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Temos agora em direto ao telefone Ana Rita Bessa, CEO do grupo Leya, o grupo de Lobo Antunes. Ana Rita Bessa, bom dia, obrigado por se juntar também a nós.

Bom dia.

De que forma recorda este homem das palavras?

Bom dia, embora bom dia hoje seja uma expressão estranha. Acordámos com esta notícia que nos encolhe um bocadinho. Ouvindo a Piedade Ferreira, queridíssima editora do António Lobo Antunes, a falar antes, fica pouco por dizer, uma vez que a Piedade tinha com o António uma relação que se percebeu tão especial. A obra do António, que muito nos honra ter na D. Quixote, é extensa, é de leitura obrigatória, diria eu, ainda que exigente, é um escritor exigente, e eu creio que tem ainda muito para dizer e terá muito para dizer nos tempos que aí vêm, aos leitores que já o conhecem e aos leitores que ainda não o conhecem. Pensava muito hoje nas palavras do António, na sua relação tortuosa com a eternidade e com Deus e na sua dúvida permanente, e pensava que de alguma forma, cheia de graça, a sua obra perdurará nos seus livros e ele eternizar-se-á através da sua palavra. E isso é uma coisa que eu gosto de pensar e que acho que é uma coisa bonita.

Ana Rita, deixe-me só perguntar-lhe também, até porque a própria D. Quixote se compromete a continuar a trabalhar e a promover a obra de Lobo Antunes. Naturalmente que ainda é cedo, mas já pensou em alguma forma de o fazer, de continuar a promover esta obra e este escritor para lá do dia de hoje?

Claro que sim. Nós temos este compromisso ativo e presente com a obra do Lobo Antunes e com a sua família, e essa obra e a capacidade de a promover e de a levar às prateleiras das livrarias e das bibliotecas, manter-se-á. Temos até, embora eu não possa desvendar grandes coisas, mas temos pelo menos um projeto novo em mãos que conhecerá a luz do dia nos próximos meses, mas sem prejuízo disso, tudo aquilo que existe de espólio está neste momento disponível e garantiremos nas próximas horas que chegará a todos os que queiram ler, porque de facto, o António, também com outros nomes que a Piedade referiu, mas o António Lobo Antunes foi de facto uma das vozes maiores do final do século XX e deste século, e merece que esse estatuto seja continuado e que a sua obra se mantenha viva e ativa. Portanto, faremos isso em Portugal e também, embora não sejamos nós a fazê-lo, seguramente no estrangeiro. O António é publicado em muitos países e, portanto, também acredito que aí haverá interesse em renovar o compromisso com a sua obra.