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Em primeiro lugar, eu acho que o PSD tem que ter aqui uma palavra de solidariedade com os professores que andam já há muitos anos a reivindicar melhores condições de trabalho. A questão da valorização da carreira docente é um imperativo nacional, porque é uma classe que está muito envelhecida, que está muito desgastada, que não tem sido valorizada e a primeira palavra é obviamente para os professores. Em segundo lugar, acompanhamos esta situação dos últimos meses, como dizia, com muita preocupação, porque isto obviamente tem também repercussões naquela que é a forma de funcionamento das escolas. Escolas que, em resultado da pandemia, também tinham um processo agora de recuperação das aprendizagens que não está a correr bem e, no limite, quem são os prejudicados são obviamente os alunos. Mas a terceira nota, e que queria deixar aqui bastante claro, tem a ver com o tom persecutório como o Ministério da Educação tem tratado os professores. Ainda hoje, terá tido a oportunidade de ver relatos de operações de stop aos autocarros que transportavam os professores. Isto são manobras típicas de outro tipo de regimes muito pouco democráticos, não é o nosso. O que se vem a juntar a outros episódios deste tom persecutório que eu fazia referência. Ainda ontem, na conferência de imprensa, o ministro da Educação procurou usar os alunos como arma de arremesso político das pessoas, dos encarregados de educação contra os professores. E portanto, há, de facto, um processo negocial em curso, mas atendendo à postura do Governo, à postura do ministro, neste processo, temos sérias dúvidas e preocupações de que venha a ser bem sucedido com bons resultados para o sistema de ensino.

Pois, eu ia-lhe perguntar precisamente os impactos que acha que isto pode ter na educação da geração que está agora nas escolas.

São vários. Dizia ele há pouco que ainda estávamos supostamente a implementar um plano de recuperação das aprendizagens, que toda a gente já se apercebeu que é um fiasco. Este clima de grande insatisfação infundada dos professores, naturalmente que também prejudica a sua motivação, que é muito normal, e é uma classe que não tem sido valorizada. Naturalmente que os alunos também, alguns deles, sem aulas, apesar de alguns professores procurarem de alguma forma compensar, mas o direito à greve, obviamente, deve aqui ser respeitado e o Governo tem a obrigação de conduzir este processo negocial com seriedade, com ponderação e tem, sobretudo, de ter a capacidade de encontrar soluções. Porque, veja, este é um governo que está em funções, o Partido Socialista está no governo há sete anos. Esses problemas não são novos. O envelhecimento da classe docente. Nós começámos o ano letivo, é importante recordar, com mais de 60 mil alunos sem aulas, pelo menos a uma disciplina. Iniciámos o segundo período letivo com mais de 20 mil alunos nesta situação. O Governo tem-se mostrado incapaz de encontrar soluções para estes problemas. E naturalmente, ao final do dia, se os professores são prejudicados, mas são também, como é evidente, os alunos.