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Embaixador António Martins da Cruz, a Rússia afirma que os danos causados à embaixada portuguesa em Kiev são culpa da Ucrânia. Foi uma posição transmitida pela embaixada russa em Portugal. A embaixada insiste que os danos causados no edifício resultam da utilização pouco profissional do sistema de defesa antiaérea ucraniano e a missão diplomática em Moscovo acusa também os jornais portugueses de despertarem sentimentos russofóbicos e de cobrirem estes acontecimentos de uma forma distorcida. Qual é o comentário que lhe merecem estas declarações da embaixada russa?
Em primeiro lugar, seguramente a embaixada russa em Lisboa fez essas declarações por instruções de Moscovo, do governo da Federação Russa. Seguramente. Depois, nós já tínhamos conhecimento pelas notícias que o míssil russo não tinha atingido diretamente as instalações da chancelaria portuguesa em Kiev, mas tinham sido destroços desse míssil que tinha sido abatido pelo sistema de defesa antiaérea da Ucrânia. Portanto, isso que estão a dizer não é novidade nenhuma. Simplesmente, se os russos não tivessem enviado o míssil, não tinha sucedido o que sucedeu à embaixada portuguesa, à chancelaria da embaixada portuguesa em Kiev. Quanto à acusação de russofobia, ela é simplesmente ridícula por uma razão: o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, e muito bem, mandou culpar a Federação Russa daquilo que tinha sucedido. E foi feito um protesto enérgico pela destruição ou por ter sido afetada e destruída parcialmente a chancelaria da embaixada portuguesa. Não se trata de nenhuma russofobia, trata-se de um procedimento diplomático normal, exatamente o que foi seguido, por exemplo, pela China, aliado da Rússia na guerra da Ucrânia, como é conhecido, procedimento seguido pela China quando a sua embaixada em Belgrado foi bombardeada em maio de 1999 por forças da NATO. É perfeitamente normal. Quanto à acusação de russofobia, ela ainda é mais ridícula por outra razão. Portugal é membro da Aliança Atlântica, da NATO, e é membro da União Europeia e as posições quanto à culpa à Rússia pelo ataque à Ucrânia são muito claras, quer da parte da NATO, quer da parte da União Europeia. E, portanto, Portugal não tem nenhuma vocação particular de russofobia, segue aquilo que seguem os aliados da Aliança Transatlântica e os Estados membros da União Europeia.
Embaixador António Martins da Cruz, aproveito também para lhe perguntar sobre um outro tema, se me permite. Sobre a guerra no Médio Oriente, o Hamas terá aceitado libertar 11 reféns, que são homens e jovens. Isto é uma novidade, que até agora só tinha insistido em libertar crianças, idosos e também mulheres. Queria lhe perguntar se vê isto como uma nova fase nas negociações para um cessar-fogo.
Esta libertação é seguramente um passo positivo num possível caminho para um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Simplesmente, nós temos que recordar que o Hamas já devia ter libertado todos os reféns que fez no ataque a Israel em outubro, há dois anos, vai fazer quase três anos para o ano. Já os devia ter libertado imediatamente. E, portanto, é um passo positivo, mas isto não deixa de ser um fator que impede também um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Nós temos que ter em conta o seguinte, quer no caso da Ucrânia, quer no caso deste conflito no Médio Oriente, o aproximar do dia 20 de janeiro, ou seja, da alteração da administração norte-americana, vai fazer com que todas as partes envolvidas, e eu penso que todas, na questão do Médio Oriente, vão procurar avanços significativos para poder apresentar uma nova situação que permita que a nova administração americana consiga encontrar rapidamente soluções. E eu penso que é neste espírito e nesta dinâmica que deve também ser vista esta libertação de, infelizmente, só 11 reféns por parte do Hamas.