve onde o governo pode satisfazer as nossas reivindicações sem fazer aumentar a despesa, nem em salários, nem em condições de trabalho. Está em causa apenas a qualidade e a quantidade dos cuidados prestados aos cidadãos. E se for do interesse do governo garantir não só a resposta atual do INEM, como também reforçá-la, conforme uma das nossas reivindicações, nós teremos todo o gosto em recuar nesta decisão da greve.
Sim, o sindicato está contra as medidas de reorganização de meios que têm sido tomadas pelo Conselho Diretivo do INEM, entre as principais, a substituição das ambulâncias de suporte imediato de vida por viaturas ligeiras e também a alocação das ambulâncias de emergência médica aos hospitais. Qual é a expectativa para a reunião de hoje? E pergunto-lhe também como é que está o processo de negociação neste momento. Já alcançaram algum acordo?
Não, a reunião inicia-se às 14h, não houve qualquer preparação prévia entre nós e o governo. O ônus de se fazer reivindicações está do lado do governo e é quem tem também o poder de assumir os compromissos, não tanto do seu presidente do INEM. Mas se nos forem dadas garantias, por um lado, que a resposta do INEM atual não é colocada em causa, não é diminuída, como nessas duas medidas que referiu. E se, por outro, assumirem o compromisso de a reforçar, tal como nós propomos, com duas ambulâncias de emergência médica por cada concelho até o final de 2027, e se estes compromissos forem feitos por escrito, nós consideraremos cancelar a greve.
E está otimista em relação à reunião de hoje à tarde?
Estamos otimistas. Aliás, das negociações que temos tido com este governo, pese embora já estejam interrompidas desde fevereiro, sempre conseguimos chegar a consensos. Temos a expectativa que consigamos também na reunião de hoje.
Voltando às declarações do presidente do INEM, Luís Cabral, que acusou o sindicato de ter intenções partidárias ocultas no processo de negociação, o que levou da sua parte já a admitir que vai avançar com uma queixa-crime contra o presidente do INEM. Já avançou com esta queixa e pondera pedir a demissão de Luís Cabral?
A decisão de avançar com a queixa-crime já está tomada. O nosso departamento jurídico está a ultimar os trâmites legais para que a ação possa dar entrada. Quanto ao pedido de demissão, eu acho que depois de, numa assembleia geral do trabalhador, que engloba todos os trabalhadores de todas as categorias do instituto, ter sido votada por esmagadora maioria a demissão do atual presidente, o nosso pedido já seria inferior a essa reunião magna. Portanto, o seu presidente já sabe que tem os trabalhadores a pedir a sua demissão, a senhora ministra também, estranhamos é que nenhum dos dois tenha tomado nenhuma medida.