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Carlos Moedas esteve reunido com o Papa Francisco a marcar os 100 dias para a Jornada Mundial da Juventude. O que foi transmitido por parte da autarquia de Lisboa?

Em primeiro lugar, a energia que os lisboetas me transmitiram. Muita gente me transmitiu a energia que queriam trazer ao Papa daquilo que, no fundo, os lisboetas querem receber, querem ter este momento. E transmiti-lhe isso. Muitos me pediram por aquele rezado por Lisboa, que também transmiti. E ele sentiu-se tão tocado e tão reconhecido que quis gravar um pequeno vídeo, que ele fez com muita informalidade com o meu telemóvel, a agradecer aos lisboetas tudo isso e a dizer que tem um grande entusiasmo para estar com eles, para vir a Portugal. Portanto, foi um momento muito único. Depois falámos de Lisboa, dos mais vulneráveis, daqueles que têm uma vida mais difícil, em que ele me disse que o que ele gostava era de estar no meio das pessoas e com as pessoas, e esperava que pudesse estar também com os lisboetas, com aqueles que mais sofrem. Depois falámos da Lisboa intercultural, interreligiosa, com as diferentes religiões, ao que ele dá muita importância, porque ele quer que esta jornada seja também uma jornada que junta todos. Aqueles que têm diferentes fés, aqueles que não têm fé, mas que são os jovens que querem pensar o mundo, o futuro do mundo. E foi muito único, porque é um homem muito humilde, mas que transmite uma energia extraordinária e, sobretudo, que quer vir a Lisboa, quer estar conosco. Sentiu-o em grande forma. Sabia que ele tinha estado no hospital, mas senti que ele estava com muita alegria e com muita vivacidade e, sobretudo, com um interesse enorme por este evento que vai marcar a nossa cidade e estamos a 100 dias. Portanto, foi muito importante marcar. Mas, sobretudo, eu não estava ali pela pessoa que sou, porque não sou eu, são os lisboetas, e ele percebeu bem isso e quis deixar esta mensagem a todos os lisboetas, porque eu estava a representar todos. E foi nesse sentido que foi um momento tocante para toda Lisboa.

Portanto, foi um feedback positivo por parte do Papa Francisco.

Muito positivo, muito entusiasmado com o estar no momento que, como ele dizia, é um momento único para a vida de Lisboa, porque é o momento em que vamos estar sendo o centro do mundo, da discussão do futuro do mundo com os jovens. E por isso é um momento que nunca vamos esquecer e ele fica muito agradecido aos lisboetas o esforço que estamos a fazer para recebê-lo. E isso foi nítido na mensagem que ele enviou aos lisboetas.

E o Papa Francisco levantou alguma preocupação relativamente à jornada?

Eu mostrei-lhe, aliás, um pequeno vídeo de 30 segundos para lhe mostrar o que o Tejo Trancão era e o que é, o que temos, o que já fizemos. Estamos preparados. Disse-lhe que estávamos a regar a relva não com água potável, mas com água usada, vinda de uma estação de tratamento para poupar água. Ele mostrou um grande interesse sobre esse ponto e a sustentabilidade e a poupança da água, como é que íamos fazer. E ficou espantado, de certa forma, que estivéssemos com esse cuidado de não gastar água potável para regar os parques. Estamos a regar 40 hectares com água usada, sustentabilidade. E disse-me: "Este parque tem que ficar para os lisboetas, é um parque lindo, verde, que vai ficar para os lisboetas".

Como disse, faltam exatamente 100 dias para a Jornada Mundial da Juventude. Quais são, neste momento, os principais obstáculos? Ainda há obstáculos?

Não, nós estamos a trabalhar como nunca estivemos. Toda a câmara está mobilizada, está tudo a correr muito bem. Estamos bem preparados. As obras no Tejo Trancão estão a avançar muito bem e foi isso que eu lhe mostrei. Portanto, aquilo que temos aqui é: não temos preocupações, temos muitos assuntos, temos que resolver ainda muitos assuntos, mas eles estão a ser resolvidos e a Câmara Municipal está a dar prova que consegue fazer e que consegue fazer rapidamente. Portanto, eu trouxe-lhe isso, trouxe-lhe essa esperança e, sobretudo, a mobilização de todos os trabalhadores e trabalhadoras da Câmara.

E já agora, o Papa estava há dias internado. Como é que o encontrou?

Encontrei-o muito bem, em grande forma, diria eu, com uma grande energia. Falámos, rimos. Eu trouxe-lhe um livro do padre António Vieira, que é um jesuíta que defendeu sempre os mais fracos e que defendeu os indígenas no Brasil, que defendeu os judeus contra a Inquisição, que foi preso pela Inquisição. E ele ficou muito contente, porque também tem um grande amor pelo padre António Vieira, que é um jesuíta como eu.