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Inês Santos, está no ar mais uma Seleção B, comigo, Rita Camarneiro, e com ela, Inês Santos.
Euzinha.
Euzinha aqui na Seleção B. E nós hoje temos mais um convocado. Inês Santos, apresenta-nos.
Hoje temos conosco o Rafael Guerreiro. Bem-vindo!
Olá, Rafael.
Olá, bom dia.
Jogas futebol, Rafael?
Não, futebol não.
Então praticas algum desporto?
Voleibol é o principal.
Tu és do Algarve, não é?
Sou do Algarve, estou em Leiria.
Estás em Leiria. E tu estás a estudar o quê?
Engenharia automóvel.
E corrige-me se estiver errada, eu estive em modo stalker outra vez, Rita.
Não faz mal, Inês. Já estamos habituadas às tuas esquisitices.
Saio daqui com um processo em cima, se calhar.
Não, não sai.
Eu tenho medo.
Não te assustes.
Sim, assusta-te, Rafael. Nunca se sabe esta menina.
Pelo que percebi, tu fazes parte de um projeto muito interessante, ou não?
É verdade.
Vi ali qualquer coisa, quatro universitários, duas equipas, viajar até Marrocos com carros de mais de 20 anos, entregar mais de 80 quilos de material solidário. Isto chamou-me a atenção. Consegues contar-nos mais um pouco sobre isto?
Sim, foi um projeto que surgiu há cerca de um ano, com uns colegas meus, do meu curso. É um projeto solidário, num evento que se chama Uniraid. Nós somos quatro rapazes. O projeto faz-se com equipas de duas pessoas, ou seja, fomos duas equipas. O objetivo é: vamos a Marrocos, fizemos cerca de 4500 km em carros com mais de 20 anos.
Por que em carros com mais de 20 anos? Porque você, sendo engenheiro...
É uma regra do projeto, porque a ideia é demonstrar que mesmo um carro velho consegue fazer o que for preciso.
E resta-me perguntar: conseguiu fazer o que era preciso ou parou várias vezes?
Não. Tivemos alguns problemas, mas não foi nada de grave. Nós estudamos engenharia automóvel, estamos habituados a trabalhar com carros e tudo o que seja relacionado.
A ti ninguém te engana com orçamentos. A Inês, por acaso, recentemente teve um problema com o carro.
Sim.
E agora, coitadinha, vem a pé do Alto Minho até Lisboa.
Sou peregrina da Rádio Observador.
É uma peregrina, todos os dias vem cumprir uma promessa. E por acaso precisava de ajuda pra saber se a estão a enganar ou não. O que foi? Um pneu?
Eu ainda não tenho nenhum orçamento, Rita, não sei por onde é que vais.
Pronto, mas noutra altura estavas a queixar, Inês, estavas triste: "O que é que eu hei de fazer? Como é que eu venho? Como é que eu venho se não há transporte?"
Ficar a pé é chato.
Ainda por cima em Lisboa, que não há transportes públicos, é uma chatice. Tu calas.
Sabes a que horas é que eu acordo, Rita.
Eu sei. A que horas é que tinhas de apanhar o autocarro?
Não, o problema é que chegava ao cais às seis e dez e de repente já toda a gente sabe o meu percurso até ao trabalho, o que é completamente irrelevante.
Agora já sabem. Cuidado. Rafael Guerreiro, estavas com medo, mas afinal eu não sei a tua morada. Era só, no fundo, este projeto que me despertou muita curiosidade.
Inicialmente era pra levarmos cerca de 80 quilos, os dois juntos, as duas equipas juntas, mas levamos cerca de 340, 350 quilos de coisas.
Isso foi melhor do que a encomenda.
Mas olha, e assim o carro estava rebaixado, já nem precisava dele do rebaixado.
A roçar as cavas da roda até Marrocos.
E tens alguma peripécia que possas contar, uma coisa mais fora da caixa nessa viagem?
Muito.
Só temos seis minutos. Calma.
Seis minutos? Ok. Basicamente nós estávamos a andar há cerca de 70, 80 km no meio do nada, no meio do deserto, e tinham-nos avisado que ali naquela zona havia uma tribo de nômades, necessitavam de várias coisas. E nós estivemos com eles, foi espetacular. É uma felicidade enorme da parte dos miúdos. Mesmo não falando a nossa língua, dá pra ver que eles ficam contentes, brincámos à bola com eles, oferecemos bicicletas, roupas, sapatos. Passados 30 km a andar completamente no deserto, partiu-se a suspensão do nosso carro.
Partiste a suspensão?
Sim, ficamos duas horas atascados na areia sem poder fazer grande coisa, mas lá resolvemos o problema e pusemos a suspensão no sítio e fizemos mais 80 km ou 90 km no meio do nada.
Quando vocês diziam que eram de Portugal, o que as pessoas vos diziam?
As pessoas percebiam logo, porque temos o ícone do nosso país, que é o Cristiano Ronaldo, e toda a gente em Marrocos adora futebol.
E a Amália, é claro.
E a Agnes também.
E não tinhas um ícone do teu homônimo?
Não.
Acho mal.
Mas tínhamos as bandeiras de Portugal, então percebiam logo.
O que achas do Rafael Guerreiro? Acompanhas o percurso dele? Gostas de futebol?
Eu sou sincero, desde que tenho a minha vida de estudante que eu deixei de acompanhar tudo o que fosse desporto.
Quer dizer, não tem essa recordação, não foste estudante.
Eu não sou lateral esquerdo. Quando jogo voleibol, sou central.
Achas que podemos vir a ter outro Rafael Guerreiro no voleibol?
Não, nada disso.
Acho que vamos ter mais um.
Eu tenho 1,76 m, algo do gênero.
Normal.
O voleibol não é bem a minha carreira. Pratico calistenia, também não sei se conhecem.
Quem?
Calistenia.
Calistenia? Não, o que é isso?
Street workout.
Tipo crossfit, não é?
Sim, mas de rua só. Já fui nadador-salvador.
Um algarvio que não é nadador-salvador não é algarvio.
É quase isso. Ou pelo menos se não trabalhasse na praia, não é algarvio.
Ora, Rafael Guerreiro, muito obrigada.
Foi um prazer.
Foi um prazer.
Muito obrigado.
Espero que continues nessas viagens de vento em popa. De vento em popa não, de rodas.
Qual é que será a próxima? Pergunto eu.
Pois.
Obrigada, Rafael.
Muito obrigado.
E nós até amanhã, Inês. Espero que consigas chegar.
Se o Rafael conseguiu chegar, eu também chego.
Ora!