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Muito boa tarde, doutora Alexandra Antunes. Antes de mais, muito obrigado pela sua disponibilidade, por falar com a Rádio Observador. Os dados revelados hoje pelo INEM mostram um crescimento dos sintomas de ansiedade entre os portugueses, atingindo quase 40% da população. Há mesmo aqui um crescimento de mais de sete pontos percentuais quando comparado com 2024. O que poderá estar a influenciar ou a causar este aumento?
Antes de mais, boa tarde novamente e muito obrigada pelo convite, em nome da Ordem dos Psicólogos, para pensar convosco sobre estes resultados. Isto não é um dado que nos espante, uma vez que vimos a alertar para os problemas de saúde mental que têm vindo a aumentar na nossa população. Não que seja muito diferente daquilo que acontece no resto do mundo. Isto não se refere apenas a Portugal, mas o que vamos percebendo é que em Portugal estes valores são sempre ligeiramente acima, nomeadamente quando comparados com dados da OCDE, por exemplo. O que nos faz crer é que nós estamos expostos a uma ansiedade ou a situações de estresse persistentes. E se reparar, nós saímos de uma pandemia, começamos com uma guerra, novamente outra guerra, com todas as implicações associadas em termos sociais e em termos económicos. E esta persistência da exposição a fatores de estresse, para além de todas as outras circunstâncias de vida de cada pessoa, são efetivamente um dado determinante nesta manutenção e neste aumento dos níveis de ansiedade na população.
Há pouco referiu que-
E é algo que a Ordem tem vindo a alertar. Nós estamos perante, efetivamente, um problema de saúde pública. Isso já não é algo que surge em algumas pessoas.
Referiu há pouco que Portugal normalmente apresenta níveis ligeiramente ou um pouco superiores aos que são apresentados por outros países. Em termos de saúde pública em Portugal, que medidas é que deveriam ser tomadas para tentar diminuir um pouco esses níveis?
Desde logo, deveríamos olhar para termos políticas alinhadas intersetorialmente, ou seja, era importante que olhássemos para a saúde, para o trabalho, para a escola, para a educação, com uma visão interligada e que por isso pudesse haver uma intervenção também e orientações nestes três níveis que são determinantes na sociedade, alinhados para que possamos ter efetivamente sucesso com as pessoas. E diria que, acima de tudo, a grande falha que existe em Portugal tem a ver com a prevenção, e nós apostamos muito pouco na prevenção. E por isso não é de estranhar que estes valores, depois desta ansiedade aumentada, acabem por surgir. Nós estamos a falhar naquilo que são os cuidados de saúde primários, a falhar no alertar as pessoas para a sintomatologia, para como é que a podem prevenir, que tipos de estratégias é que devem ser utilizadas, para que estes sintomas não sejam tão graves na nossa população.
Apesar deste agravamento, estes mesmos números do INEM revelam que a satisfação dos portugueses com a vida manteve-se estável. A população atribui uma média de 7,3 numa escala de zero a 10 em 2025, que é um valor idêntico ao do ano anterior. Como é que podemos interpretar aquilo que à primeira vista parece um aparente paradoxo?
Eu julgo que as pessoas, exatamente como diz. Eu julgo que quando dizem isto, terá a ver muito mais com o sentir-se fisicamente bem. E depois, repare que a diferença tem a ver com a sintomatologia, uma sintomatologia muito específica. Aquilo que nos dá o relatório, que tem a ver com este aumento das questões de ansiedade. E também esta questão da satisfação com a saúde não estará muito longe de outros relatórios recentes em que efetivamente os portugueses estão satisfeitos com a sua saúde e com o seu bem-estar geral, e não provavelmente, especificamente com as questões de saúde mental e, neste caso, com as questões de ansiedade.
Doutora Alexandra Antunes, fica então aqui esta sua leitura. Muito obrigado, mais uma vez, por nos ajudar a interpretar dados relacionados com estas questões da parte da Rádio Observador. Agradeço-lhe mais uma vez a sua disponibilidade