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A deputada do Chega, Cristina Rodrigues, foi acusada de um crime de dano informático. Em causa está uma queixa do PAN em 2020. É acusada de eliminar milhares de e-mails depois ter saído do partido há cerca de cinco anos, numa altura em que já não tinha direito a aceder ao endereço eletrónico em questão. O despacho da acusação indica que o Ministério Público acredita que Cristina Rodrigues agiu deliberadamente para prejudicar o partido PAN. De acordo com os procuradores do Ministério Público, o objetivo de Cristina Rodrigues seria impedir o PAN de continuar a atividade política. O Ministério Público pede uma pena não superior a cinco anos de prisão. E para reagir a esta decisão, junta-se a mim Ernesto Morais, da Direção Nacional do PAN. Bom dia.
Muito bom dia.
O PAN está satisfeito com a acusação do Ministério Público?
O PAN não tem que estar satisfeito. O PAN acredita na justiça. A queixa que apresentamos foi contra desconhecidos. As investigações chegaram à deputada agora do Chega e é o corolário de uma investigação que foi levada a cabo pelo Ministério Público e como referi, o PAN fez uma queixa contra desconhecidos.
E acreditam que a justiça foi feita?
Ainda não foi feita, será feita depois do resultado do julgamento. Acreditamos, obviamente, na Justiça. Estamos calmos relativamente a essa possibilidade e aguardamos a decisão dos tribunais.
Que impacto é que este caso teve no partido?
O impacto foi bastante profundo, uma vez que Cristina Rodrigues era responsável pela Secretaria da Ação Jurídica, em que havia um histórico grande de e-mails relativamente a associações, relativamente a denúncias e todo esse trabalho, todo esse histórico acabou-se por perder no momento em que ela apaga os e-mails. É um histórico que se perdeu e que foi impossível de reconstruir, uma vez que ela apagou efetivamente todos os e-mails. Depois provocou um trabalho de recolha novamente da informação, de repetição de processos que já tinham sido iniciados e teve um grande impacto junto da atividade do partido.
Ernesto Morais, em causa está um número não apurado de e-mails apagados, não se sabe ao certo quantos foram. Já foram algumas dezenas, 125 recuperados. Falamos de e-mails do partido relacionados apenas com o trabalho de Cristina Rodrigues ou e-mails do partido?
Não, ela como coordenadora da Secretaria da Ação Jurídica, tinha acesso a todos os e-mails dessa secretaria. Ou seja, não se trata apenas e só do e-mail que o partido lhe tinha atribuído, mas que é do partido, obviamente, mas também da própria Secretaria de Ação Jurídica. Estamos a falar de um trabalho de equipa que ela, possivelmente tendo eliminado esses e-mails, acabou por, de certa forma, aniquilar o trabalho de toda a equipa e de todo o partido nesse campo. Ou seja, não foi o endereço de e-mail que lhe foi atribuído que foi apagado, esse também foi apagado, obviamente, mas foi o da equipa toda e toda a Secretaria de Ação Jurídica acabou por perder os processos que estavam nesse e-mail.
Muito bem.
Que no fundo era o e-mail principal da secretaria, onde a comunicação era feita com o exterior.