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Apito inicial para mais um Sem Falta, como sempre, com o ex-árbitro Pedro Henriques. Desta vez vamos olhar para o Moreirense x Benfica. Pedro, seja bem-vindo a mais um Sem Falta.
Muito boa noite.
Boa noite, Pedro. Vamos olhar para esta partida que o Benfica empatou. Vamos primeiro à equipa de arbitragem liderada por Manuel Oliveira, assistência de Tiago Leandro, a Nelson Cunha. Quarto árbitro foi Cláudio Pereira, com vídeo-árbitro de Fábio Melo e assistência de vídeo-árbitro de Rui Licínio. Pedro, vamos começar a partida ao minuto 38, logo com um lance decisivo, um dos mais importantes da partida. Minuto 38, pênalti de Grimaldo sobre o Halterson. Foi isso que decidiu a equipa de arbitragem, um pênalti que deu depois origem ao gol do empate. Pergunto se foi bem assinalado este pontapé de pênalti para a equipa do Moreirense.
Sim, foi bem assinalado e foi o árbitro que assinalou. Demorou mais tempo o vídeo-árbitro, porque era preciso analisar duas coisas: confirmação ou não do pontapé de pênalti e depois se haveria fora de jogo no ataque do Moreirense. Por partes, o pênalti existe porque Grimaldo ao ser ultrapassado por Halterson, acaba por com o braço empurrar e carregá-lo nas costas, derrubando o jogador na área. Por ter feito uma infração com a mão, com o braço, mais concretamente, e por cortar dessa forma uma jogada de perigo, o cartão amarelo também foi exibido. E digo isto porque se porventura o Grimaldo tivesse feito exatamente o pênalti, mas com o pé, a tentar jogar a bola, por causa da questão da lei da triplapenalização, em que os vermelhos passam para amarelos, os amarelos passam para nada, em termos disciplinares, não haveria sanção disciplinar. Isto para perceber, porque às vezes as pessoas não percebem, porque é que muitas situações de pênalti, umas vezes levam cartão amarelo e outras não levam. É por ter feito a infração com o braço, com a mão. Se fosse a tentar jogar a bola e com o pé, não era. Em relação à questão do fora de jogo, a Cidade do Futebol depois injetou a tal imagem que nos permitiu verificar que no ataque, no corredor direito, o jogador do Moreirense estava em jogo por 43 cm. Portanto, duas situações bem resolvidas, quer o árbitro assistente logo à primeira, que não deu fora de jogo, quer depois o árbitro que assinalou por ele próprio o pênalti, mas de qualquer maneira, com a confirmação do vídeo-árbitro, uma boa decisão da equipa de arbitragem.
Vamos avançar então até ao minuto 58, já na segunda parte da partida, um cartão amarelo para o lado do Moreirense, para Abdoulaye Bai. Foi um bom cartão amarelo, bem mostrado este cartão ao jogador do Moreirense?
Sim, é uma entrada sobre o Darwin, tackle lateral. Ele toca na bola, mas ao mesmo tempo, por ser em tackle, digamos que rasteira e de forma muito negligente a maneira como ele entra, portanto, bem dura a entrada. E por isso o árbitro fez bem em puni-lo disciplinarmente com o respectivo cartão amarelo, pela entrada em tackle de forma negligente.
Pedro, ao minuto 59, um minuto depois, há aqui outro lance que certamente vai dar o que falar durante esta semana. Um lance entre Felipe Soares e Jan Vertonghen. Na imagem, vê-se uma cotovelada ao jogador do Benfica. Pergunto se haveria aqui motivo para assinalar grande penalidade para os encarnados.
Sim, há motivo a pontapé de pênalti. E aqui começa a minha crítica, não em relação ao árbitro, porque eu próprio quando estou a ver o jogo em direto e percebo que o Vertonghen fica agarrado à cara, fiquei com algumas dúvidas. Pensei: talvez tenha havido algum contato ou não. Depois da repetição, uma repetição é suficiente para perceber-se que o jogador Felipe Soares ao abrir o braço esquerdo, acaba por acertar em cheio na cara do Vertonghen. E se repararmos, a bola está na vertical, está no ar, eles estão os dois a olhar para a bola na perspectiva de eventualmente jogar a bola, e com este toque na cara, o Vertonghen fica completamente fora da jogada e fica impedido de jogar a bola. E portanto, havia aqui motivo para pontapé de pênalti. É um erro claro e óbvio e que merecia a intervenção do vídeo-árbitro. E estou a focar este aspecto, por causa do lance que vem a seguir, porque os vídeo-árbitros, se se agarram ao protocolo, e se agarram ao protocolo em que diz que tem que ser um erro claro e óbvio para intervenção, e muitas vezes se desculpa o vídeo-árbitro da não intervenção nas perspectivas que o erro não é claro e óbvio e, portanto, deixa dúvidas, este é um lance que é claro e óbvio, vê-se com uma só repetição e exigia claramente a intervenção e um erro grave por parte do vídeo-árbitro.
Avançamos até ao minuto 62, novamente lance importante na partida, pênalti assinalado a favor do Benfica, a falta de Soares sobre Julian Weigl, mas depois o vídeo-árbitro acabou por intervir e o próprio árbitro acabou por ir ver ao monitor e reverter esta decisão. Pergunto, Pedro, se foi uma boa decisão esta anulação do pontapé de pênalti.
Não, foi uma má decisão. Era uma boa decisão inicial por parte do árbitro, foi uma má decisão naquilo que foi a reversão deste lance. Por partes. Quando nós olhamos para o lance, temos que perceber por que o Weigl acaba por não cair à primeira. E quando nós vemos um jogador que eventualmente tropeça nele próprio ou é tocado e acaba por não cair à primeira, se desequilibra e cai mais à frente, das duas, uma: ou realmente o jogador sofreu um contato absolutamente normal e natural, ou eventualmente o jogador simula, ou então é mesmo tocado. E o contato aqui normal seria muito difícil, porque o jogador do Moreirense, o Soares, está nas costas do Weigl. E esta é uma questão importante para quem é vídeo-árbitro, para poder depois ir buscar as imagens, que se eu tenho um jogador a correr nas costas do outro, quando eu vou ver se há falta ou não, eu não posso ficar por uma imagem perpendicular, que é a imagem da transmissão da televisão, que está a apontar a câmera na diagonal para aquele movimento que os jogadores estão a fazer. Eu tenho que saber de cor e salteado que tenho que ir buscar uma imagem de trás da baliza para perceber e para ver a imagem no sentido em que eu vejo as costas do Weigl e, neste caso, as costas do jogador do Moreirense que vai atrás dele Ou seja, essa imagem é fundamental. As repetições que foram sendo dadas através da transmissão eram praticamente quase todas planos curtos, plano de fora de jogo, eram todas imagens na perpendicular. Quando a transmissão dá a última repetição, que é exatamente a melhor, que é a corrida vista pela câmera que está atrás da baliza e, portanto, vê-se as costas do Suárez e vê-se as costas do Weigl, percebe-se, se diminuirmos a velocidade da imagem, percebemos que o Suárez, com o pé esquerdo, pontapeia, não é toque, é pontapeia o pé esquerdo do Weigl. E ele que já estava em desequilíbrio, por ter até levado um toque no ombro direito com o braço, com aquele pontapé ainda se mais desequilibrou. Ainda tentou, pois deu mais um passe, para se tentar pôr de pé ou não cair, e acaba por cair. Podemos dizer assim: "Mas é uma questão de interpretação, o toque pode não ter sido suficiente ou ele já está em desequilíbrio." Até vou aceitar isso. Se é uma questão de interpretação, repito, para mim é pontapé de pênalti, o vídeo-árbitro só pode intervir quando há erros claros e óbvios. O árbitro tinha assinalado e é um ponto que nos foi dito em novembro, quando nós estivemos na Cidade do Futebol exatamente a ter formação sobre estas questões de vídeo-árbitro e com o próprio Conselho de Arbitragem, que um ponto fundamental que é colocado aos vídeo-árbitros é: "Meus amigos, sempre que vocês querem provar ao árbitro que ele errou na sua decisão e portanto vão mostrar uma imagem, tem que ser uma imagem clara e óbvia, que faça mesmo prova sem qualquer dúvidas." E ele não tem essa imagem, e a imagem que ele vai dar é uma imagem igual à da transmissão normal, na perpendicular, onde o árbitro, e estava-se mesmo a ver, o árbitro por esta imagem não vai dar pênalti. E ele tinha a obrigação de ter dado a imagem por trás, por menos dois planos, para o árbitro perceber o contato. Depois, se o árbitro quisesse interpretar como sendo suficiente ou não, o grave disto é que não há nenhuma imagem que o vídeo-árbitro dê ao árbitro que mostra para trás. E por que eu estou a dizer isso? Porque aquelas imagens, quando nós vemos o árbitro ir ao monitor em que se vê a televisão, portanto, e aquela televisão tripartida, com o árbitro no monitor e, portanto, com a repetição, vê-se o árbitro no monitor, vê-se a imagem no monitor, normalmente aparecem duas, três imagens, são as imagens que a cidade do futebol está a dar ao árbitro. Aquilo que nós estamos a ver é exatamente a repetição. E ele só dá uma imagem ao árbitro, só dá um plano ao árbitro. Isto é um erro claro de um vídeo-árbitro, não é uma questão de saber as regras, não tem capacidade, não tem competência de vídeo-arbitragem, que é esta crítica que eu tenho feito. Não basta só saber de jogo. É preciso saber, de cor e salteado, que existem ângulos inversos, câmaras de topo, câmaras atrás da baliza, câmaras de fora de jogo, a câmara de planos curtos ao lado da transmissão. É preciso saber isto e saber o potencial, porque eu sabendo isto e sabendo o que é que cada uma das imagens me dá, eu automaticamente sei que num toque eventual de um jogador que corre atrás do outro, eu tenho que ir buscar sempre a imagem que mostra as costas entre os jogadores. E, portanto, o vídeo-árbitro nem sequer se podia intrometer neste lance, porque ele não tem prova de erro claro e óbvio para poder dizer ao árbitro: "Tu erraste quando assinalaste o pontapé de pênalti." Resumindo e concluindo, mais grave ainda, depois, é a questão do cartão amarelo por simulação, porque eu nunca posso dar um cartão amarelo a um jogador por simulação.
Era precisamente isso que ia perguntar. Ficamos aqui com as dúvidas sobre se o vídeo-árbitro podia ou não dar indicação ao árbitro para dar um cartão amarelo.
Pode ajudar, inclusivamente, se disser ao árbitro: "Olha, não é pênalti, o jogador mandou-se para o chão que ninguém lhe tocou", na minha opinião, é cartão amarelo. Hoje em dia, o vídeo-árbitro tem este tipo de conversa com o árbitro.
Essa liberdade.
Na perspectiva de ajudar. Agora, quando há um toque, como aconteceu, aliás, há dois toques, mão no ombro e depois, esse para mim sem falta, apenas pode dar ali mais uma ajuda para o desequilíbrio, e depois a seguir um toque no pé, eu nunca vou mostrar um cartão amarelo, isso é bom senso, eu não vou mostrar um cartão amarelo a um jogador por simulação quando existe o contato. Eu dou um cartão amarelo por simulação quando eu tenho a certeza que todas as imagens que mostram o jogador caiu sem ninguém lhe tocar. Aí eu não tenho problemas em dar. Agora, com o contato, eu tenho que pelo menos colocar na dúvida se aquele contato, que até pode não ser falta, se não foi suficiente para ele eventualmente até se desequilibrar ao cair. E portanto, há aqui vários erros cometidos, por isso eu me alonguei um bocadinho mais neste lance. Para mim, há motivo para pontapé de pênalti, ficou pênalti para assinalar, mas sob o ponto de vista de arbitragem, o mais grave é toda a intervenção do vídeo-árbitro errada neste lance, a começar pelo intervir num lance que não pode, porque não há erro claro e óbvio, que não faz prova com a melhor imagem e ainda por cima só dá uma imagem em perpendicular, quando nestas circunstâncias, tem que dar uma por trás, a acompanhar o movimento visto pelas costas. Uma vez que no Estádio do Moreirense, as imagens dos ângulos inversos, como a câmera é muito colocada embaixo, é um estádio difícil. Não é por acaso que aconteceu aquele lance do Moreirense-Braga, em que tivemos a falha do fora de jogo.
Já tivemos vários problemas nesse estádio.
Já falámos sobre isso, porque os campos normalmente têm 105 por 68, e o Moreirense tem 104 por 68, e daí ter havido aquela falha do método. E estas coisas, quem vai para vídeo-árbitro, tem que saber de cor e salteado, tem que fazer o trabalho de casa, tem que estudar tudo. Dimensões do campo, saber as questões relacionadas com as câmaras, quais são as câmaras que lá estão, saber que ao nível do fora de jogo e a câmara de ângulo inverso, como trabalhei, não há problema em dizer, na Sport TV, fiz o juízo final, isto eram dados que eu tinha, porque eu sabia que aquele campo tinha aquelas condições e isso ia me dificultar também no meu trabalho a fazer isso. E isto um vídeo-árbitro tem que saber de cor e salteado. Para fazer isso de cor e salteado, tem que ser vídeo-árbitro profissional, especialista daquilo e não pode fazer mais nada. Isto é, não pode andar a arbitrar jogos, não pode fazer mais nada. E daí a minha crítica sistemática, porque estão a acontecer erros sobre erros e estão a matar o vídeo-árbitro, que é uma ferramenta útil, fantástica, extraordinária, mas depende muito das pessoas que estão a operar.
Vamos avançar, Pedro Henriques, para o minuto 70. Mais um cartão amarelo, desta vez para Fábio Pacheco, para o lado do Moreirense. Foi bem mostrado este cartão?
Sim, bem mostrado, uma entrada negligente, aquilo que nós dizemos que foi bastante dura, sobre o Rafa, cortando ali uma jogada, também de certa forma uma falta tática e, portanto, bem mostrado o cartão amarelo.
E terminamos três minutos depois, ao minuto 73, com mais um cartão amarelo, desta vez para o lado do Benfica, para Nicolás Otamendi. O que é que aconteceu neste lance, Pedro? E se foi bem mostrado este cartão amarelo ao defesa argentino.
Bem mostrado. Entrou com a perna esquerda, restaurou o Conte, que ia com perigo já próximo da área, daí resultou num livre direto com barreira e tudo, bastante perigoso. É pela entrada que é negligente e é o corte do ataque promissor, portanto, bem mostrado o cartão amarelo.
Pedro, vistos os lances, resta agora saber a classificação final. De 0 a 10, quanto é que merece esta equipa de arbitragem hoje em Moreira de Cónegos, liderada por Manuel Oliveira?
Vou dar a pior nota de sempre, até agora, nota 2, porque aqui estou a incluir claramente o árbitro, mas sobretudo o vídeo-árbitro. Não posso aceitar falhas graves como foram estas num penalti que tem que intervir, como é o caso do Vertonghen, não intervém, e num que não pode intervir, intervém. Ainda por cima, dá uma imagem errada. Ao menos podia intervir porque tinha uma opinião diferente, mas tinha que dar as imagens corretas. Portanto, há aqui erros no fundo e que têm, obviamente, importância, porque num jogo de 1x1, uma das equipas tem dois penaltis que não são assinalados, obviamente que isso tem relevância e importância. Portanto, não gostei naturalmente da arbitragem, não gostei sobretudo da intervenção do vídeo-árbitro, completamente desastrosa e, por isso, nota negativa, nota 2.
É a pior nota de sempre, como dizias, Pedro, a pior nota dada já neste "Sem Falta" e já fizemos dezenas e dezenas de jogos. E fica aqui pela negativa essa pior nota dada. Nota 2 a esta equipa de arbitragem liderada por Manuel de Oliveira e também ao vídeo-árbitro Fábio Melo, com assistência de vídeo-árbitro de Rui Licínio. Pedro Henriques, amanhã estamos de volta para a partida entre Sporting e Paços de Ferreira, às 20h15, jogo em Alvalade. Contamos com a presença para mais um "Sem Falta" amanhã à noite. Até amanhã, Pedro.
Até amanhã. Obrigado.