Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Maria Lurdes Rodrigues foi Ministra da Educação, é reitora do ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa, que se prepara para abrir a quinta instituição universitária e no Conselho de Sintra. Esta vai ser uma escola especializada em tecnologias digitais aplicadas. Cresce no município que é no país aquele que tem mais população na faixa etária entre os 15 e os 24 anos, mas tem também uma das mais baixas porcentagens de jovens a frequentar o ensino superior quando falamos da área metropolitana de Lisboa. O que significa este projeto, quer para o ISCTE, quer também para este município?
Em primeiro lugar, para o ISCTE significa serviço público, significa servir uma região da sua área de influência, a área metropolitana de Lisboa, sobretudo na Coroa Norte, servir de serviço público com uma aproximação aos locais onde estão as pessoas, onde estão os jovens. Estamos em crer, pelos vários estudos que desenvolvemos, que as políticas de proximidade no ensino superior tenham efeito no acesso ao ensino superior. Isso é evidente quando se olha para os vários conselhos do país que têm instituições de ensino superior, como essa presença estimula a entrada, a escolha, os percursos do ensino superior. E sendo ainda esse um problema do país, nós necessitamos de continuar a alargar a base, continuamos a ter que promover o acesso ao ensino superior junto dos jovens, mas também dos adultos. Parece a nós, parece ao ISCTE, importante desenvolver um projeto que faça essa aproximação. No fundo, uma deslocação para os conselhos, para o conselho, neste caso, onde residem tantos jovens e onde é tão deficitária a oferta formativa, é praticamente inexistente. Do lado do ISCTE significa isto serviço público, uma aproximação aos conselhos onde estão as pessoas, onde estão os jovens. Do lado de Sintra é muito importante, porque é o segundo conselho do país em residência, é o primeiro em número de jovens e não tem, de facto, apesar desta sua importância, não tem instituições de ensino superior universitário, de ensino superior politécnico. E portanto, significa muitíssimo, porque é a possibilidade de oferecer também aos jovens, aos adultos, às empresas, a todo o município, uma instituição que pode ajudar muito, pode apoiar muito o seu desenvolvimento.
Este é, como disse, um projeto para uma escola especializada em tecnologias digitais aplicadas, mas de forma mais detalhada, qual é que vai ser a oferta educativa?
Olha, eu posso lhe dizer já os oito cursos em que estamos a trabalhar. É um curso de cibersegurança, é um curso de desenvolvimento de software por serviço, um curso de gestão e inovação de tecnologias educativas, um curso de inteligência artificial aplicada, um curso de robótica e sistemas inteligentes, um curso de tecnologias digitais aplicadas à gestão, outro de tecnologias digitais aplicadas à cultura e património e um outro de tecnologias digitais aplicadas à saúde. No fundo, aquilo que fazemos, aquilo que vamos procurar fazer, é combinar a formação em tecnologias digitais, basicamente telecomunicações e informática, o que significa isto das tecnologias digitais, é a combinação destas duas áreas tecnológicas com o conhecimento dos sistemas a que estas tecnologias são aplicadas. No caso da saúde, no caso da educação, no caso da gestão, no caso da indústria com robótica, e portanto é nisso que o projeto é bastante inovador. Portanto, rompe com o paradigma da formação de engenheiros, apenas em telecomunicações ou informática. Ela combina as duas áreas, tecnologias e informática, e o ISCTE já o faz, o ISCTE já tem cursos que combinam estas duas áreas disciplinares, telecomunicações e informática, e agora é completar esse perfil com um conhecimento mais aprofundado dos setores que exigem essa aplicação. Há uma tendência à especialização, à especificidade dos próprios setores, saúde, indústria, educação, que têm exigências próprias, e, portanto, a nossa aposta é que o conhecimento da especificidade dos setores de aplicação possa melhorar muito a formação.
E numa análise mais fina, esta é uma oferta que também vai estar articulada com setores do Conselho, falamos aqui de empresas, com a economia local, já que é um projeto que nasce aqui em Sintra e que tem também aqui este apoio vá lá por parte da autarquia. Haverá também essa maior articulação?
Com a autarquia e com as empresas. O Conselho de Sintra tem o Conselho Estratégico Empresarial, com quem estabelecemos também um protocolo. Vamos assinar esse protocolo dia 19, mas já vimos a desenvolver muitos projetos com as empresas do Conselho Estratégico Empresarial. Nós desde agosto que estamos a fazer em Sintra cursos de formação de programadores, no âmbito do projeto do Instituto de Emprego e da APDC Desde agosto até agora, ainda estão a terminar cursos intensivos de formação de programadores. Estamos a desenvolver estes cursos, a fazer protocolos de colaboração para os estágios e até para o desenho dos cursos. E temos mais de 90 empregadores de toda a Área Metropolitana Norte. Temos colaborações com mais de 90 empregadores, que são empregadores públicos e privados, justamente para termos um contexto não para o funcionamento dos cursos, mas para a integração destes profissionais nesses setores, através dos estágios. E tudo isso está a ser preparado, já está em vigor. Já assinamos com 90 destas instituições protocolos de estágio e, portanto, estamos a trabalhar nos planos de estudo também com estas instituições empregadoras.
Para quando é que está previsto o início de funções deste novo polo? E pergunto-lhe também o que é que falta ainda para tudo isto avançar e quantos estudantes é que o ISCTE prevê acolher também neste novo polo do Instituto Universitário de Lisboa, no município de Sintra.
Vamos lá ver. A escola está a ser projetada para ter no máximo 3 mil estudantes quando estiver em funcionamento pleno. Portanto, não é uma escola muito grande, é uma escola da dimensão das escolas que o ISCTE atualmente tem. Temos quatro escolas que variam de dimensão entre os 2 mil alunos e os 3,5 mil alunos e, portanto, estamos a projetar uma escola com a mesma dimensão daquelas que o ISCTE já tem. O processo de aprovação dos cursos é um processo demorado. Nós vamos submetê-los à agência de acreditação, a A3ES, em outubro, que é o prazo que está estipulado nos regulamentos, e esperamos que ao longo do ano de 2022 os cursos estejam aprovados. A construção da escola será um pouco mais demorada, demora dois anos, três anos. Sabe como é que são estes processos. O projeto está muito avançado, temos estado a trabalhar com a Câmara Municipal e o projeto está mesmo muito avançado, pronto para licenciamento por parte da Câmara, mas o processo de construção será ainda demorado. A nossa intenção é que à medida que os cursos forem aprovados e tivermos autorização, tivermos a licença para a lecionação, começá-los na medida em que tenhamos instalações no concelho de Sintra que sejam adequadas à lecionação. Nós os cursos de programadores que temos vindo a fazer desde o mês de agosto, que ainda estão a funcionar, estamos a fazê-lo na Startup Sintra, que são instalações de um parque industrial muito interessante, muito novo, muito moderno, tem um Fab Lab, tem ótimas condições e nós estamos ainda a fazer os cursos para programadores. É evidente que o espaço é pequeno, tem 16 salas, para fazer funcionar a escola que estamos a projetar são precisas pelo menos 40 salas e, portanto, está fora de causa fazer funcionar aí a escola, mas não está fora de causa que possamos aí desenvolver os primeiros anos dos cursos à medida que eles forem sendo aprovados pela agência. Portanto, eu acho que Sintra não pode esperar por 2026 ou o que for para a conclusão do edifício. Não podemos esperar. A urgência de oferecer formação de nível superior na Área Metropolitana de Lisboa é muito premente e, portanto, nós estamos disponíveis, preparados, com vontade e com a motivação para começar o trabalho à medida que forem sendo reunidas as condições para o fazer.