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Francisco Louçã, obrigado pela disponibilidade. Esteve aqui a apresentar as propostas do Bloco. O que eu lhe perguntava era: para que estas propostas sejam tidas em conta por um futuro governo, é preciso que o Bloco integre esse executivo, tenha pastas ministeriais? O Francisco Louçã já falou muito na Mariana Mortágua como Ministra das Finanças. Isso é uma exigência que o Bloco devia fazer?
Isso é uma pergunta que tem que fazer à Mariana e ao Bloco. Agora, o que está em disputa hoje e na próxima semana é as eleições dia 10 de março. E nos campos políticos que se definem, o campo AD, Iniciativa Liberal, e o campo em que à esquerda o Bloco quer ser determinante, sabemos que há um equilíbrio muito próximo. E, portanto, nós queremos ter o impulso suficiente para que o crescimento do Bloco ajude a determinar a vitória dessa alternativa. E é a partir daí que se abre o futuro imediato. As escolhas do governo e de políticas de governo vão ser determinadas por isso. Podemos conseguir baixar os juros da habitação, podemos conseguir baixar as rendas ou criar ou reduzir o impacto do precariado sobre os jovens? Podemos, depende dessa força. E se for assim, esse será um bom governo. Quem o compõe, isso teremos que ver depois, em função dos compromissos e dos acordos que possam estabelecer. É preciso ganhar primeiro. E, portanto, ganhar é o impulso que tem que vir e eu estou com muita confiança que isso vá acontecer.
Mas se for o PS a ganhar essas eleições, vê abertura para estas prioridades, para os salários, a habitação que estiveram aqui a falar?
Repara, nós chegamos aqui com um desastre político da maioria absoluta e não vai haver nenhuma maioria absoluta do Partido Socialista. Isso é um pesadelo do qual já nos livrámos. Mal do país se isso acontecesse. O que pode acontecer e tem que acontecer, é o esforço do Bloco de Esquerda para vencer a direita, é conseguir compor uma força de compromisso em que o Bloco possa determinar essas alternativas. É com o Bloco que elas podem ocorrer e com a força do Bloco que elas podem ser determinadas.
Vou fazer uma última pergunta sobre o aborto, sobre o que esteve aqui a falar. Luís Montenegro ontem recuou na posição de Paulo Núncio. Acredita que mesmo assim a AD vai querer avançar com restrições ao aborto?
Está por ver. De facto, Passos Coelho, ou seja, o PSD e o CDS, já o fizeram quando puderam no governo e foram derrotados pela sensatez da maioria, que depois protegeu os direitos das mulheres, embora ao longo dos últimos anos é verdade que o governo, do Partido Socialista, neste caso, deixou cair os serviços de saúde a tal ponto que uma das vítimas foi a mulher que queria interromper, com segurança e com proteção hospitalar, a sua gravidez, caso assim o entendesse. Mas na verdade, é preciso pensar de novo sobre essa questão. Os centros de saúde devem poder ter esse acesso, os enfermeiros devem poder fazer esses atos clínicos fundamentais. Portanto, é possível fazê-lo e sabemos como o fazer. Uma nova maioria pode garantir que isso acontece? Claro que sim. O que faria uma AD se porventura ganhasse, e espero que isso seja evitado, poderia ter a tentação de voltar à mesma giga-joga de truques que o governo Passos Coelho, com o CDS, foi impondo no passado. Se o fará ou não, pois Montenegro que o diga.
Francisco, vou aproveitar. Falou a uma pergunta, faço apenas uma, se não levar a mal, que acaba por estar segmentada em dois pontos. O primeiro é, enquanto analista também político e já uma raposa velha, se me permite a expressão, no mundo da política e das eleições legislativas, como é que olha para as temáticas que têm sido abordadas, não só pelo Bloco de Esquerda, como pelos restantes partidos, se se adequam às necessidades do país? E uma segunda, que na Aliança Democrática vimos o regresso de Pedro Passos Coelho. Francisco Louçã foi adversário de Pedro Passos Coelho na altura em que ele estava mais ativo, digamos assim, nas lides do PSD, e que era primeiro-ministro. A minha questão é se é possível Francisco Louçã, da mesma forma que Pedro Passos Coelho entrou na campanha, se Francisco Louçã põe esse cenário também em cima da mesa.
Sim, eu entrarei em campanha no dia 6 de março, em Braga.
E em relação às temáticas que têm sido...?
Acho que Mariana tem sido fortíssima nos debates e tem contribuído pra um grande debate público, sem nunca ter uma palavra de ódio, mas procurando esclarecer sobre a habitação, sobre a educação, sobre política internacional, que já agora se fala pouco, sobre justiça, sobre combate à corrupção. Acho que esse é o papel que o Bloco de Esquerda deve ter, o mais propositivo, o mais consistente possível. Enfim, há outros partidos que o têm feito à escala das suas posições, e eu respeito isso. Além disso, há outra parte que é o que está por trás do biombo ou que sai de detrás do armário. Mas sobre isso, com franqueza, já ultrapassa o nível do debate político, porque é simplesmente uma forma de fazer política suja, que eu acho que não é bem aquilo que Portugal quer ou que está à espera.
Já agora, de que forma é que se vai juntar à campanha? Pode já avançar?
Vou participar num comício e numa arruada em Braga