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Está dado o apito inicial de mais um Sem Falta da Rádio Observador, como sempre, com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques. Agora, em paragem internacional, estivemos a acompanhar o jogo de Portugal na Dinamarca, em Copenhague. Vitória portuguesa por quatro bolas a duas frente à seleção, que tem Morten Hjulmand entre os seus 11 titulares e a seleção que acabou por perder Portugal naquele que marcou o primeiro jogo depois daquele que, não sabemos ainda, pode ou não ser o final de Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional. O astro português abandonou a estágio da seleção ontem. Portugal consegue vencer. Pedro Henriques, acredito que aqui, e vamos fazer um aparte neste Sem Falta, que haja aqui, na tua opinião, um cartão vermelho para a sociedade portuguesa como um todo, para também a forma como estamos a lidar com esta questão Ronaldo, porque não mintamos. Há claramente, às vezes, algum contentamento. Achas que isto pode ser também alguma ingratidão?
É só a questão da memória ser curta, na perspectiva de que aconteça o que acontecer, isto é, ainda tenhamos o Cristiano Ronaldo para uma despedida condigna ou não, aquilo que eu penso que seja a sua última época desportiva, em termos como jogador. Eu acho que há claramente, e daqui a 10 anos teremos todos mais luzes para ver isso, vamos olhar para a história da seleção portuguesa de futebol e vamos falar claramente na era antes de Cristiano Ronaldo e a era depois de Cristiano Ronaldo. Portanto, toda esta ambição, o ganharmos, o estarmos perto dos títulos, não tem nada a ver com as gerações anteriores que eram extraordinários jogadores, se calhar não tinham as condições que foram criadas, mas também claramente há aqui um Cristiano Ronaldo que vem dar uma revolução compete e total, colocando os portugueses no topo do mundo naquilo que é sermos os melhores, acreditarmos que podemos ser os melhores. E não é só uma questão de ser o melhor, é acreditar e pensar que não é aquela coisa sempre muito triste.
E ter, de alguma forma, também a ousadia para chegar de um país tão pequeno a países tão grandes e dizer: "Olhem para mim."
Exatamente. E o Cristiano Ronaldo, não é assunto para agora, sabemos que impacta, não é com Portugal. Quando temos uma pessoa que é do mundo, percebemos que algo de extraordinário esta pessoa fez.
E a prova de que ele é inapagável é que o próprio jogador adversário acabou por celebrar um golo ao estilo do Cristiano Ronaldo.
Certo. Eu acho que o Cristiano Ronaldo entrará, podem não gostar da palavra que eu vou dizer, num estatuto de lenda. E o Cristiano Ronaldo é uma lenda, felizmente viva, ainda é jogador, e eu tenho esperança que no final disto tudo haja uma boa notícia.
Ainda pode haver uma boa solução.
Exatamente, um volte-face no sentido de ele regressar e fazer mais um jogo, se calhar até um golo, e haver uma despedida totalmente diferente desta. Esta é que não pode acontecer e ser assim.
Feito este aparte, Pedro Henriques, vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem, hoje liderada por Mikolaj Balaquin nesta vitória portuguesa da Dinamarca. E a começar ao minuto 27, porque clamavam os homens da Dinamarca um penalti na área de Portugal por alegada mão de Nuno Mendes, que tinha o braço completamente encostado ao corpo.
Exatamente. Jogo normal, sem penalti, a bola foi cruzada pelo pé direito do Adam Daghn. O esférico foi bater na mão direita do Nuno Mendes e como tu disseste, e bem, tinha o braço junto, ao longo e encostado ao corpo, sem tal voluntariedade extra e, portanto, sem motivo para pontapé de penalti.
Temos depois, Pedro Henriques, ao minuto 28, a questão dos cinco segundos para o pontapé de baliza, porque estava a demorar Diogo Costa e o árbitro começou a fazer a contagem.
Este árbitro hoje, por diversas vezes, sem que depois tenha havido penalização, quer nos lançamentos laterais, quer no pontapé de baliza, a cumprir com aquilo que está protocolado, porque obviamente, e neste caso foi com o Diogo Costa, os resultados estando positivos, estando de alguma maneira a nosso favor, é normal que o guarda-redes, neste caso o guarda-redes, porque era um pontapé de baliza, leve até ao limite aquilo que possa ser exatamente essa mesma execução. Mas o Diogo Costa sabe o que está a fazer e contou exatamente com isso e, portanto, vou mesmo até ao limite. O árbitro começou a fazer essa contagem dos cinco segundos e ele antes de terminar essa contagem executou o pontapé de baliza. E eu queria só acrescentar algo, porque imaginemos que o árbitro começa a fazer a contagem dos cinco segundos e o guarda-redes, neste caso, porque estamos a falar do guarda-redes Diogo Costa, já está em corrida para ir pontapear a bola e que entretanto está a dois metros ou a três da bola, o que seja, para pontapear, mas já está em corrida para fazer o pontapé, mesmo que o árbitro termine a sua contagem.
Há uma pequena tolerância. Há intolerância.
Não, é tolerância, é isso mesmo. Ou seja, está mesmo escrito que os árbitros não vão penalizar o jogador quando já está no ato da corrida ou se for um lançamento lateral, também é cinco segundos, já está a executar. Aqui o objetivo é, sobretudo, manter o ritmo do jogo, não é penalizar. E se o jogador já está em movimento de corrida para executar o pontapé de baliza, ou neste caso se fosse um lançamento, que era a mesma coisa, mesmo que termines a contar os cinco segundos, tu deixas seguir porque o jogador já está na execução. Este é um esclarecimento que pode deixar dúvidas, vermos alguém que ainda não chegou à bola, o árbitro a esgotar os cinco dedos, a contar os cinco segundos e a não penalizar. É porque é mesmo esta a indicação que foi dada.
Temos depois ao minuto 44, um amarelo que, na tua opinião, faltou, ficou por mostrar e desta feita a João Cancelo, autor do primeiro gol de Portugal.
O árbitro teve um critério bastante largo em todo o jogo, e sobretudo na primeira parte. Tivemos ali um ou outro lance que podíamos ter discutido e para um lado e para o outro, em que podíamos ter discutido se o árbitro fez bem ou não. E no meu ponto de vista, sim, na maneira como fez a gestão e como acaba por terminar o jogo, o jogo perfeitamente controlado. Portanto, é sinal que essa gestão disciplinar foi correta. Aqui é talvez o lance, no meu ponto de vista, mais evidente, porque o Cancelo faz mesmo uma obstrução com contato físico, roda o corpo e coloca-se na trajetória do Darami, acabando mesmo por obstruir a passagem e, portanto, a obstrução com contato é punido com livre direto. E neste caso concreto, é muito próximo já da área. De resto, é um livre direto, com barreira e tudo. E é por essa proximidade da área, por cortar já uma jogada de algum perigo, que nós chamamos de ataque promissor, que eu acho que de todos os lances, este é aquele que eu acho que devia ser mesmo mostrado cartão amarelo.
Temos já na segunda parte, ao minuto 51, Nuno Mendes a ficar um minuto fora, algo que gerou muitíssima contestação do banco português, mas o que é certo é que o jogador se lesionou num lance em que o adversário não sofreu amarelo. Portanto, acho que não estou em erro aqui, Pedro.
É isso mesmo que estás a dizer. Sempre que o jogador, neste caso, for avaliado/tratado, o que é que isso significa? Avaliado significa que o árbitro tem que ir lá porque o jogo entretanto ou parou ou levou o árbitro a parar o jogo, mesmo que o jogador não seja assistido, não leve o dito spray, etc. Ou que implique a entrada da equipa médica, desde que não haja o tal cartão amarelo ou vermelho para quem eventualmente fez uma falta, portanto o árbitro nem sequer marcou falta. Resumindo, sempre que o jogador for avaliado e tratado no terreno de jogo ou que provoque essa paragem do jogo devido a essa suposta lesão, depois de assistido ou pelo menos avaliado, já tem que sair para fora das quatro linhas e aí permanece durante o tal minuto. Com esta nuance, ou duas nuances. E foi por isso que a equipa técnica que estava ali em volta do Nuno Mendes, se calhar, queria que ele entrasse mais depressa. Para já, para pressionar, para entrar. Só que não é o assistente, ou neste caso, o quarto árbitro, que está a fazer a contagem, é o árbitro e portanto o árbitro é que decide em função desse minuto. Não é o quarto árbitro. E mesmo que as equipas técnicas comecem também a fazer a contagem do cronômetro, o que é normal é que comecem a contar quando o jogador sai e não é isso que está escrito. O que acontece é que é a partir do momento em que o jogo foi mesmo reiniciado e, por vezes, entre o jogador sair e o jogo ser reiniciado, há aqui um delay que pode ir de cinco a 10 segundos, conforme a situação. E esses cinco ou 10 segundos, ou seja, a contagem só começa depois de o jogo ser reiniciado e não quando o jogador sai. E portanto, foi isso que aconteceu aqui com o Nuno Mendes. E a última nuance é que o jogador, passado esse minuto e com a autorização do árbitro, entra mesmo com o jogo a decorrer, desde que a bola não esteja ali na zona. Ao contrário das substituições em que se alguém demorar mais de 10 segundos para sair e depois o colega que ia entrar tem que ficar lá fora um minuto, aí nas substituições é que só entra com o jogo parado, isto é, passou um minuto e o jogo tem que estar parado, tem que haver uma paragem. Aqui não, é mesmo com o jogo a decorrer.
Temos depois ao minuto 67, o terceiro golo de Portugal, que foi a estreia de Vitinha a marcar pela seleção nacional e de cabeça, que vale uma conversa toda para "Sede o Campeão É". Em registo, sem falta, queremos saber se está tudo legal, se estava em jogo.
Tudo legal. Certo, é isso mesmo. O Vitinha está em posição legal no momento do passe. A transmissão não meteu as linhas, mas fez questão de parar e nós percebemos que é um jogador, penso que é o número dois, que é o Joaquin Anderson, que está a colocar o Vitinho em jogo e, portanto, tudo legal, golo legal de Portugal, na altura, o terceiro golo da seleção portuguesa.
Temos depois ao minuto 69, amarelo para JJ. Nós até avançamos a possibilidade de ser o segundo para o treinador desde que está na seleção, mas não, o primeiro do último jogo foi para o adjunto, foi para João de Deus.
Para a trinca tudo.
É, exatamente. A verdade é que Jorge Jesus foi disparado à área técnica, saiu da área técnica.
Exatamente. A divina irmandade.
É verdade.
Foi Deus, agora foi Jesus. Mas isso brincando aqui um bocadinho com a situação. Não, o Jorge Jesus, de duas, uma: ou foi por palavras, porque ele realmente está a fazer assim com as mãos, qualquer coisa tipo palavra, não sei o que ele quis dizer com isso, mas como também foi apontado para o chão, não sei até que ponto não poderá ter sido por o Jorge Jesus ser muito expansivo e houve um lance que até foi à área técnica da equipa adversária, aquele lance com o Nuno Mendes, que se envolveu lá com o treinador também adversário. Portanto, o Jorge Jesus saiu e sai de forma muitas vezes natural, porque se calhar nem está a ver o que está a fazer, da área técnica. E dá-me ideia que pode ter sido por essas vezes que saiu da área técnica, já ter sido avisado que eventualmente o quarto árbitro terá chamado a atenção do árbitro e mostrou o respectivo cartão amarelo.
Temos depois, Pedro, ao minuto 80, para Daramy da equipa da Dinamarca, um amarelo mostrado. Bem mostrado?
Sim, este é um cartão amarelo bem mostrado, é na área portuguesa, portanto é uma falta, digamos, ofensiva. Os dinamarqueses vão atacar, estão na área portuguesa, Portugal recupera a bola e o Daramy tem ali, vamos dizer, uma rasteira/pontapé com a sua perna direita na perna esquerda de Bruno Fernandes. Talvez o Bruno Fernandes, como disse aqui o nosso João Pinto, sabendo que tinha havido ou que ia haver cartão amarelo, porque viu o cartão amarelo, tenha adornado ali a coisa e pediu assistência médica, depois recuperou e como foi assistido dentro de campo, mas como houve cartão, neste caso amarelo para o adversário, não tem que sair para fora das quatro linhas, mas de qualquer maneira a entrada foi dura, foi uma boa biqueirada, uma boa canelada e, portanto, nós dizemos que é entrada negligente e cartão amarelo bem mostrado.
E ao minuto 82, para fechar os lances, antes de conhecermos a nota do árbitro ucraniano que liderou esta partida, um amarelo para Rúben Neves, aqui creio que também bem mostrado, Pedro.
Bem mostrado, mas no limite. Se fosse cá em Portugal, tínhamos a versão dois do Porto-Benfica por causa dos pisões, porque se fosse num jogo clássico e com o jogo assim apertado em termos de resultado, iria haver quem pudesse defender o cartão vermelho. Eu acho que é no limite. Continuo a achar que este pisão é apenas, entre aspas, para cartão amarelo. E relembro, de forma muito rápida, que quando há esta questão das entradas de sola e os pisões também é uma entrada de sola com os pitões, são alguns pontos, são seis, mais concretamente, de análise para se ser amarelo ou vermelho. Tem a ver com a intensidade, com o ponto de contacto, se é no pé, por exemplo, se é no tornozelo, e este é mesmo no limite, é o borderline. É ali completamente do peito de pé, mas já a resvalar para a questão do tornozelo. E depois a própria natureza do contacto, se pisas ou não pisas o próprio movimento, se tentas evitar o contacto, tipo vais sempre com a perna esticada ou se te dobras na tentativa de tirar. E depois aquilo que é também sempre difícil de analisar, que é se há baixo ou alto risco de lesão para o adversário. Eu acho que ele depois até se foi substituído e se calhar em função deste contacto. É um lance no limite. Se o árbitro tivesse mostrado cartão vermelho, estaríamos aqui a tentar de alguma maneira justificar a razão e o motivo porque este pisão realmente é muito ringue e depois fica ali assim o peito do pé. Quando se para a imagem, dá a exponenciar um bocadinho mais de gravidade. Eu vou dar como boa a decisão do cartão amarelo. Acho que é mais negligente do que o uso excessivo de força a pôr em risco a segurança integrada física do adversário, mas é um lance no limite em que o Rúben arriscou. De qualquer maneira, vou dar como boa decisão o cartão amarelo.
E Pedro Henriques, para fecharmos este "Sem Falta", que nota merece a equipa de arbitragem liderada por Mykolat Balakin, o ucraniano, que liderou a equipa de arbitragem desta vitória portuguesa em casa da Dinamarca por quatro bolas a duas.
Olha, o jogo, para mim, foi uma arbitragem tranquila e positiva. Vou dar nota seis porque, não obstante o resultado, enfim, só mais na parte final é que terá sofrido ali um bocadinho mais dilatado, porque até tivemos um zero, um um, aliás, zero um, um um, depois um dois, dois dois. Portanto, o jogo não esteve sempre resolvido sob o ponto de vista do resultado. O árbitro deixou jogar, aliás, isso refletiu-se nas poucas faltas assinaladas, 18, seis, 12 E também nos poucos amarelos, porque tirando o amarelo ao Jorge Jesus, houve só dois amarelos dentro de campo. Os seis gols foram todos legais. Os assistentes tiveram um bom plano, nomeadamente em dois lances, porque depois o quarto gol também tinha uma análise fora de jogo, mas foi bem analisado, não é daqueles mais no limite, daí eu não ter chamado à coação. Acaba por ser um desempenho positivo num jogo relativamente fácil de arbitrar, com aquela questão do Cancelo, que também é só a minha opinião, que podia ter visto cartão amarelo. Por isso tudo, por essa facilidade do jogo, por esse amarelo que não foi mostrado, pela discussão que pode gerar o ser amarelo ou não ao Rúben Neves, eu vou dar nota 6. Não dou mais, mas de qualquer maneira é uma nota positiva e ninguém vai falar da arbitragem para justificar aquilo que aconteceu dentro de campo.
Está feito mais um "Sem Falta", a analisar o trabalho da equipe de arbitragem liderada por Mykolay Balakin, o ucraniano, e aqui com nota globalmente positiva dada por Pedro Henriques. Temos novo encontro marcado, compromisso internacional da seleção para fechar esta pausa e quem sabe até carimbar o apuramento de Portugal para a próxima fase da Liga das Nações. Temos no domingo, no Dragão, Portugal-Noruega às 17h45, para ouvir também com a áudio arbitragem do Pedro Henriques. Um abraço, Pedro.