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Pergunto-lhe então qual é a ideia da comissão técnica para as ULS universitárias.
Em primeiro lugar, sublinhar que é um trabalho que eu tive o orgulho de coordenar e o privilégio que foi aprovado por unanimidade, por um conjunto de oito peritos de grande renome e prestígio nas suas diferentes áreas, num quadro de total independência do governo, trabalhamos completamente autónomos. E no fundo, este relatório o que visa é dar consequência, dar instrumentos e propostas para tratar de maneira diferente aquilo que verdadeiramente é diferente. Sem pôr em causa o interesse e a utilidade da integração de cuidados de saúde que as ULS aportaram, e sobre isso nós não temos nenhuma dúvida, nós entendemos que há dimensões que não podem ser tratadas como um cilindro que terra plana o terreno todo por igual, porque os grandes equipamentos hospitalares com afiliação acadêmica universitária têm uma responsabilidade e uma vocação diferente das outras unidades. Também, por outro lado, nós entendemos que a rarefação de motivação que existe hoje em dia no SNS pode ser combatida com a existência de caminhos, de carreiras e de projetos de vida para os jovens que hoje não lhes são oferecidos. Hoje os jovens estão muito perdidos no meio daquilo que são os projetos profissionais. Cada vez há menos vontade de prosseguir uma carreira acadêmica ou de investigação. Os jovens médicos não aceitam as vagas que os concursos estão abrindo, muito encaminhamento destes jovens para um trabalho indiferenciado e até à peça. E conjugando, por um lado, esta realidade, como colocar Portugal na agenda europeia. Se for ver, os países mais evoluídos da Europa têm ecossistemas com estas características, têm se quiser clusters, onde se conjugam as diferentes dimensões que aqui importam, que é assistência clínica muito diferenciada, o ensino e a formação, a investigação e a produção de conhecimento e de ciência. Portanto, o que pretende o relatório não é anular nada do que está para trás, é fazer uma evolução e um ajustamento, criando, de facto, um maior entrosamento entre as dimensões da complexidade, reforçando muito os caminhos da medicina clínica de base científica e das outras profissões de saúde também.
E estamos a falar de um ajustamento do modelo de financiamento, mas há também outros setores, como é o caso dos recursos humanos e da governação.
É um modelo de financiamento que é naturalmente importante, essa é apenas uma parte, importante, mas pequena. Mas há aqui três dimensões. Se quiser quatro: a dimensão estratégica, a dimensão da governação, a dimensão dos recursos humanos e a dimensão do financiamento. A dimensão estratégica é, de facto, Portugal estar equiparado às melhores práticas internacionais naquilo que é a conjugação de objetivos entre educação, formação, ciência e prática clínica. A governação é uma governação que é conjunta. Neste modelo, os grandes hospitais diferenciados, as faculdades de medicina, as escolas de ciências da saúde, cruzam esforços e participam conjuntamente no modelo. Os recursos humanos, como lhe disse, é possibilitar que exista a atração pelos caminhos que as carreiras podem ter, a carreira médica tradicional, a carreira acadêmica, a carreira docente e a carreira de investigação. E o financiamento, como eu lhe dizia há pouco, tratando de maneira diferente o que é diferente. Estes doentes, a que nós de uma forma simples podemos chamar, são doentes acadêmicos, que têm uma complexidade acrescida, são doentes importantes para o processo de ensino e de formação, até para a investigação. E a concentração nestas estruturas da atividade assistencial de elevada diferenciação, os centros de referência e também a atividade clínica mais complexa. Portanto, como vê, há aqui quatro eixos que justificam que Portugal possa acompanhar aquilo que se faz noutros países de grande diferenciação, com instituições semelhantes, e ao mesmo tempo dar um sinal claro da transformação de que vale a pena para os jovens médicos, jovens enfermeiros, enfim, farmacêuticos e jovens profissionais de saúde, ficar dentro do SNS e ter a possibilidade de ter uma carreira muito mais valorizada e muito mais enriquecida.
Adalberto Campos Fernandes, muito obrigado. Não sei se quer acrescentar mais alguma coisa.
Não, dizer que, como comecei, a importância do consenso que se estabeleceu entre os diferentes componentes da comissão, o bom acolhimento que nós sentimos da parte dos senhores ministros, quer da Saúde, quer da Educação, Ciência e Inovação, e esperar que haja agora do ponto de vista do governo, que tem o impulso legislador, a iniciativa e a capacidade de levar avante esta transformação, que é uma transformação estratégica e decisiva, pensamos nós, para o futuro do Serviço Nacional de Saúde.