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Junta-se agora a nós, em direto, o especialista em assuntos de leste europeu, José Milhazes. José Milhazes, bom dia. Estamos ainda a perceber que informações nos chegam de Kiev, mas isto parece ser claramente uma resposta russa às explosões deste fim de semana na ponte da Crimeia. Será isso que está a acontecer?

Bom dia, Carla. É claro que se trata de uma retaliação e em grande escala. Nós estamos a ver que praticamente todas as regiões da Ucrânia estão a ser atacadas por mísseis russos que visam, fundamentalmente, destruir infraestruturas vitais, como o fornecimento de electricidade às cidades e de água. Há também ataques que visam destruir aquilo a que os russos chamam de centros de decisão, ou seja, lugares onde se possam encontrar as autoridades ucranianas ou das cidades ucranianas. Não há dúvida nenhuma que isto era o esperado. Não é uma grande surpresa, visto que uma parte da sociedade russa, da elite política russa, exigia vingança e sangue. E aí está a acontecer essa tragédia, mais esta tragédia, que são ataques com mísseis contra praticamente todo o território ucraniano.

E estes ataques, José Milhazes, acontecem no dia em que já havia expectativa em relação à reunião do Conselho de Segurança da Rússia. O que é que pode sair daqui?

É difícil dizer. O porta-voz do Kremlin dizia que, se calhar, até nem se falava da situação na Ucrânia, mas claro que isso é duvidoso. O que pode sair é mais um aumento nas medidas de retaliação. Putin tem que fazer esquecer a vergonha que foi o atentado contra a ponte que liga a Rússia à Crimeia. Tanto mais que surgem cada vez mais interrogações sobre esse ataque, porque, por exemplo, ontem ao fim da tarde, o presidente Putin reuniu-se com o dirigente do Comitê de Investigação da Rússia e este dirigente disse a Putin que o caminhão, ou melhor, os explosivos, teriam atravessado a Bulgária, a Ucrânia, a Geórgia, entrado no território russo e depois na ponte. Ora, isto é muito estranho, porque a ser verdade o que foi dito, os serviços secretos russos falharam redondamente, porque pelo menos o caminhão deveria ter sido bem revistado em dois lugares: na fronteira entre a Geórgia e a Rússia e depois à entrada da ponte. O que leva até alguns a supor que se tenha tratado de uma manobra do Kremlin para justificar os ataques que hoje se estão a realizar.