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Tivemos contato com algumas pessoas que residem lá na Venezuela. Sabemos de algumas pessoas que ainda não conseguiram encontrar os seus familiares e estão justamente nesses pontos mais difíceis, onde aconteceram as coisas, por exemplo, em La Guaira. Essas famílias estão em San Bernardino, em Caracas. De forma geral, agora que estamos a começar a receber informações de pessoas que não conseguiram contactar os seus familiares, que estão desaparecidas. Mas isso está mesmo a começar, porque até poucas horas as pessoas ainda não tinham muita informação. Também as redes de telecomunicação não estavam muito bem e só há poucas horas é que se reiniciaram as comunicações. Mas, na verdade, é uma situação muito preocupante. A comunidade que está cá em Portugal tem se mostrado muito solidária com a situação da Venezuela e há muitas pessoas que estão disponíveis para ajudar a comunidade venezuelana que está lá e a comunidade portuguesa que está lá. Já recebi imensos contatos de pessoas que querem colaborar com alimentos, com medicamentos, para enviar para Venezuela. Neste momento estamos a organizar todo esse processo para poder fazer a recolha de ajudas e de apoios para Venezuela, mas isso precisa todo um processo, porque não é só recolher, é também que Venezuela possa receber e que chegue às pessoas que realmente necessitam. Mas as pessoas têm se mostrado muito solidárias com o que está a acontecer e, obviamente, os venezuelanos que estão cá e as pessoas que já entraram em contato conosco, mostram-se muito preocupadas e ansiosas, porque obviamente, esta situação que aconteceu há poucas horas, relativamente, cria uma situação de ansiedade, dúvidas, as pessoas não sabem o que vai acontecer, se vão haver réplicas. Há prédios que ficaram totalmente destruídos, outros que estão a ser alvo de análise para saber se têm segurança suficiente para que as pessoas possam voltar a suas casas. E entretanto, estão na rua, estão nas praças, muitos pernoitaram nas praças, por exemplo, na Praça da Candelária, na Praça Altamira. As pessoas estão, pernoitaram ali, à espera de que possam ser feitas as avaliações dos seus edifícios e possam aprovar e permitir que as pessoas possam regressar a suas casas. Portanto, é uma situação muito trágica e, na verdade, preocupante.
Falou há pouco de ajuda, que não basta recolher, é preciso fazer chegar. Em termos de logística, o que é mais necessário, neste momento, para conseguir fazer chegar a ajuda?
Encontrar a forma e a ligação, que nós estamos a contar com que Portugal faça a ligação com o governo. O governo de Portugal com o governo da Venezuela, para que, as ajudas que vão de Portugal para Venezuela sejam recebidas lá, sejam recepcionadas e possam ser distribuídas realmente às pessoas que precisam. Isso é uma responsabilidade acrescida, porque não basta recolher, o importante é que realmente cheguem às pessoas que precisam. E nesse sentido, esse elo está a ser já desenvolvido e estamos à espera de uma vez que essas ligações possam ser feitas, possamos começar a recolher essas ajudas.