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João Cancelo e Ruben Dias.

Bruno Fernandes.

Bernardo Silva, que qualidade!

Foi para Tristeán, Canelo.

É da nação, corrente mortal.

Mais uma edição de Seleção B quase a acabar, Inês.

É verdade.

E nós hoje temos um novo convocado, quase dos últimos convocados. Quem é? Conta-nos, Inês.

Hoje temos o homônimo de João Palhinha. Bem-vindo. Estás no Brasil, não é?

João Palhinha.

Olá.

Olá, João, tudo bem?

Tudo bem. Estou no Brasil. Eu sou o João Palhinha que está no Brasil, não no Qatar.

Pois é, e eu sei que estavas a torcer pelo Brasil, não é?

É, eu sou português, moro no Brasil. Minha família Palhinha está aqui. Eu moro no Brasil há 12 anos, torço pelo Brasil também, mas o meu coração torce mais por Portugal.

João Palhinha, eu não noto aí nem um bocadinho de sotaque. Estavas a pensar nisso?

Estava a pensar exatamente no mesmo.

Sabes que ao fim de dois meses começamos a pensar igual? Não é lindo?

Eu posso falar um pouquinho mais brasileiro, se vocês quiserem, eu posso falar um pouquinho mais arrastado.

Deixa estar.

Passado um ano morar aqui, já há palavras que já as dizia em brasileiro. Os meus amigos portugueses, já todos me gozavam por causa disso.

Sabem qual é a minha palavra favorita brasileira? Cadê?

Qual?

Cadê.

Cadê.

Não existe, em português é onde é que está. É uma frase.

Sim.

Cadê é ótimo. É só cadê?

Exato, resolve. É mais curto.

Resolve. Cadê? E quando uma pessoa está à procura, de repente, está com pressa. Em vez de "o que estás a fazer?", "estou à procura de." "Cadê?" E fala-nos um bocadinho sobre ti ou queres primeiro saber um bocadinho sobre o João Palhinha? O que nós queremos primeiro?

É assim, o João Palhinha, por acaso, ele é do Sporting e eu sou Benfica.

Ui!

Mas ele é de uma família Palhinha, que somos alguns, não somos muitos, mas somos alguns. Por acaso existe também uns Palhinhas aqui no Brasil. Eu tinha um primo que morava aqui, de uma outra ramificação da família e eu conheço a família dele, não o conheço muito bem, aliás, não o conheço pessoalmente, mas é uma família que conheço, umas ramificações. Não somos muitos.

Não são muitos, até porque há muito menos palhinhas agora, de plástico.

Pois, exato. Agora não está na moda.

É assim, eu no outro dia precisei de uma palhinha, porque tinha sido operada aqui à boca. Pronto.

Sim, já não há.

Já não há palhinhas. Vão para o Brasil, para o Qatar, depois eu quero palhinhas, onde é que há palhinhas?

Exatamente. Mas é um apelido diferente. Palhinha, Palhinhas vêm da mesma origem e vêm da região do Alentejo. E há uns Palhinhas nos Açores também. Não são muitos, mas existe.

São da mesma família. Isso quer dizer que João Palhinha, tu, és da mesma-

Somos primos afastados. Sim, somos da mesma origem, somos primos muito afastados. Sim.

Mas alguma vez já tiveram contacto?

Não. E ele é bem mais novo que eu. Ele deve ter 20 e poucos anos, eu tenho 45. Eu até achei muito curioso quando ele apareceu, porque é um nome que não é muito comum. E eu até tenho algumas histórias engraçadas. Quer dizer, hoje, por exemplo, sei lá, o Instagram. O meu Instagram é João Palhinha. E inclusive, às vezes marcam-me em fotos a achar que é ele. Pode ser que ganhe assim alguns seguidores. Mas achei interessante quando ele apareceu, a jogar. Apesar de ele ser do Sporting, mas torço muito por ele.

Não, íamos perguntar o que tu fazes.

Eu formei-me em Agronomia, em Lisboa, e comecei a trabalhar com vinho e fui trabalhar para uma empresa grande de vinhos portuguesa chamada Esporão, que é conhecida, e acabei por vir para o Brasil. Hoje já não trabalho mais com eles, trabalho num outro grupo grande de vinhos, mas continuo a trabalhar com vinho, com azeite, dentro da agronomia. O João Palhinha é conhecido no meio do futebol. Eu até dentro do mundo dos vinhos, se perguntarem por João Palhinha, há muitos que me conhecem, que eu trabalho há muitos anos.

Demos divulga uma cultura portuguesa, o que é ótimo. O futebol, o azeite e o vinho.

Claro. Levamos Portugal para vários lugares do mundo.

No fundo era aqui uma pergunta só provocatória para perguntar se fugias tão bem aos castigos da tua mãe como o Palhinha foge aos castigos para acumulação de amarelos.

Eu lembro mais ou menos disso, mas o Benfica não estava a jogar bem nessa altura, eu não queria ver os jogos, que eu sofro.

Estou a ver que és dos que sofre.

Eu tenho essa vantagem. Como eu não estou em Portugal, eu ainda posso optar por ver ou não ver. Quer dizer, porque aqui eu tenho que parar. Aqui no Brasil, os jogos passam e eu tenho na televisão, pelas assinaturas TV que eu tenho, consigo ver. Mas eu preciso parar para ver o jogo, que às vezes até os horários e tal.

Ó, saiu aí o parar e o Instagram, há bocado. Saiu um bocadinho de sotaque brasileiro. Já agora? Que eu notei.

Já me estou a entregar.

Parece que estamos a falar com duas entidades diferentes.

Não.

Sim, vou mudando.

Nota-se bem que a voz é sempre do João Palhinha. Muito obrigada por teres aceitado este nosso convite. Eu espero que continues também a divulgar a nossa cultura portuguesa aí além-mar.

Exatamente.

Além-mar.

Muito obrigado e parabéns pelo vosso trabalho, o Observador. Também acompanho aqui no Brasil.

Estamos em todo lado. É observador.pt. Obrigada.

Obrigada, João Palhinha.

Um abraço a Portugal.

E nós, Inês, vemo-nos para amanhã. Ia dizer para a semana, para a semana não nos vemos.

Para a semana não nos vemos, Rita.

Olha, vemo-nos amanhã.

Eu sinto que as pessoas estão a perceber a nossa mágoa por vermos isto acabar.

Sim, tudo acaba. Ia dizer, tudo passa até a uva passa e tudo acaba até o nada. Tchau, até para a semana.

Beijinho.

Não, até amanhã.

Até amanhã.

João Cancelo e Ruben Dias. Bruno Fernandes. Bernardo Silva, que qualidade! Foi para Tristeán, Canelo. É da nação, corrente mortal. Portugal! Portugal! Portugal!